5 perguntas para… Gustavo Mini (Walverdes)

Walverdes por Raul Krebs

Walverdes em nova fase. Do garage rock ao dub. Foto: Raul Krebs/Divulgação

Walverdes está de volta! Os meninos estavam há seis anos sem lançar novidades, o último disco lançado foi Breakdance (2010). Agora chegam com o EP Repuxo (que você escuta ao final da entrevista), que além de trazer o som que os deixaram conhecidos, o grage rock, também fazem algumas misturas interessantes e inusitadas, como dub!!! O nome do disco é uma referência ao que toda criança gaúcha já ouviu na vida. É ir na praia para ter cuidado com o fato de ser sugado pela água e acabar se afogando. O EP também vem o videoclipe de “É muita gente”, que você assiste nesta matéria.

Por isso, conversamos com o Gustavo Mini, guitarrista e um dos membros fundadores da banda e um dos artistas mais respeitados do meio independente, para falar dessa nova fase. Dá uma olhada:

Move That Jukebox: Vocês de fato são uma das bandas mais respeitadas do rock nacional no meio independente, porque acham que isso acontece?

Acho que por vários motivos. Um talvez seja o fato da gente ter atravessado 23 anos de ondas e modismos fazendo um som que tem uma identidade própria, mesmo que dentro do escopo limitado do rock. Também pode ser porque a gente sempre foi muito mais focado na música do que na produção e na divulgação. Tem muita banda que é melhor de produção e divulgação do que de música. Um terceiro motivo: nossos shows. A gente geralmente faz shows muito intensos e isso marca muita gente.

Move That Jukebox: Adorei o nome do novo é EP. Que acaba tratando do medo infantil de se afogar. Como acham que isso marca a infância de uma criança gaúcha? Ou pelo menos, como foi para vocês?

A primeira vez que eu fui pro Nordeste eu fiquei impressionado com o mar de lá. Uma das primeiras coisas que eu pensei foi “que maravilha deve ser uma criança crescer sem tanto medo do mar”. Porque aqui tem toda um discurso em torno do repuxo, do buraco, da bandeira vermelha, da bandeira amarela, do mar sujo e frio. A gente tem uma relação bizarra com o litoral comparando com o Nordeste ou mesmo o Rio, por exemplo.

Move That Jukebox: O disco também foi gravado ao vivo, como foi para vocês resolver fazer este tipo de gravação? Não fica mais difícil?

Na verdade, só as bases foram gravadas ao vivo. As guitarras a gente refez. Foi uma opção pela energia e pela praticidade. Mas acabou que não deu muito certo, porque nós refizemos todas as guitarras depois.

Move That Jukebox: E vem cá, vocês são conhecidos por tocarem garage rock e punk, tem isso no EP também, mas como diabos surgiu a ideia de fazer um dub? O que isso tem a ver com os Walverdes?

Todo mundo na banda adora reggae e dub. Em especial, é a grande paixão do Julio. No início dos anos 2000, mesmo bem antes do Julio entrar na banda, a gente gravou um EP só de reggae e dub toscos, inspirado naquele disco meio funkeado dos Beastie Boys. A diferença é que agora a gente tem um músico de reggae e dub na banda, então pudemos fazer direitinho.

Move That Jukebox: São 23 anos de banda e a Walverdes nunca estourou. Não virou uma banda do mainstream. Por que continuar? Ainda existe saco para isso?

Ah, porque a gente gosta de tocar e tem ainda algumas pessoas que gostam de ouvir. Se a gente não gostasse mais de tocar com a banda ou se não tivesse ninguém pra ouvir, a gente não continuaria. Mas como ainda tem um pouco das duas coisas, estamos aí.

Escute Repuxo no Spotify: