Arquivo para July 19th, 2008

Jul 19 2008

CSS – Donkey

Por Neto

O último álbum do Cansei de Ser Sexy ainda nem chegou às lojas, mas já deu (e está dando) o que falar. É claro que tenho que concordar com todo aquele papo do abandono do experimentalismo (que levou o grupo às capas das mais famosas revistas de música do Reino Unido e aos mais ilustres festivais britânicos em pouquíssimos meses) por Lovefoxxx, Adriano e pelos outros membros que estão cansados de serem sexy no Donkey, mas discordo quando afirmam que isso seja ruim, de alguma forma.

Como um grupo mais organizado (e cada vez mais britânico), o Cansei se saiu razoavelmente bem e, mesmo quase esquecendo de seu país nativo, segue no topo da [minha] lista de bandas brasileiras.

Quanto mais escuto às novas composições do CSS, mais me apaixono por elas. E, depois de ouvi-las meia dúzia de vezes, passei a valorizar certas faixas que ainda não haviam chamado a minha atenção. Believe Achieve, por exemplo, passou despercebida nas minhas primeiras ouvidas e, depois de certo tempo, comecei a identificar alguns elementos do antigo CSS nela. Gostei. Give Up é mais uma dessas, é até hoje tenho certa dificuldade em associar ela ao seu nome. Nela, os backing vocals de Adriano tiveram uma química semi-divina com a doce voz de Lovefoxxx (que consegue ser bem mais selvagem quando quer) nos refrões, que são tão cativantes quanto os da faixa de abertura, Jager Yoga. A propósito, de um modo geral, faixas costumam ser boas, mas Jager é fora de série.

Rat Is Dead (Rage) foi a primeira música que chegou à maioria de nós, já que foi disponibilizada oficialmente para download no site da banda. Assim que fiquei sabendo dessa história fui correndo no CSS Hurts e viciei poucas horas depois – mesmo sendo mais pop do que de costume. O curioso é que ela soou muito mais CSS quando ouvi Left Behind, que parece ter exagerado nas influências de pop music.

Let’s Reggae All Night, diferentemente das citadas no início desse post, ganhou minha atenção logo em seus primeiros segundos, antes mesmo da raposa do amorrr entrar com sua voz, já que seu baixo tem uma presença mais forte (assim como acontece no reggae) e, como um todo, é bem menos apressada do que sua antecessora, (Rage).

Beautiful Song tem uma melodia que parece ter sido feita no auge de uma paixão (Lovefoxxx e Simon?), embora seja cantada de forma ligeira. A voz de Adriano, que aparece mais uma vez no final dessa música, marcou uma presença vocal masculina mais ativa do que no álbum de estréia do Cansei, aquele homônimo.

Na sequência vem How I Became Paranoid, uma música que é especialmente interessante por seu instrumental cativante nos primeiros segundos, que parecem convidá-lo para um ambiente mais wild. Minha expectativa por um pouco de selvageria, como já podia-se prever, foi quebrada – mas não declarei total perda para a música que se revelou uma espécie de Left Behind menos pop e, amo mesmo tempo, algum tipo de Move (uma outra brilhante canção do Donkey) menos moving. Depois de escutar ao CD, repare bem: How I Became Paranoid, Move e I Fly (que também é ótima) modelam uma curta (mas agradável) sequência que começa super pra cima e vai ficando cada vez mais dançante, ao passar dos minutos. Uma combinação perfeita.

Com 11 faixas, Donkey é finalizado com Air Ponter que, mesmo não sendo tão boa quanto Rat Is Dead, I Fly ou Move, faz seu trabalho muito bem.

Ouça o disco completo no MySpace da banda

Autor: Alex Correa

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Jul 19 2008

Razões para baixar The Dodos – Visiter

Esqueça Mallu Magalhães, Stephanie Toth e Vanguart. The Dodos veio provar que aquilo que não é hypado pode ser melhor em todos os sentidos (não provoquemos discussões sobre a qualidade dos artistas citados acima ok?), e que essa onda folk-wannabe já deu o que tinha que ter dado. Inicialmente conhecida por Dodo Bird , a banda lançou-se no cenário musical em 2005, quando ainda consistia apenas em um projeto solo de Meric Long. Foi neste mesmo ano que ele lançou um EP homônimo. Logo, Meric conheceu Logan Kroeber, que passaria a ser seu parceiro de The Dodos, nome que foi adotado no começo da união. Ano passado, a dupla natural de São Francisco, Califórnia, assinou contrato com a Frenchkiss Records e este ano lançou seu segundo disco, sucessor de Beware of the Maniacs que foi batizado de Visiter.

É, Visiter, com “e”. Gramaticalmente falando, essa palavra não existe na língua inglesa, o certo seria Visitor, com “o”. O que aconteceu foi que os Dodos resolveram fazer um micro show em uma escola, para várias crianças e elas deram à eles vários desenhos de presente. Um deles chamou a atenção deles pela grafia errada, e talvez pela ingenuidade da criança, então o nome do disco foi adotado daí. Entrevistados pela L.A. Record, eles disseram que eles usaram todos os desenhos no encarte de Visiter.

Atualmente, o termo neo-folk tem sido distorcido e muita coisa ruim provavelmente chegou aos seus ouvidos. Baixe Visiter e seja inserido neste gênero pelas seguintes razões:

As influências fortes de Elliott Smith, Nick Drake e Iron & Wine, nomes obrigatórios para o verdadeiro apreciador do folk alternativo por serem percursores do movimento, cada um em sua geração. Red and Purple, The Season, Walking e God? são as melhores músicas. Os temas aboradados pelo The Dodos em suas letras vão desde mais simples como reflexões sobre o passado à mais complexos como o questionamento da existência de Deus.

Na presença do bucolismo americano, usa-se o banjo e levadas country nas horas certas, sem exageros, e a percussão quase africana de Logan dá um diferencial enorme. Ao contrário de diversas bandas do mesmo estilo, as músicas não se tornam repetitivas, muito menos cansativas, suas letras são fáceis e bastante sing-along.

O vocal de Meric é evidentemente pop. As frases são pausadas, a dicção é clara, e consegue combinar em um estilo diferente. Em Walking, a primeira faixa, essa característica é bem evidente, aliás é lindo o modo como ela se junta com Red and Purple formando uma mistura bem homogênea das duas músicas. Elas se completam.

Fazendo jus à contemporâneos como Animal Collective (que não acho sonoricamente parecido, mas faz um som tão bom e tão misturado quanto), o The Dodos traz em 2008 um forte candidato para integrar a lista dos melhores discos. Baixe. Espero que goste tanto quanto eu gostei.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=RuXbHQko3_Q]

The Dodos – Visiter (2008)

01. Walking
02. Red And Purple
03. Eyelids
04. Fools
05. Joe’s Waltz
06. Winter
07. It’s That Time Again
08. Paint The Rust
09. Park Song
10. Jody
11. Ashley
12. The Season
13. Undeclared
14. God?

Acesse: Site Oficial | MySpace

Autor: Cédric Fanti

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