Embora ache que seria educado me apresentar antes de jogar a minha primeira coluna na cara de vocês, vamos deixar a coisa anônima por enquanto (‘por enquanto’ é até o fim do texto, ok?), para que vocês não sejam influenciados por nenhuma pré-concepção.
Contudo, seria muita falta de educação não explicar a que vim antes de começar: toda semana, aqui no Move That Jukebox!, vou falar das coisas que estou ouvindo (e de algumas que não estou também), indicar coisas novas (e velhas também, se elas forem do tipo que valem a pena endossar) e falar de música. Boa. E ruim também, se isso for provocar risadas.
Vamos aos nomes interessantes dessa semana, de 18 a 22 de agosto:
Laura Marling: nem todo mundo teve o prazer de ser arrebatado pelas canções de Laura, que é inglesa e acabou de fazer 18 anos, mas cuja voz (e algumas letras) rivalizam com Cat Power. Conheci a Laura com as participações que ela fez nos segundos discos dos Rakes e dos Mystery Jets. Ela é conhecida (dizem) no circuito descolado de Londres, e teve até um episódio ‘à là Mallu Magalhães’ em que ela não pôde entrar na casa onde iria tocar por causa da idade e teve que fazer o show do lado de fora. Parece que quem esteve lá não ficou menos satisfeito.

O primeiro disco da Laura, lançado há pouquinho, chama-se ‘Alas I cannot swim’ e é feito inteirinho de melodias apaixonantes e letras surpreendentemente maduras para alguém de 18 anos, todas compostas por ela. Se eu pudesse recomendar só duas (e isso é uma tortura), diria para ouvirem ‘Cross your fingers’, ‘Ghosts’ e ‘My manic and I’, mas ela sem dúvida vale o disco inteiro. Mal, sou péssima em matemática.
Figurines: eu tenho uma queda por timbres de guitarra ‘beatlescos’ executados por indivíduos originados dos países baixos. Eu explico: é que, quando ouço esse tipo de música, acabo me transportando pra extensos e belos campos prados nórdicos, e me vejo cantando belas canções em idiomas que usam trema na letra ‘o’ (assim: ö).

O Figurines é um desses grupos que me deixam com essa agradável sensação. Dinamarqueses, lançaram seu primeiro disco em 2001, mas meus preferidos são ‘Skeleton’, de 2005 e ‘When the deer wore blue’, de 2007, o último mais pretensioso (além de mais psicodélico) do que o anterior. Ouça (mesmo): ‘Drunkard’s Dream’, ‘Half aware, half awake’, ‘The wonder’, ‘Ambush’, ‘I remember’ e ‘Fiery affair’. Aqui tem outras.
Lestics: venho ouvindo Lestics não essa semana, mas o ano inteiro. E eles são a indicação mais legal dessa semana…
1) …porque cantam em português;
2) …porque a banda é independente e você pode baixar os dois discos inteiros de graça aqui: www.lestics.com.br
3) …porque composições em português raramente são boas, mas isso não se aplica ao caso deles.

A história do Lestics, com detalhes, você lê aqui. Mas te adianto o que você realmente precisa saber: cotidiano, psicodelia, metalinguagem e um gênero que passeia com muita, muita intimidade entre o pop, o rock e o folk e que eu não sei classificar (adoro esses chavões de critica musical, ‘passeia com intimidade entre gêneros’). Todas as músicas são lindas, inspiradas e soam melhores porque são claramente destituídas de qualquer grande pretensão. Tem uma palavra que eu gosto de usar para classificar a música que o Lestics faz: ‘confortável’.
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Se você tiver algo realmente legal e gostaria que eu ouvisse, faça um favor a todos e mande a indicação por e-mail para anabsf [arroba] gmail [ponto] com.
Depois da música, que é o mais importante, me apresento. Sou conhecida pela alcunha sonora de Ana Freitas, mas meu nome mesmo tem mais 4 palavras, além destas. Tenho 20 anos, sou estudante de jornalismo, trabalho (muito) num grande portal de notícias e sou a feliz editora do Olhômetro, um blog no qual eu falo de cultura pop e cotidiano: www.olhometro.com