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Jul 13 2008

The Very Sexuals – Post-Apocalyptic Love

Olha o MTJ! atendendo pedidos de seus leitores novamente! Desta vez, quem deu a sugestão foi um(a) certo(a) brilhoeterno, que pode atender pelo email nathpandelo@… Enfim. O(A) senhor(a) Pandelo nos indicou a seguinte banda: The Very Sexuals. Decidi checar para ver como é.

Os Muito Sexuais são na verdade formados por remanescentes de outra banda, The Sugarettes, que não vêm ao caso agora, e estão lançando seu primeiro disco (que contém apenas 8 faixas) de um modo diferente. Considerando o argumento de muitas pessoas sobre baixar músicas na internet, aquele que “querem ouvir antes para ver se vale a pena comprar o disco”, a banda lançou a seguinte estratégia: disponibilizou seu disco, o “Post-Apocalyptic Love” para download de graça em seu site oficial, junto com todos os contatos para a compra da versão física dele.

Gênero? Considere um indie pop psicodélico. Na primeira escutada já dá para perceber a semelhança de outras bandas como The Wannadies, o Somebody Still Loves You Boris Yeltsin, e, por quê não, Shout Out Louds. Incrivelmente, o vocal me lembrou um pouco o Andrew VanWyngarden do MGMT, pela atmosfera meio space rock de algumas músicas, que talvez justifique a capa que remete muito aos clichês de astronautas, mas na verdade eles vestem trajes de kart. E talvez sejam a única banda holandesa que eu conheça.

[PARE DE LER AGORA. BAIXE O DISCO E CONTINUE DAQUI]

Post Apocalyptic Love (2008)

1. WW III Rocksteer
2. Carla
3. Bowie Eyes
4. Anti-Valentine
5. Wrecked this Century
6. Billy Idol Look-alike Contest
7. Can You Promise Me The Sky Won’t Fall On Us
8. Finn

Certo, agora, com o Post Apocalyptic Love em mãos, pule as duas primeiras músicas e ouça Bowie Eyes inteira. É a melhor músicas das 8. Não pela qualidade em si, mas porque ela vicia e fica na cabeça, coma mesma intensidade de uma música do Klaxons, ou do The Teenagers. Ok, agora vá para a próxima, Anti-Valentine. O nome já dá a dica, Valentine, baladinha, pois é, uma baladinha anti-dia dos namorados. A pandeirola é cansativa, mas o surdo acompanhando não deixa a melodia morrer.

Agora volte e ouça as duas primeiras músicas. A primeira me lembra MUITO The Wannadies, e a segunda, Carla, se salva pelo vocal feminino, que parece, mas não é a Feist. Vá para Wrecked This Century. Bom, logo se vê que ela é de longe a mais animada de todas. O restante das músicas seguem sem grandes surpresas, uma mais viajada, outra mais calminha.

Ah, e parece que eles levam esse papo de amor pós-apocalíptico à sério. Em qualquer about us da banda, aparece o seguinte “poema”:

It’s 2008 and the apocalypse didn’t wait for you
It did not wait for you or for me, it waited for nobody
Only a few could escape the fire
And they don’t know why they were so lucky

Maybe it’s because they still had a message to convey
Maybe they are functioning as prey
Or maybe it’s because they are
So.Very.Sexual.

Traduzido seria mais ou menos assim:

É 2008 e o apocalipse não te esperou
Não esperou por você nem por mim, não esperou por ninguém
Só alguns conseguiram escapar do fogo
E não sabem como foram tão sortudos

Talvez porque eles ainda tinham uma mensagem para transmitir
Talvez estejam servindo de presas
Ou talvez porque eles são
Tão.Muito.Sexuais

O The Very Sexuals lança um debut relativamente sólido para um número baixo de faixas e não mostra grande surpresas na sonoridade. Mas considerando que é o primeiro trabalho da banda, acho mais que satisfatório e superior à muitas outras bandas que lançaram debuts péssimos e foram se superando com o tempo. Espero que com eles não ocorra o processo inverso.

Acesse: Site Oficial (pra o download do cd) | MySpace

Autor: Cédric Fanti

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Jul 13 2008

Entrevista: We Are The Physics

Por Neto

Antes de tudo, caso você ainda não conheça o We Are the Physics, clique aqui e escute as músicas no MySpace do quarteto. Demorou pra carregar? Então economize alguns minutos e assista ao clipe de You Can do Athletics, BTW que é, de longe, o meu preferido. Pin-ups, Glasgow, vilãs gigantes, inspiração em filmes cults e, é claro, físicos: Voltamos a nos ver assim que você conferir todos esses elementos no clipe abaixo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ClKYc3rQzms]

Eles são da Escócia e três dos quatro membros receberam o nome de Michael no berço – o que, por diversas vezes, faz com que o guitarrista Chris caia um pouco no esquecimento. As influências são incrivelmente variadas e vão do rock cinquentista de Elvis Presley ao post-punk revival do Futureheads – e dando uma passada por Devo, um alô pro Hives e pegando alguns toques de Art Brut, se formou um math rock não tão experimental que acaba se confundindo com um new wave com mais ruídos do que de costume.

O grupo se juntou há apenas três anos, em 2005, e mesmo recebendo pouquíssima atenção da imprensa britânica mantém a mesma formação – formação essa que já levou Michael’s e Chris ao palco com bandas de destaque como 30 Seconds To Mars e Art Brut (que passou de uma simples influência para colega de backstage).

De todas essas vitórias, duas definitivamente não podem me escapar: A primeira foi em 2007, em sua terra natal, quando foram convidados a tocar no gigante T In The Park – e lá, na tenda da NME, deram início à tarde que receberia, mais tarde, Kasabian, Gossip, Interpol e Maxïmo Park. A segunda experiência é bem mais recente, e acontece exatamente hoje (13): Voltando ao T In The Park, nesse ano o grupo toca com Black Kids e Ida Maria no Futures Stage – e o show promete.

Conversando comigo, os físicos mais legais que conheço falaram sobre T In The Park, novo disco, show no Brasil e muito mais – tudo no mais velho estilo Zé graça, com piadas e ironias que não chegam nem perto de ser tão irreverentes quando a própria banda.

Vamos começar com uma pergunta que deve ser muito comum a vocês: Quando escolheram o nome da banda houve alguma intenção de fazer algum tipo de paródia com a banda californiana We Are Scientists?

O QUE? Existe uma banda chamada We Are Scientists? Na verdade, você é a primeira pessoa a apontar a similaridade, para ser honesto, nós não notamos isso antes! Enquanto eles buscam o termo geral da ciência, estamos definindo detalhadamente a física, particularmente como a nossa área de conhecimento musical. O fato é que éramos chamados de We Are The Physics Club And Therefore Everything We Say Is Fact, mas reduzimos [o nome] para caber em todas as etiquetas… pegue essa, California!

Antes mesmo de lançar seu debut, a banda já havia tocado com alguns grandes grupos e em grandes festivais britânicos. Vocês acreditam que, em algum momento, a sorte falou mais alto do que o talento?

Eu não sei se foi sorte, acho que o caso é que somos uns bastardos muito persistentes. Definitivamente, não é talento. Basicamente, nós orquestramos uns gritos por meia hora.

Em outra entrevista, que foi feita antes do lançamento do We Are The Physics Are OK At Music, vocês disseram que “um dia fariam uma gravadora crer que vocês são uma banda de verdade e suas mães finalmente poderiam comprar seus discos na HMV” [uma grande rede de loja de discos no Reino Unido]. Vocês acham que esse dia finalmente chegou?

Chegou! Já podemos morrer confortavelmente porque nossas mães estão realmente disponíveis para comprar nosso álbum na HMV, o que é uma sensação meio estranha.

No ano passado vocês tocaram no T In The Park, e em 2008 vocês estão novamente no line-up do festival. É possível descrever a experiência de tocar num festival de tamanha importância?

É foda de matar! T in The Park é um daqueles festivais lendários, principalmente para os fãs de música escoceses. Nós crescemos indo ver diversas bandas nesse festival, e você nunca pensa que tocará lá em toda a sua vida. Então você toca lá e passa a ter algo legal para impressionar seus futuros colegas de escritório, quando se separar da sua banda e tiver que arrumar empregos de verdade. Tocar em festivais é sempre estranho. No ano passado fomos a primeira banda do NME Stage no domingo, então basicamente estávamos fazendo barulho nos ouvidos de um público com muita ressaca [já que domingo é o segundo dia de evento]. Não melhoramos muito desde então.

As opiniões dos jornalistas sobre seu debut são muito diferentes: Alguns dizem que ele é “o mais vagamente estranho possível” enquanto outros preferem dizer que ouvir ao seu CD é “meia hora de uma satisfação imensa”. Você poderia descrever Are OK At Music com suas próprias palavras?

Um [álbum] vagamente estranho de meia hora de satisfação! Tudo depende do que você procura em um álbum. Para nós, nosso álbum é o tipo de coisa que QUEREMOS ouvir, e se ele agradasse a todos não pareceria nosso porque, obviamente, nem todo mundo vai gostar de nós. Infelizmente nós não temos a qualidade inquestionável do Coldplay. Em nossas palavras – “é como ter o rosto atingido por um galho fora de controle”.

E como vocês lidam com resenhas tão negativas como aquela feita pela The Music Magazine?

É como se fosse um soco no queixo! Resenhas negativas são coisas que nós sempre tivemos e sempre teremos, seria bem assustador se não tivéssemos nenhuma depois de tanto tempo. Nós não podemos argumentar contra a maioria das opiniões negativas porque elas são exatas – a diferença é que as coisas que elas dizem ser negativas parecem ser positivas para nós. Repito, tudo depende do que você procura em um álbum.

Quando começamos, botamos o link para uma resenha positiva e outra negativa em nosso MySpace, para que todos pudessem ler as duas. As pessoas podem formar sua própria opinião, se gostam ou não. Se os pontos negativas são legítimos, então o gosto do leitor deve determinar se ele quer escutar nossa música. Eu ficaria desapontado se não houvessem opiniões negativas! Entretanto, eu provavelmente teria mais dinheiro.

Uma curiosidade pessoal: De onde vocês tiraram a surpreendente idéia de usar uma vilã gigante de pin-up no clipe de You Can do Athetlics, BTW?

Essa foi uma idéia que tivemos com o diretor Colin Kennedy, como um tipo de homenagem a filmes como 15 Metros de Mulher [Attack Of The 50ft Woman, em inglês] e ao diretor Russ Meyer. Nós queríamos que ela pisasse em pontos notáveis de Glasgow, mas infelizmente não podemos usar as padarias do Greggs [a maior rede de lojas especializadas em padaria do Reino Unido]. A mulher gigante foi uma mulher de verdade – mas ela não era gigante. Esses são só os efeitos especiais.

Agora, a última pergunta e a mais esperada pelos fãs brasileiros: Existe alguma proposta de vir ao Brasil sendo estudada no momento ou algo assim?

Nós desejamos que sim. Assim que alguém nos convidar para tocar no Brasil, nós estaremos ai em uma batida de coração. Infelizmente, nosso disco foi lançado apenas no Reino Unido por enquanto, então teriamos que tentar convencer as pessoas de outros paises de que somos uma banda de verdade e – com sorte – ELES lançaram nosso álbum! Esse é o primeiro passo…

Acesse: MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Alex Correa

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