Alan’s Jukebox (Rock Rocket)

Por um rock n’ roll mais alcoólatra e inconsequente (me desculpe pela introdução previsível), o baterista de uma das bandas com maior espírito roqueiro desse Brasilzão conversou com a gente. Alan, dono das baquetas do Rock Rocket, fez piadinha (e bem boa, aliás) com o melhor lançamento de 2010 e deu muita explicação pra falar sobre seu guilty pleasure. TEM QUE VER ISSAÍ, ALAN!

E o hype? – o que você tem escutado de novidade?
Eu me considero o oposto do hype. Tenho ouvido Toots & The Maytals, Cock Sparrer, Public Enemy e Eric Burdon Declares WAR. Nada de novo. Se me perguntarem sobre o melhor lançamento de 2010, eu digo que foi esse http://www.youtube.com/watch?v=ks0OMF0rL4Q.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, fazendo, por mais piegas que isso possa soar, a “trilha sonora de sua vida”?
Banda da vida talvez seja Beatles. Ou Ramones. Mas se for dizer “goodtimesbadtimes”, no “8 ou 80”, com certeza Tom Waits. Ouço quando estou feliz, para me deleitar mais ainda. E ouço na depressão, pra me afundar mais ainda.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Frangotten Boys (ah, vai, a piada já tava pronta na pergunta).

E aquele show inesquecível? Qual foi? (tanto pra você, como telespectador, quanto aquele show foda do Rock Rocket que você nunca vai se esquecer)
Já dividi palcos gigantes pra até 30.000 pessoas, com bandas famosas tipo Guns n’ Roses, Sepultura, Sebastian Bicha, Mudhoney e sei lá mais o quê. Mas não botaria nada disso na minha lápide. Me orgulho mesmo é de ter dividido o palco com o Restos de Nada, Lixomania e Zefirina Bomba num show pra 300 cabeças, intitulado “Fresh Fruit For Rotten Vegetables”. Agora, sobre shows que fui como mero apreciador de música, eu tenho uma coleção grande de momentos incríveis: Beastie Boys, Vibrators(3), Pixies, Addicts, Cockney Rejects, Circle Jerks, Chico Buarque, Os Mutantes, Big Bad Voodoo Daddy, Chaos UK no CBGBs, Flaming Lips(2), Sparklehorse (RIP), MC5, New York Dolls, FuzzFaces, Cólera, Sonic Youth(2), Toy Dolls(2), Motorhead(3), Alice Cooper, Riistetyt, Rattus, Rezillos, Extreme Noise Terror…puts, um monte. Mas inesquecível mesmo foi subir no palco dos Stooges e ficar lado a lado com o Iggy Pop e Scotch Asheton durante “Shake Appeal”.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que você só escuta quando não tem ninguém por perto e, por garantia, com fones de ouvido.
Get Up Kids. Aliás, eu não ouvi isso nos útimos 9 anos, mas resolvi perder um tempo agora pra saber o que eu acho deles hoje em dia, afinal, depois de muito pensar, a pergunta me levou a essa banda. Ouvi e… é, não compraria um disco, mas teve um momento da minha vida em que o Get Up Kids era presente, tocava nas festas dos meus amigos. Imagino que muitos da minha geração, e até aqueles um pouco mais velhos, sintam isso. E muita gente que hoje usa camiseta do Motorhead, ouvia o som deles 9 anos atrás. Era tipo febre. Era uma época em que ainda não existia isso que chamam hoje de emo. Pra mim, era mais indie mesmo, tipo Rentals. E eu tinha 17 anos, né? Dá um desconto. Então bateu uma nostalgia. Mas também nunca mais ouvi muito a banda. Era mais por tabela dos amigos. É uma questão de ouvir uma melodia confortante, nada demais. Bom, vou parar de desculpas antes que alguém parafraseie o Emicida e diga: “Irmão, você não acha que se explica de mais pra quem tem razão?”

  • No one

    ahh isso sim que é homem! Nada dessa coisa de hype, calça colorida, tênis colorido, camiseta com estampa fluorescente, soltando ‘a franga’ na pista…

    um brinde de whisky escocês à você, Alan!