10 discos pra ouvir antes do ano acabar (parte 2)

Para comemorar os quase quatro meses de publicação da Coluna Miojo Indie aqui nas páginas do Move That Jukebox, e aproveitando as famigeradas listas de final de ano, separamos uma seleção de dez discos (dividida em duas partes – veja as 5 primeiras indicações) que você precisa ouvir antes que o ano acabe. Trabalhos que acabaram por diversas questões ficando de fora da nossa lista quase semanal de indicações, mas que precisam ser apreciados em vista da importância dos mesmos para com a música no ano de 2011.

Cass McCombs

Wit’s End (Domino)


Todo país tem aquele que é o representante-mor em se tratando de registros melancólicos e que absorvem o amor de forma sempre sofrida. Nos Estados Unidos o nome da vez é Cass McCombs. Assumidamente romântico e dono de uma série de excelentes discos, o músico conseguiu ao lançar Wit’s End em abril deste ano um resultado ainda mais surpreendente, sufocante e dolorosamente romântico. Entre pérolas do abandono como “County Line” (uma das melhores músicas do ano), “Buried Alive” e “A Knock Upon The Door”, McCombs acaba alcançando um registro genuíno e honesto, transformando a dor que o acompanha na matéria prima para o pequeno conjunto de canções encontradas no interior do disco. Prepare a garrafa de vinho, bote o álbum para tocar e prepare-se para a choradeira que vem em seguida.

Frank Ocean

Nostalgia, Ultra (Independente)


Radiohead, MGMT, Coldplay e até Eagles. Estes são alguns dos elementos utilizados pelo jovem Frank Ocean (do Odd Future) como base para as composições de Nostalgia, Ultra, primeiro álbum do rapper em carreira solo e uma das grandes obras do R&B em 2011. Romântico até o talo e funcionando como uma espécie de recorte do cotidiano do artista, o disco concentra em pouco mais de 40 minutos toda a excepcionalidade do norte-americano em produzir composições integralmente comerciais, porém, distantes das redundâncias que pudessem se destacar em um trabalho de contornos semelhantes. Entre versos que discutem casamento, drogas e as garotas que cercam Ocean, o trabalho acaba se encaminhando para um resultado comercial em todos os aspectos, transformando o rapper em uma figura que deve circular com destaque pelo mundo da música nos próximos anos.

tUnE-yArDs

W H O K I L L (4AD)


O experimental e o pop se encontram em W H O K I L L, segundo trabalho da californiana Merrill Garbus à frente do excêntrico tUnE-yArDs. Menos caseiro e compacto que o primeiro registro da artista – BiRd-BrAiNs, lançado em 2006 – o álbum de 10 curtas faixas mistura uma soma assombrosa de instrumentos e acertos. Entre guitarras dançantes, trompetes, saxofones e uma percussão simplesmente instável, a musicista acaba desenvolvendo um álbum em que se torna impossível fugir das peculiares melodias que dele ecoam, transformando músicas como “Gangsta”, “Powa” e o single “Bizness” em canções bizarramente capazes de colar em nossos ouvidos. Sem dúvidas o trabalho mais inventivo do ano.

Kurt Ville

Smoke Ring For My Halo (Matador)


Um trabalho para ser apreciado do princípio ao fim sem cortes, assim é Smoke Ring For My Halo, quarto álbum da carreira de Kurt Vile e um projeto em que toda a intimidade do artista parece pouco a pouco revelada. Do romantismo doce de “Baby’s Arms” na abertura do álbum ao fecho do disco com “Ghost Town”, cada faixa do disco parece retratar a visão de Vile sobre o mundo que o cerca, se perdendo em doses moderadas de romantismo, melancolia, solidão e honestidade. Ainda mergulhado no rótulo de bedroom pop, porém, aportando em experiências puramente psicodélicas – algo facilmente observável pelas guitarras esvoaçantes do disco -, o músico alcança a maturidade sem abandonar as velhas experiências que o consagraram há alguns anos, quando seus primeiros trabalhos começaram a circular pela imprensa musical.

Pictureplane

Thee Physical (Lovepump United)


Quando surgiu há dois anos com o álbum Dark Rift, Travis Egedy o homem por trás do Pictureplane parecia ser apenas mais um produtor interessado nas experiências obscuras e sujas do witch house, feito que ele reconfigura por completo com a chegada de Thee Physical. Ainda marcado pelas mesmas experiências do anterior registro, porém, ressaltando toda uma soma de novas possibilidades instrumentais, Egedy se afunda de vez na eletrônica dos anos 90, cruzando doses de um electropop comercial típico do período, com beats vindos do hip-hop e toda uma aura obscura que o conecta diretamente aos primeiros trabalhos e composições de sua carreira. Permeado por grandes hits, o álbum parece se organizar em um ambiente totalmente próprio, como se o produtor fosse o único criador e usuário das mesmas referências musicais encontradas ao longo do disco.

Textos: Cleber Facchi