10 discos pra ouvir antes do ano acabar (parte 1)

Para comemorar os quase quatro meses de publicação da Coluna Miojo Indie aqui nas páginas do Move That Jukebox, e aproveitando as famigeradas listas de final de ano, separamos uma seleção de dez discos (dividida em duas partes) que você precisa ouvir antes que o ano acabe. Trabalhos que acabaram por diversas questões ficando de fora da nossa lista quase semanal de indicações, mas que precisam ser apreciados em vista da importância dos mesmos para com a música no ano de 2011.

Fucked Up

David Comes to Life (Matador Records)


Os quase três anos que separam o grupo canadense Fucked Up do segundo para o terceiro álbum possibilitaram melhorias mais do que visíveis ao trabalho da banda. Enquanto as guitarras de Mike Haliechuk alcançaram uma sonoridade puramente melódica e longe das convenções naturais do hardcore, Damian Abraham, vocalista e principal compositor do grupo atingiu um nível surpreendente. Se o lirismo já era a principal característica do compositor no registro anterior – The Chemistry of Common Life, de 2008 – com este terceiro álbum Abraham dá um passo ainda maior, contando em mais de uma hora a história de amor entre David Eliade e Veronica Boisson, um casal fictício, mas que acaba contribuindo para o nascimento da maior ópera rock dos últimos dez ou vinte anos.

Com Truise

Galactic Melt (Ghostly)


Nas mãos de Seth Haley a música eletrônica parece ganhar novo sentido. Nada das obviedades que caracterizam trabalhos do gênero, entre sintetizadores chapados e batidas não convencionais que evocam o espírito dos anos 80, o produtor de Nova Jersey acaba armando um trabalho que mesmo preso às pistas, parece se estender para além desse limite. Climático e ao mesmo tempo dançante, Galactic Melt faz jus ao título que ostenta, afinal, durante toda a execução do trabalho Haley parece transformar a galáxia inteira na matéria prima para o trabalho, derretendo tudo e condensando em um som maleável e marcado por inúmeras referências, reproduzindo um catálogo de canções repletas de distintas texturas e formas musicais. Basta uma única execução da viajada “Ether Drift” que você entenderá do que estou falando.

Shabazz Palaces

Black Up (Sub Pop)


O hip hop está mudando e Black Up do Shabazz Palaces é o melhor exemplo disso. Psicodélico, jazzístico e experimental, o trabalho de estreia da dupla Ishmael Butler e Tendai Maraire parece ir contra todas as convenções do estilo, misturando, provando e estabelecendo novas regras ao gênero que estão integrandos. Cada música do álbum tende a apontar para inúmeras direções em poucos minutos de execução, gerando um trabalho essencialmente vasto e que em nenhum momento se perde nas vias tradicionais de qualquer disco pensado nas bases do rap comercial e tradicional. Talvez difícil aos despreparados, a mistura instrumental e poética que se estabelece no interior da obra acaba em pouco tempo estabelecendo uma aproximação quase hipnótica com o ouvinte, sendo praticamente impossível escapar de faixas como “Free Press” and “Curl” após algumas execuções do trabalho.

Smith Westerns

Dye It Blonde (Fat Possum)


Lançado no começo de janeiro, Dye It Blonde foi a primeira e mais consistente mostra de que 2011 possibilitaria uma sucessão de lançamentos memoráveis. Cruzando garage rock e noise pop dentro de uma medida despretensiosa e cantarolável, o quarteto de Chicago Smith Westerns acaba promovendo um trabalho dividido entre a maturidade e a jovialidade, transformando esse encontro dicotômico em um mote para que faixas como “Weekend”, “Still New” e “Fallen In Love” possam se manifestar. Quem já havia se surpreendido com o grupo em 2009, quando lançaram um autointitulado registro de estreia, provavelmente acabará encontrando com este segundo álbum um registro ainda maior, cativante e permeado por boas guitarras.

Africa Hitech

93 Million Miles (Warp)


Em um ano em que o dubstep deixou de ser um ritmo totalmente específico de um grupo de ouvintes para se transformar em um gênero comercial e conhecido por quase todos – está aí o novo disco do Korn para comprovar (…) -, o que não faltaram foram discos atrelados ao estilo, logo, filtrar essa soma surpreendente de estreias acabou se transformando em uma tarefa nada fácil. Entre os álbuns que merecem claro destaque está o da dupla formada por Mark Pritchard e Steve Spacek, o Africa Hitech. Honrando as velhas experiências musicais do estilo – embora se encaminhem em alguns momentos para um lado mais pós-dubstep -, o registro concentra em 11 faixas as pequenas esquizofrenias do gênero, transformando faixas como “Do U Wanna Fight” e “Out In The Streets” em verdadeiros achados para as pistas.

Textos: Cleber Facchi