5 perguntas para… Guaiamum

guaiamum - divulgação

Guaiamum ou Daniel Ribeiro. Um no outro e o outro no um. Foto: Divulgação

O músico brasiliense, mas radicado em São Paulo, Daniel Ribeiro, utiliza a alcunha de Guaiamum para se apresentar pela cidade. Ele acaba de lançar seu primeiro disco homônimo (escute ao final da matéria) e se apresenta este sábado (23), no Teatro Rotina (Rua Augusta, 912), a partir das 21h. Os ingressos custam R$ 30 (inteira).

O disco foi gravado nos estúdios YB, Desterro e Abacateiro, todos em São Paulo e produzido em parceira por Daniel e Vitor Moraes, responsável por algumas faixas de “Pangea I Palace II”, de Lemoskine, e “Outros Sonhos”, documentário sobre a banda curitibana ruído/mm.

Pois, batemos aquela papo rapidex com ele sobre esse início da carreira e ainda descobrimos o que ele está ouvindo. Para ir entrando no mood, dá escute ele tocando no Sofar Sounds de São Paulo:

Move That Jukebox: Tá, não dá para começa essa entrevista sem perguntar de onde veio esse nome. Foi mal!

Guaiamum: Eu estava procurando um nome que fosse brasileiro, mas algo mais regional do nordeste porque acredito que a música do Guaiamum tem um link (ainda que sutil) com a música de lá. Minha irmã e eu estávamos procurando palavras em um dicionário nordestino (com palavras e expressões particulares de diferentes estados) até que ela sugeriu Guaiamum. Achei estranho, mas logo comecei a gostar da sonoridade.

Move That Jukebox: Este seu projeto solo começou a se formar em 2006, porque só em 2015 ele realmente foi para frente e agora você vem como CD?

Guaiamum: Em 2006 comecei a compor as primeiras músicas que fariam parte do Guaiamum. Foram “Dawn”, “Future Archaeology” e “Season”. O plano era fazer um EP, mas achava que três faixas seria muito pouco, então vieram “Riot”, “For You”, “Convenience” e “Endwoment”. A essa altura já tava quase virando disco e resolvi compor mais e assim o tempo foi passando. Enquanto Guaiamum foi ficando pra segundo plano porque eu estava envolvido em outras bandas que faziam shows e lançavam discos. Como já tinha cerca de 7 músicas, achei que era melhor compor mais algumas e fazer um álbum completo. Daí foram mais alguns anos. No fundo, acho que eu sempre tinha uma desculpa para deixar o Guaiamum em segundo plano porque eu sou uma pessoa coletiva, nunca quis ter um projeto solo, queria ter banda, compor junto com outros músicos. A ideia de fazer tudo sozinho me aterroriza um pouco, mas acabei tendo que confrontá-la. Resolvi priorizar o Guaiamum, compus “Isa’s Roadtrip” e, aos 45 do segundo tempo, apareceu “Monument”.  Então o Guaiamum é um tipo de exorcismo nesse sentido, do medo do voo solo.

Move That Jukebox: Falando nisso, tudo começou na Irlanda correto? O que diabos você foi fazer por lá?

Guaiamum: Trabalhando com uma ONG chamada OM. A gente fazia ação social em bairros residenciais, um tipo de Kid’s Club de férias com um daqueles ônibus ingleses de dois andares (o Big Red Bus). Tinha show de fantoches, gincanas e bichos de balão. Me especializei em fazer o dinossauro. Como lá o problema do alcoolismo é grande entre adolescentes, à noite íamos ao centro da cidade com o Big Red Bus que virava um tipo de coffee shop onde servíamos café, chá e chocolate quente numa tentativa de integrar membros da sociedade num ambiente saudável. Nesse tempo comecei a pesquisar folk para compor a trilha do curta metragem Gotas, encomendada poucos dias antes da viagem por André Felipe de Medeiros. Dessa trilha veio a faixa “Gotas”.

Move That Jukebox: A quando ouvi seu som, aí vem as elucubrações, ok? Sentir estar ouvindo uma banda grunge tipo Soundgarden, Pearl Jam ou até mesmo o Nirvana fazendo um acústico. Pode ser total loucura minha, mas explica aí o seu som.

Guaiamum: Durante os anos 90 fui bem avesso ao grunge. Tinha muita má vontade com meus colegas de escola que gostavam de música alternativa (como chamavam na época). O que eu gostava da época eram bandas que estavam desvinculadas do estilo: Metallica, Pantera, Smashing Pumpkins, Lenny Kravitz e Live. Ouvia coisas mais antigas, Led Zepellin, Dire Straits, Allman Brothers… Daí entrei numa viagem do progressivo então era Pink Floyd, Yes, Rush e Genesis o dia inteiro. Só fui conhecer a fundo Stone Temple Pilots, Soundgarden e Alice In Chains quando estava na faculdade. Mas aí foi forte o encontro, especialmente com Stone Temple Pilots. Eles e Smashing Pumpkins são minhas duas grandes referências mais grunge. E o Yield do Pearl Jam também. Elliot Smith e Jeff Buckley, que são duas grandes referências pra mim também são da mesma época. No fim das contas, apesar dos meus esforços para achar minha própria identidade musical e da minha revolta com o establishment fonográfico durante a adolescência eu sou completamente cria dessa década. [Risos]

Move That Jukebox: Para finalizar. O que Move a sua Jukebox?

Guaiamum: Eu tento ouvir coisas diferentes do que estou tocando, pra não ficar muito preso num estilo. Tenho ouvido muito ultimamente ‘Necrotism’ do Carcass, ‘Acquiering The Taste’ do Gentle Giant, ‘#1 Record’ do Big Star, ‘Freight Train and Other North Carolina Folk Songs And Tunes’ da Elizabeth Cotten e ‘As Long As the Money Lasted’ do The Band Royale. Recentemente fiz uma maratona e revisitei a discografia do King Crimson (uma das minhas bandas favoritas)!

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