A maior exposição de rock da América Latina

Desde o começo de abril na Oca, no Parque do Ibirapuera, a exposição Let’s Rock tem atraído milhares de roqueiros e curiosos. Anunciada como “a maior exposição sobre o rock já realizada na América Latina”, é uma visita interessante para os amantes do gênero residentes em São Paulo ou para os turistas que estão indo pra lá assistir algum show.

Logo na entrada, o visitante tem acesso à uma linha do tempo que tenta sintetizar a história do rock. Há várias lacunas e algumas inclusões questionáveis, mas cumpre bem o papel de dar um panorama geral sobre o gênero. Perto dali, há uma galeria com todas as capas da edição brasileira da revista Rolling Stone em formato gigante, além de algumas edições americanas. O mais legal dessa galeria é acompanhar o que de certa forma foi considerado mais relevante para música nos últimos cinco anos – e Lady Gaga apareceu na capa em três ocasiões.

O coração da exposição está nas relíquias expostas, algumas divididas por banda, outras por estilo, região ou época. Parte do acervo vem de fãs colecionadores, parte dos próprios artistas. Toda a sorte de itens está exposta: roupas de Elvis, Mike Patton e Dinho Ouro Preto, quinquilharias do Kiss, ingresso do Woodstock, camisinhas do U2, All-Star do Mark Ramone, discos do Roberto Carlos.

Os Rolling Stones tem um cantinho especial na exposição, um ambiente redondo com uma foto panorâmica do show em Copacabana nas paredes, e muito rock roll como música ambiente.

O rock brasileiro é bem representado: Erasmo Carlos, Mutantes, Secos e Molhados, Titãs, Legião Urbana, Skank e Pato Fu são algumas das bandas com relíquias à mostra. Desse século, o destaque fica para Pitty e Cachorro Grande – e nada de Los Hermanos.

Roupa utilizada no clipe de “Made in Japan” e bateria utilizada no álbum “Música de Brinquedo”, do Pato Fu

Uma bela galeria de fotos em tamanho gigante complementa a exposição. Há fotos clássicas dos Beatles, Led Zeppelin e Bob Dylan, tiradas por Bob Gruen, e também muito material nacional em fotos de outros fotógrafos. Há ainda uma interessante programação de palestras, pocket shows e documentários, que deve verificada antes da visita ao evento.

É interessante refletir sobre o valor de cada item da exposição. Em uma exposição de arte, cada quadro, escultura, tem seu valor, pois são itens únicos. Aqui é diferente: a roupa vale mais pois foi Elvis quem usou, a bateria é importante pois foi a primeira em que Igor Cavalera tocou, e o disco está exposto porque tem um autógrafo. São itens cotidianos, mas que em algum momento tiveram alguma relação com um artista e a partir daí se tornaram parte da história da música.

A exposição dura até o dia 27 de maio, e os ingressos custam R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia). Não é permitido entrar com bolsas e mochilas, mas o guarda-volumes é gratuito.

  • Acho que foi a pior exposição que eu já vi na vida. Como disse no facebook, fiquei profundamente desapontada. Achei a curadoria preguiçosa, a montagem confusa e pouco criativa e não vou nem falar do layout, porque aí a coisa fica séria. Deu pena ver um assunto tão rico e com tantas possibilidades ser exposto de qualquer jeito. Deu pena ver as fotos de Bob Gruen, por exemplo, que já foram tão bem expostas na FAAP, sem uma iluminação adequada, pra dizer o básico. Até entendo que a idéia da exposição era mesmo ser meio caótica, mas não entra na minha cabeça que o resultado final era pra ser aquele: uma exposição onde quase tudo tinha cara de trabalho de escola. Ou sou eu que estou ficando muito chata e exigente? Sei lá, minha gente. Mas se essa é a maior exposição de rock da América Latina…

  • Juliana, concordo que, se comparado à qualquer exposição de arte, a infra-estrutura estava inferior.
    Faltaram algumas coisas básicas, como legendas sobre o que estava sendo exposto. A riqueza da exposição estava justamente no material exposto – mesmo que exposto de uma maneira, de certa forma, inadequada.
    Mas, observando-se a péssima estrutura que temos na maioria dos shows internacionais no Brasil, nota-se que o público roqueiro não é lá tão exigente. Ou será que é?

  • É, de fato não deve ser mesmo.
    Mas eu esperava tão mais dessa exposição.
    Tanta coisa legal que dava pra ter feito com aquele mesmíssimo material nas mãos.
    Choro meus vintes reais até hoje.
    Além de exigente, mão de vaca.
    Hahahahaha.