Até ontem, 11/03/2008, não me considerava um fã assíduo de Interpol. Mas após a excepcional apresentação da banda em São Paulo, tive que rever os meus conceitos. O quarteto nova-iorquino maestrou um show adulto, mas ao mesmo tempo enérgico e obscuro. Se são chatos? Mau-humorados? Sérios demais? Pode até ser que sim. Mas convenhamos, eles têm toda a moral. E ainda por cima, já no encerramento, a frase dita por Paul com toda a sinceridade do mundo deixou claro que o Interpol é uma grande banda e com carisma sim! “You guys are fucking awesome, thank you very much”.
Cachorro Grande — 21:30. Em ponto. A banda de abertura entra, sem nem se apresentar, não que seja preciso. Eles foram curtos e grossos, os caras do Cachorro Grande. Afinal, houve um certo conflito entre a banda e o público, uma vez que ambos estavam ansiosos para ver a atração principal da noite. Clichês de mais, animação de menos, eles fizeram um show até que divertido, conseguiram chamar a atenção das pessoas e se retiraram após 30 minutos do início, aproximadamente.

A Entrada — 22:10. Sobe a cortina traseira do palco do Via Funchal, revelando os instrumentos já montados e as luzes de apoio já posicionadas. Apagam-se as luzes do ambiente e o público vai ao delírio. Em um telão enorme, é projetada um imagem, a foto que está na capa do ‘Our Love to Admire’. Mais gritos (inclusive os meus). Finalmente entram, nessa ordem: primeiro o baterista Sam Fogarino, depois o guitarrista Daniel Kessler, Paul Banks e por último o baixista Carlos D. Paul solta um tímido ‘oi’ em português e o show começa. E começa muito bem, diga-se de passagem, com “Pioneer to the Falls”.
E lá se vão, 90 minutos de repertório, passando por composições célebres como C’mere, No I in Threesome, Evil e NYC. Mas o ápice do show foi na transição das 2 últimas músicas. Após tocar a décima sétima música (Stella Was A Diver And She Was Always Down), já no encore, os 4 integrantes se juntaram no palco e iniciaram uma espécie de ‘jam session’ instrumental, que foi emendada na ótima PDA. Foi nesse momento que eu me dei conta, que show foda.
Tá, a qualidade de som não foi das melhores. Mas, quem se importa? O Interpol fez o seu papel com excelência. Nunca me esquecerei desse dia, do cigarro interminável de Carlos D., do sorriso de Paul beirando a simpatia e da sensação de poder cantar junto com mais de 5.000 pessoas músicas como Evil ou Slow Hands.
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Muito obrigado por existirem e por serem tão bons, Interpol.
Tracklist final:
1. Pioneer to the Falls
2. Obstacle 1
3. NARC
4. C’Mere
5. The Scale
6. Say Hello To The Angels
7. Mammoth
8. No I In Threesome
9. Hands Away
10. Slow Hands
11. Rest My Chemistry
12. The Lighthouse
13. Evil
14. The Heinrich Maneuver
15. Not Even Jail
16. NYC
17. Stella Was A Diver And She Was Always Down
18. PDA
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