5 perguntas para… Eduardo Praça (Ludovic e Apeles)

Apeles ou Eduardo Praça. Foto: José Menezes/Divulgação

Eduardo Praça tem muito o que contar sobre sua obra. Guitarrista do seminal Ludovic e ex-integrante do duo Quarto Negro, o músico lançou no dia 23 de junho seu primeiro trabalho solo Rio do Tempo, onde usa a alcunha de Apeles, nome do irmão da poetisa portuguesa Florbela Espanca. Divulgando seu debute solo, Eduardo Praça conversou com a gente sobre a carreira e seu novo trabalho.

Move That Jukebox: Apeles também é o nome do irmão da poeta Florbela Espanca. Qual o tamanho da importância dessa poetisa no seu trabalho e por que a escolheu para homenagear?

Descobri a Florbela assistindo televisão de madrugada. Um compositor estava musicando alguns poemas, infelizmente não me lembro o nome dele, mas me apaixonei pelas poesias na mesma hora. Comecei a pesquisar e me identifiquei muito com a escrita visceral dela, desde os amores à família, e o seu cotidiano. Ela escreve de um jeito que me inspira muito, é verdadeiro, intenso e sem rodeios. Ela tinha uma certa obsessão pelo irmão, e eu adoro o jeito que o nome soa, parecia apropriado criar esse personagem pra mim, e até hoje gosto muito do nome.

Move That Jukebox: Que situações te inspiraram e o que você tem ouvido? Qual o norte das canções de Rio do Tempo?

Rio do Tempo veio num período muito intenso pra mim, tudo na minha vida estava mudando, e consequentemente isso se refletiu nas músicas. Na época, e até agora, tenho escutado muito cantores solos. Richard Hawley, Leonard Cohen, Scott Walker… Todos eles carregam uma melancolia e uma solidão que parece um pouco com meu momento, saindo de uma banda pra me concentrar em um disco solo. Também ouvi muita música eletrônica, ambient music e coisas brasileiras como Maysa, Angela Ro Ro, entre outros.

Move That Jukebox: O que você traz das suas experiências com o Ludovic e Quarto Negro para esse trabalho?

As bandas se diferem muito na estética sonora, mas se aproximam muito na intensidade do trabalho, dificilmente faço parte de algum trabalho em que a entrega não seja completa, e a forma como essas bandas lidam com isso me inspira muito pra seguir como cantor solo.

Move That Jukebox: Com o Quarto Negro, você participou de muita coisa legal. Além dos festivais como o Primavera Sound, também fez uma session muito legal para a rádio KEXP. Você acha que faltam espaços mais democráticos como esses pra se tocar aqui no Brasil?

Sem dúvidas estamos muito atrás, vejo muito movimento e força de vontade, mas a situação política e financeira do país limita muita gente e muitas vontades. É uma luta diária contra o desencanto da vida artística, mas tenho esperança que melhore. Vejo muita gente entusiasmada, e toda pequena recompensa é um passo pra frente.

Move That Jukebox: Você pode falar um pouco sobre a escolha das participações especiais que tem no disco, tanto na produção quanto nas músicas?

Foi um desafio descentralizar o disco de mim, por isso convidei algumas pessoas de diferentes partes. Primeiro, gravar com o Leo Marques em Belo Horizonte já me abriu um leque gigante de criatividade, ele é um dos melhores produtores do Brasil, te deixa à vontade e tira apenas o melhor. O Gabriel Soares, da banda Atalhos, fez as baterias. Gustavo Teixeira (Nuven) participou de sintetizadores, os vocais femininos ficaram com a Danuza Paz e a Jennifer Souza. Rodrigo Garcia tocou cello e, pra coroar participações tão especiais, Helio Flanders dividiu as vozes comigo na faixa “Clérigo”.

Confira o disco abaixo:

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