#MovenoLolla: 5 perguntas para… Dingo Bells

Fotografia por Rodrigo Marroni

O Lollapalooza 2016 está chegando e com ele uma boa leva de bons shows nacionais que dividirão as atenções com as atrações gringas. Um dos nossos favoritos e mais esperados, conforme indica nossa precisa lista de “imperdíveis”, é o Dingo Bells, banda gaúcha que tem apresentado ótimos shows ultimamente na turnê do seu álbum de estreia Maravilhas da Vida Moderna, com certeza um dos destaques do ano passado. Batemos uma papo com Felipe Kautz, baixista do trio, que nos contou de suas expectativas e também falou um pouco da produção do primeiro disco e de como funciona o Dingo Bells. Se liga:

Recentemente a Dingo Bells foi uma das atrações do festival Planeta Atlântida, um grande evento, porém com um foco diferente do Lollapalooza, onde irão tocar em breve. Como foi a experiência no festival sulista e qual a maior diferença na expectativa de vocês para o Lollapalooza?

Tocar no Planeta foi uma experiência bem enriquecedora: foi o primeiro festival de grandes proporções que nós participamos como banda e o nosso show teve uma resposta de público muito interessante. É um evento que existe há 20 anos, ou seja, desde pequenos nós acompanhamos a divulgação na imprensa, é algo muito tradicional e mainstream, no Sul. O Lolla é um festival alternativo de proporções internacionais que, embora esteja nas primeiras edições brasileiras, já existe e é consagrado há muito tempo, no mundo todo. Nossa expectativa é fazer a melhor performance possível para o nosso público, que anda super animado com o festival, mas também ter contato com o pessoal de todo o Brasil que vai de peito aberto ao Lolla para conhecer bandas novas. Para nós é uma grande honra estar entre as poucas atrações brasileiras dessa edição, então, vamos com tudo para fazer um show memorável.

Maravilhas da Vida Moderna esteve presente na maioria das listas de melhores discos do ano passado e se trata do primeiro álbum de vocês, o que passa a ideia de uma banda “nova”, o que definitivamente vocês não são. Como foi o processo de elaboração e composição dele? Como se sentiram com a recepção após essa “longa espera” do público?

O Maravilhas foi produzido durante um ano inteiro de trabalho intenso. Nós reunimos material que já havíamos composto, depois passamos por uma imersão em grupo para compor, o que rendeu boa parte do disco. Ao final desse processo, fomos com o produtor Marcelo Fruet a um sítio em Viamão (zona rural de Porto Alegre) para fazer a pré-produção: selecionar o que seria gravado e finalizar algumas músicas. Depois disso, ensaiamos muito, planejamos as gravações e retornamos ao sítio. Lá foram gravadas todas as baterias, baixos e mais alguns detalhes. O restante nós registramos em Porto Alegre ao longo de 2014, bem como a mixagem e masterização. Foi um trabalho bastante lapidado e discutido à exaustão, então, poder lançar isso e ver que a recepção do público está sendo muito positiva, só nos dá vontade de circular com o nosso show e, claro, produzir muitos outros discos ao longo dos próximos anos.

As temáticas mais comuns do primeiro álbum de vocês parecem vir do conflito existencial e do efeito da passagem do tempo em nossas vidas. São temas bem pessoais para vocês? Além das influências sonoras, o que influencia as letras?

Boa parte das letras são coletivas. Mas, durante o processo de composição, nós discutimos que, mesmo as letras individuais, deveriam satisfazer a todos da banda. Isso gerou alguns impasses momentâneos, mas acredito que tenha sido muito positivo, no final. Acabamos mantendo o foco nessas questões existenciais, sim, porque são ideias comuns aos três. Isso acabou nos unindo, de certa forma, e dando personalidade ao disco. Nós buscamos mais fazer perguntas do que oferecer respostas com o Maravilhas. Com relação às influências na escrita, o disco Helplessness Blues, do Fleet Foxes, foi bem importante, assim como algumas músicas do Clube da Esquina, do Neil Young, do Caetano Veloso. E I Just Wasn’t Made For These Times, dos Beach Boys. Essa letra é incrível!

Quem já esteve no show de vocês sabe do espetáculo que é: a precisão do entrosamento e das execuções chama muito atenção. Tudo isso parece ser fruto de, além do visível talento, muito ensaio. Todos integrantes da banda conseguem se dedicar somente à música e à banda, ou se dividem com outras profissões? Como enxergam essa dificuldade de grande parte das bandas nacionais sobreviverem da arte que produzem?

Muito obrigado! A gente adora fazer shows! Todos nós nos dedicamos somente à música. No entanto, não unicamente através da Dingo Bells. Nós participamos individualmente de outros projetos musicais aqui no Sul, bem como damos aulas de música para alguns aventurados! Eu e o Diogo estamos cursando Música Popular na federal daqui, também. Então, nesse momento, a nossa vida gira em torno da música e isso é sensacional. Por outro lado, indo pra próxima pergunta, eu não conheço nenhuma banda independente que tenha facilidade para circular e que os artistas envolvidos se ocupem somente do seu projeto. Todo mundo acaba se virando do jeito que dá para fazer o seu lance acontecer. E, mesmo assim, tem muita gente lançando trabalhos muito consistentes. Eu acho lamentável que não se tenha uma estrutura que sustente e fomente esse tipo de iniciativa artística, mas isso é um papo bastante longo, que começa no espaço que a cultura ocupa no Brasil.

O que o público pode esperar do show no Lollapalooza e o que vocês esperam do festival?

O público pode esperar uma banda de três amigos de infância que estarão completamente felizes de estar naquele lugar. Pra nós é algo muito especial. Estamos chegando acompanhados do nosso fiel escudeiro Fabricio Gambogi e do nosso naipe de metais, capitaneado pelo Julio Rizzo; Vamos levar nosso show da turnê do Maravilhas, que vem sendo lapidado ao longo do último ano, adaptado para o festival e para o formato de septeto. No mais, a gente conta com a já tradicional participação da galera que acompanha a banda (e com os recém chegados!) para fazer no Lolla um show histórico para quem estiver lá!

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