5 influências do segundo disco do Carne Doce, “Princesa”

Carne Doce - Cada do Mancha - movethatjukebox

Salma Jô, vocalista do Carne Doce, em destaque. Foi ela quem compôs todas as canções do novo disco> Foto: Divulgação/Facebook

Em meio a tantos lançamentos, O Terno, Inky e o Carne Doce escolheram a mesmíssima semana para lançar seus novos discos. Já falamos de Melhor do que parece e entrevistamos a Inky sobre o Animania. Faltava falar com esta outra grande banda do cenário independente sobre o novo álbum, Princesa e os convidamos para participar da nossa coluna “5 Influências”, onde a banda conta quais foram os artistas que influenciaram para a feitura do novo álbum. Tá bem?! Então, tá bem!

Com produção de João Victor Santana Campos, o disco foi gravado no Red Bull Studios aqui em São Paulo, não obstante, mesmo lugar de onde saiu o disco da Inky, esse povo da Red Bull é bem esperto não? Eles também contam com a participação especial de Guilherme Kastrup, que gravou percussão em três faixas.

O disco chamou atenção logo no começo, quando saíram os singles “Artemísia” e “Amiga”, o primeiro vem de uma experiência muito pessoal e difícil de se tomar, a de abortar um filho, que Salma Jô, vocalista da banda teve que tomar há quatro anos. Em entrevista a TPM, ela explica que o Carne Doce estava prestes a lançar o primeiro EP. “Pensava na mesquinhez que era concorrer um filho com um plano amador de carreira artística”, disse.

Detalhe, todas as onze faixas são de autoria da artista. Completam o time Carne Doce, Macloys Aquino (guitarra), João Victor (guitarrista), Aderson Maia (baixista) e Ricardo Machado (baterista).

No dia 18 (domingo), o Mirante 9 de Julho também recebe o Samsung Conecta SP_Urban, com a Carne Doce apresentando pela primeira vez o Princesa. A apresentação é acompanhada pelo VJ Spetto, fundador do United VJ’s. É grátis!

Confira o que cada integrante escolheu:

tUnE–yArDs – “Real Live Flesh”

João Victor (guitarrista e produtor do disco)

A tUnE–yArDs foi uma das bandas que eu mais escutei durante o processo de produção do disco, acho muito interessante como a parte instrumental é construída e como ela dialoga com a voz, que é a grande guia em tudo. É uma banda em que grande parte das músicas não possue guitarras e tem exageradas camadas vocais, o que não é o caso da Carne Doce, que sempre tem guitarras e não tem inúmeras vozes cantando junto como em um coral, mas achei que poderia me inspirar ali e mesclar isso com mais guitarras e outras influências da banda. Logo quando algumas ideias de canções foram apresentadas, achei interessante aplicar uma dose da proposta da tUnE–yArDs pra elas. Baterias mais secas, loops, arranjos minimalistas e um grande espaço para voz passear, isso mais especificamente em alguns momentos do que em uma música inteira, porque a Carne Doce tem um ar mais explosivo e um jeito mais tradicional de tocar. Quis experimentar esse diálogo em algumas músicas, que fica mais evidente em “Cetapensâno” e “Falo”.

Caetano Veloso – “Gente”

Aderson Maia (baixista)

“Gente”, do Caetano Veloso (Bicho – 1977), é uma aula de baixo, tanto na sonoridade quanto na execução. Todo o Bicho é uma obra prima. Uma mistura de ritmos, instrumentos acústicos, baixos funk, guitarras, percussão, cordas. Caetano gravou esse disco pouco depois de ter participado do Festival Negro de Cultura e Arte, em Lagos, Nigéria, daí toda potência e profundidade rítmico-orgânica do disco. Uma pedra fundamental em nossa cultura.

David Bowie – “Sue”


Ricardo Machado (baterista)

Imagine que você é um baterista tocando em um bar e vê David Bowie na plateia e algum tempo depois recebe um e-mail dele te convidando pra gravar um disco. Foi isso que aconteceu com um dos meus bateristas preferidos, Mark Guiliana, e o trabalho dele no Blackstar é simplesmente incrível.

Hiatus Kaiyote – “The Lung”

Macloys (guitarrista)

Eu ouvi tanto “The Lung”, da Hiatus Kaiyote. Repetidas vezes no início desse ano, viajei nessas guitarrinhas, nesses vocais doces, porém quebrados. Essa bateria até agonizante às vezes, os sintetizadores, que eu tive vontade de ser músico como os caras que tocam nessa banda. Eu queria ter participado dessa composição e dessa produção.

St. Vincent – “Birth in Reverse”

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Salma Jô (vocalista)

“Oh what an ordinary day, take out the garbage, masturbate” é um dos meus começos favoritos de letra. A nossa “Açaí” tem até um quê disso. O último disco nem bateu assim como os outros, mas a dedicação nas letras e na interpretação em estar na fronteira entre o pop e o esquisito, entre o universal e o rebelde, e de se reinventar, e de ser uma performer explosiva… Ela é uma das minhas artistas favoritas.

Escute “Princesa” no Spotify:

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