35 anos de Anarchy In The UK, do Sex Pistols

O primeiro single do Sex Pistols completa 35 anos de lançamento neste sábado, 26 de novembro. Mas o que “Anarchy In The UK” tem de importante para a história da cultura pop? Ok, pelo menos musicalmente, não muita coisa (até porque bandas como The Stooges, MC5, New York Dolls e Ramones são consideradas as grandes pioneiras do punk rock que conhecemos hoje). Culturalmente falando, a música do Sex Pistols causou uma grande agitação na Inglaterra, com sua letra incitando a violência contra o governo.

Embora tenha feito parte das mais variadas coletâneas ao longo do tempo, “Anarchy In The UK” saiu apenas no álbum Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols, lançado quase um ano depois do lançamento do single (que também foi o único trabalho do grupo com a pela EMI, que os demitiu após o famoso Bill Grundy Incident [assista abaixo]). O motivo da demora do lançamento do disco, obviamente, foi o medo que as gravadoras tinham em distribuir a música do Sex Pistols.

Contratados pela Virgin, o grupo ainda enfrentava dificuldades na divulgação de “Anarchy In The UK”, pois as rádios se recusavam a executar o single, enquanto as lojas de discos boicotavam tudo o que tivesse a ver com o Sex Pistols. Um dos golpes publicitários mais ousados até então foi promovido pelas águas do Rio Tâmisa, quando a banda utilizou um barco chamado de Rainha Elizabeth II para tocar sua música nas proximidades do Parlamento Britânico. Tanto os executivos da gravadora como os músicos foram presos.

Uma das linhas mais incompreendidas da música (que muitos britânicos não entendem até hoje) é “I use the enemy” (na realidade, trata-se de um jogo de palavras de Johnny Rotten, que sempre foi famoso por manipular muito bem a mídia). O “Enemy” da frase é uma referência à revista NME que mordeu a isca e condenou a canção (“Johnny Rotten sings flat, the song is laughably naïve, and the overall feeling is of a third-rate Who imitation”).

No final das contas, foi umas manobras mais inteligentes de Malcom McLaren (empresário dos Pistols), que considerava “Anarchy In The UK” como “um chamada para os jovens que acreditam que o rock and roll foi tirado deles. Uma declaração de autonomia, de independência definitiva”. Em 2007, Steve Jones, Paul Cook e Johhny Rotten se reuniram para fazer uma nova versão do clássico, especialmente para o jogo Guitar Hero III: Legends of Rock. As masters originais seriam utilizadas no game, mas acabram não sendo encontradas, então o jeito foi chamar os velhinhos para tocarem tudo de novo. O resultado pode ser ouvido logo abaixo.

  • AMO! Muito + do que Ramones, se vc quer saber!!
    Uma vez passou um show na HBO e na platéia haviam jovens, velhos, desdentados; enfim, a classe operária de Londres – fãs de verdade! Cara, como eu queria estar la!!!