5 artistas que influenciaram o primeiro álbum solo de Felipe S.

Na cabeça de Felipe tem rock, lambada e até reggae. Foto: Luan Cardoso

O vocalista do Mombojó, Felipe S, soltou no final de janeiro seu primeiro disco solo, Cabeça de Felipe, que sai pela Joia Moderna, o título já deixa bem claro o que você vai encontrar por lá, né? Uma miscelênia de estilos musicais que tocam o artista, ele vai da a lambada lenta de “Departamento do Amor” (Felipe, Tibério Azul, Rodrigo Samico e Vitor Araújo) e o samba de “Santo Forte” (Felipe, Samico e China) até o reggae nyahbinghi de “Calçada Proibida” (Felipe e Tibério) e o afoxé de “Anedota Yanomami” (Felipe), canção que abre o disco, com participação de Sofia Freire.

São dez canções, das quais apenas uma não é autoral, mas uma regravação de “Vão” (Juliano Holanda) e para dar ainda um clima mais “felipano”, as músicas foram todas gravadas na casa do próprio Felipe. Ele ainda tem parceria com a mulher, Ana Maria Maia e inspirou-se no pai, que também é artista plástico, e imprimiu na capa de seu álbum um quadro de Maurício Silva.

E por conta disso, resolvemos convidar o Felipe para nos contar um pouquinho mais deste disco e ele topou. O resultado está logo abaixo. Divirta-se!

Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo

Pra mim uma obra maravilhosa. Que me fez afirmar os tempos difíceis com muita beleza. Gerou uma sensação em mim de que precisava deixar bem claro minhas opiniões. No meu show solo eu estou tocando a música “Solto”, parceria de Clima com Marcelo Cabral. Nem preciso dizer que é a minha favorita do disco.

Domenico Lancelloti – Cine Privê


Domenico é um dos artistas que mais admiro na atual música brasileira. Tive o prazer de conhecer ele dentro de um projeto de duetos no qual fizemos shows juntos em São Paulo e Brasília. Ele foi o primeiro músico aqui no Brasil que vi usar uma MPC (um sampler), que é um instrumento que sou fascinado. Domenico fez parte do +2 junto com Kassin e Moreno Veloso. Ouvi muito todos os discos da série. “Cinê Privê” é minha música favorita no repertório do Domenico.

Otto – Agora Sim


Essa música foi muito marcante pra mim. Ela está no que pra mim é o melhor disco que Otto já fez – Ontem Acordei de Sonhos Intranquilos. Tem uma junção muito bela de instrumentos percussivos com elementos sinfônicos. Acho uma obra prima. Otto foi um cara que recentemente me incentivou muito a fazer um disco sozinho. Ele tem uma história muito bonita. Já tocou na Nação Zumbi e no Mundo Livre. Tem um carisma espontâneo gigante. Acho que ele é um dos fundamentais da atual leva de músicos pernambucanos.

Tincoãs – Tincoãs


Quem me apresentou esse grupo foi Zé Manoel, que é cantor e compositor pernambucano de Petrolina. Tenho muito admiração pelo Zé. Mais ainda depois que ele me mostrou esse conjunto vocal e percussivo de Cachoeira, na Bahia. Uma cidade que estive recentemente e é encantadora. Fica no Recôncavo Baiano. A música desse grupo é algo muito vanguardista e espontâneo, na minha opinião. Eles construíram algo novo usando duas coisas muito comuns na época: grupos vocais e grupos percussivos. Mas soa como algo muito original até hoje, décadas depois do seu lançamento.

Negro Léo – Água Batizada


Esse é disco que mais tenho ouvido nos últimos tempos. Eu já me interessava muito pelo Negro Léo como músico. Ele vinha de uma cena do Rio de Janeiro que realiza muitas coisas na Audio Rebel, que tem relação direta com o festival Novas Frequências e que tem uma ótima repercussão internacional. Mas esse disco me viciou em outro nível. Creio eu porque é um disco de canções, algo que eu tenho profunda admiração, e não a toa é a coisa que mais gosto de fazer. É um trabalho que traz um frescor por não ter uma sonoridade não muito definida e como se exigisse mais concentração dos nossos, ao mesmo tempo que dentro das várias nuances, as melodias vão colando no nosso cérebro e não saem mais. Acho que recomendar algo às vezes é muito pretensioso, mas posso dizer que é o álbum que mais tenho ouvido nos últimos tempos mesmo.