5 obras e artistas que influenciaram o novo disco de Jair Naves

Um dos mais belos álbuns brasileiros do ano não poderia deixar de bater ponto aqui na coluna sobre influências de lançamentos nacionais. Dessa vez, os holofotes se voltam para o grande Jair Naves e suas referências na criação de Trovões A Me Atingir, trabalho desses que são redescobertos a cada nova audição, pescando detalhes inéditos, sonoridades e intenções. Falamos um pouco mais sobre o LP por aqui.

Abaixo, você encontra 5 influências que pavimentaram a construção do álbum de Jair Naves – que, apesar de ter saído em fevereiro, ainda ecoa com força e se firma como um dos principais registros de 2015 no país.

 

Morte em Veneza

A adaptação cinematográfica de Luchino Visconti para o livro homônimo do Thomas Mann me deixou profundamente impressionado quando a vi pela primeira vez, há muitos anos. Escrevendo as músicas de Trovões a Me Atingir, volta e meia eu me pegava pensando na saga do protagonista, que se vê condenado às duras consequências de uma atração arrebatadora por um garoto. Poucas histórias captam tão bem os efeitos catastróficos de uma paixão tão intensa e perigosa. Como em algumas das novas canções eu tentei abordar o arrebatamento irracional causado por esse tipo de sentimento, Morte em Veneza acabou sendo uma referência constante no processo de composição desse material.

 

Kate Bush

Difícil descrever a minha admiração pela Kate Bush em poucas palavras. Uma das artistas mais completas, desafiadoras e verdadeiramente à frente do seu tempo de que eu tenho conhecimento. Hounds of Love, The Kick Inside e 50 Words for Snow são álbuns a que eu sempre recorro quando busco novos horizontes musicais, que me inspiram a buscar as saídas menos convencionais para minhas composições, que me encorajam a sair da minha zona de conforto enquanto compositor. No caso de Trovões, um álbum que trata o amor como eu fenômeno universal, uma espécie de força da natureza, encontrei um referencial fora de série nas passionais letras da Kate Bush e nas diferentes abordagens que ela dá para suas ideias. Um talento único.

 

Walter Franco

A descoberta do Revolver foi um divisor de águas na minha formação musical. Abriu um enorme leque de possibilidades na minha mente, tanto no que diz respeito aos diferentes caminhos possíveis dentro uma mesma canção quanto à escrita de letras de música em língua portuguesa em termos de métrica e divisão silábica. Para mim, um dos mais brilhantes discos da história da música brasileira, no mesmo patamar de clássicos como Transa, Construção ou do álbum de estreia dos Secos e Molhados.

 

Violette

Outra influência vinda do cinema, Violette conta a história da brilhante escritora Violette Leduc. Descoberta pela Simone de Beauvoir, Violette envolve-se em uma intensa relação com sua madrinha no mundo literário, iniciando uma paixão unilateral, que nunca chega a ser correspondida. Ainda mais interessante que a trama são os trechos citados dos textos de Leduc. Tive contato com o filme durante o período de gravação do disco, e lembro de ter pensado que gostaria que as letras das músicas novas tivessem o mesmo grau de intensidade, de entrega. Infelizmente, toda a bibliografia de Violette Leduc parece estar fora de catálogo nas edições em inglês e português. Continuo à procura.

 

The Replacements

Paul Westerberg, o genial e subestimado líder dos Replacements, certa vez justificou um discutível erro gramatical no título de “Unsatisfied” dizendo que não iria abrir mão de uma palavra tão sonora pelo simples fato de ela não parecer correta para certos ouvidos. Entre todos os muitos fatos que tornam essa banda tão importante para mim, destaco esse como uma das principais influências no que diz respeito ao meu disco novo. Esse é meu conjunto de canções mais metafóricas, em que mais aparece um desapego às regras e convenções e o uso quase inconsciente das palavras, como frases musicais, paisagens oníricas ou coisa do gênero.

1 Comentário para "5 obras e artistas que influenciaram o novo disco de Jair Naves"

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