5 artistas que influenciaram o segundo disco de Minimalista, “Banzo”

Minimalista. Fotos Athos Souza

Minimalista é a alcunha do jovem instrumentista , compositor e cantor Thales Silva. O mineiro lançou em março seu segundo disco Banzo. Um belíssimo álbum, que inclusive tem uma versão física muito bonita (vá para o streaming, mas compre, pois o projeto gráfico é muito bonito!). Numa mistura de samba, com MPB, em músicas por oras arrastadas, oras suingadas, tudo eletrônico, Minimalista contou com a produção de Leonardo Marques para fazer Banzo e mais as participações de Teago Oliveira do Maglore e Gui Amabis.

Para o Move That Jukebox, ele topou falar para gente quais foram os artistas que influenciaram o segundo disco do mineiro.

1. Jorge Mautner

Ele tem sido uma grande referência nos últimos anos, sobretudo na forma livre com que aborda sexualidade e sensualidade. As músicas são lascivas, intensas e tratam dos sentimentos mais profundos e pessoais, sem o medo da exposição. O tenho como um horizonte, nesse meu álbum mais que nunca. Acho que o encontro dele com o Caetano, seja no disco que fizeram juntos ou nas parcerias esporádicas, algo ímpar, muito especial. Olho pra escrita dele com carinho e atenção de estudante.

2. Xangai

Conheci o trabalho de fato no fim de 2015. Me apaixonei. É um contador de histórias e intérprete único. Apesar de muitas das músicas serem muitas de outros autores, ganham a força e o peso devido na voz dele. No fim de 2015, quando o assisti ao vivo na Mostra Cantautores, de BH, na qual também toquei, foi uma experiência intensa. Fazia tempo que não me arrepiava e chorava com um show. Também me liguei muito no lirismo do repertório e no uso cuidadoso das palavras, na entrega ao amor intenso, à paixão furiosa e a erupção dos sentimentos intocados. Essa canção em especial tem muito a ver com a finalização das letras do Banzo. Pretendo inclusive usá-la no repertório do show. Só preciso pensar com mais calma. Sem contar que a música dele parece fazer a ligação de Minas com Bahia e o restante do Nordeste, via São Francisco.

3. Ava Rocha e Ana Lomelino

Acho que foram os discos novos que mais ouvi nesses últimos dois anos. Também me ligo muito no modo como escrevem e escolhem os seus repertórios. Sinto verdade, entrega e intensidade. Trazem consigo histórias, amores e neuroses de uma forma que surpreende, inspira e me toma a atenção. Além disso a sonoridade dos discos dessas moças é a tradução absoluta do que é a MPB seguindo em frente. Gosto da leveza e da experimentação, do resultado dos timbres, da loucura nas guitarras e sintetizadores. Em grande medida trouxemos isso pro Banzo também.

4. Caetano Veloso

É clichê dizer que um artista novo da MPB tem influência do Caetano, mas não tenho mais medo do clichê. A obra dele sempre orbita minhas ideias. Caetano, pelo que fez e faz, é do tamanho de um Beatle. O ponto altíssimo dele, pra mim, é como ele consegue colocar sua visão de mundo, seus valores, nas letras que escreve e na música que compõe. Ora canção, ora música pop, tudo sempre numa medida muito precisa. A naturalidade com que trata de tudo é algo a ser olhado com muito mais atenção do que o normal. É influência sobretudo no meu canto. Essa letra e essa voz. Caetano é um horizonte, com certeza. Acho que “Boca Vermelha” deva ser a canção que deixa esse lado mais claro.

5. Bon Iver

Justin Vernon e sua trupe são as figuras mais interessantes da música americana, na minha visão. Acho tudo no lugar. Acho as letras especialmente ricas, sobretudo pra uma banda que escava os rios da cultura pop americana e mundial. Acho muito interessante que sejam artistas folk olhando pra frente, também. Isso me faz pensar bastante no nosso modo de fazer música aqui no Brasil. É inspirador, é farol pras escolhas que tomo, ter o fundamento dos grandes e mais tradicionais criadores da nossa MPB, mas conseguir traduzir o mundo atual, experimentar novas linguagens, novas formas. Essa emoção e grandiosidade deles, sabe? A canção “O peso”, por exemplo. É absolutamente MPB, mas tem muita dessa grandiosidade que o Bon Iver parece sempre buscar.

Escute Banzo: