20 anos de uma revolução chamada Achtung Baby

Produzido por Daniel Lanois e Brian Eno, juntamente com Steve Lillywhite (antigo produtor do U2), Achtung Baby representa um dos momentos culturais mais significativos da década de 1990, fazendo com que a crítica especializada caísse de joelhos aos pés dos irlandeses. Ironicamente, a banda ganhou um Grammy na categoria “Melhor Performance de Rock por um Duo ou Grupo com Vocais”, mas o legado de Achtung Baby vai muito além do rock, pois o próprio Bono Vox descreveu aquele período como “quatro homens derrubando The Joshua Tree“, enquanto Jon Pareles (do New York Times) enfatizava que o disco era despojado e desafiava as velhas fórmulas do grupo, dando ao U2 uma chance de lutar por espaço na década de 1990. O sétimo álbum da banda gerou cinco importantes singles: “The Fly”, “Mysterious Ways”, “One”, “Even Better Than The Real Thing” e “Who’s Gonna Ride Your Wild Horses”.

No dia 3 de outubro de 1990, o U2 pegou o último vôo para Berlim Oriental, na véspera da reunificação alemã. A expectativa era a melhor possível, afinal, discos como The Idiot, de Iggy Pop, além de toda a “Trilogia Berlinense” de David Bowie foram feitos sob a atmosfera do Hansa Studio [foto] que, diga-se de passagem, é um ex-salão da SS.

A sonoridade moderna e revolucionária foi projetada pelo engenheiro de som Mark “Flood” Ellis. A bagagem musical dos irlandeses era muito variada e turbulenta. The Edge estava mergulhado no Rock Industrial de grupos como Einstürzende Neubauten, Nine Inch Nails, The Young Gods, KMFDM, entre outros. Já Larry Mullen Jr. estava focado no classic rock de Jimi Hendrix, Cream e Blind Faith. Essa combinação eclética (que estava mais para falta de direcionamento musical) quase resultou na implosão do grupo, que via um guitarrista altamente interessado em remixes e casas noturnas, achando a bateria convencional cada vez menos necessária. Eles acabaram voltando para Dublin naquele natal, onde discutiriam seu futuro juntos, como conjunto.

Em janeiro de 1991, o U2 retornou brevemente para Berlim para concluir o trabalho iniciado no Hansa Studio, mas acabou dando continuidade nas gravações em uma mansão alugada em Dalkey (a idéia de utilizar castelos e mansões partia sempre de Daniel Lanois, na tentativa de criar o clima perfeito para o trabalho). Durante essas sessões de Dublin, Brian Eno ouviu algumas fitas com o resultado do trabalho dos dois meses anteriores, que ele classificou como “desastre total”. A solução vista por Eno foi juntar a banda em estúdio e retirar o que ele pensava ser um uso excessivo de overdubbing. Pode parece loucura, mas os próprios caras da banda dizem que essa intervenção salvou o álbum.

Quando as faixas se deram por finalizadas, no mês de julho, Eno, Flood, Lanois e Lillywhite, levaram as fitas para o Windmill Lane Studios [foto], como o objetivo de concluir as mixagens necessárias.

Cada um criou sua própria mixagem, e coube aos integrantes do U2 escolher a versão preferencial ou solicitar quais aspectos de cada produção deveriam ser combinados. O resultado? Achtung Baby, lançado em 19 de novembro de 1991. Grandes discos surgem do caos.

  • claudio

    acho legal ese tipo de matéria,A HISTÓRIA MUSICAL FOI FEITA E AINDA ESTA FRESCA NA MINHA MEMORIA ! a banda começou a decada lançando albuns revolucionarios como boy,october e war.começou a trilhar o Mainstream com The Unforgettable Fire e concretizou essa vontade com o maravilhoso The Joshua Tree.outra banda apenas colheria os louros e continuaria lançando cópias do The Joshua Tree,mas o u2 não !!! mostraram que pra ficar na história uma banda de verdade as vezes precisa se reinventar 1,2 ou mais vezes e lançaram o pra mim classico Achtung Baby !

  • warlen leal

    Vivi o final de minha adolescência na época do lançamento do Achutung Baby. Fiquei esperando o vinil chegar às lojas para comprá-lo, mas antes vi o clipe de The Fly na MTV…. esperei. Não estava entendendo. Esperava o mesmo U2 que já ouvira antes. Felizmente, fiz mais audições e comecei a entender aquela nova caixa acústica de Larry, aguda e com mais suingue. The Edge, minimalista como sempre, porém com efeitos miticulosamente estudados por ele. Como sempre Adam discreto e preciso. Bono já não tinha o mesmo discurso. Aparecia com um cigarro na mão e falando coisas do tipo “Adam Clayton tem o menor p… do U2”, isso porque ele [Adam] aparece nu na contracapa do disco. Não estava acostumado com aquele U2 que vinha de um Rattle & Hum político e gospel, mas eles estavam mais rock and roll, ainda mais Bono usando aquela roupa na Zoo TV a la Elvis Presley voltando a televisão. Reinvensão total. Parabéns Ramone pelo seu texto!

  • Raí Freitas

    Curte bastante 😉

  • =) Obrigado, Warlen