Animal Collective – Fall Be Kind EP

Se Fall Be Kind tivesse o número suficiente de faixas para ser considerado um full lenght album, ele certamente atingiria o status de “divisor de águas” na carreira do Animal Collective. Com apenas cinco músicas, o EP aposta num clima denso e melancólico que, até então, vivia se escondendo do grupo – sua manifestação mais recente, inclusive, foi em Feels, de 2005. Entre toda essa tristeza coletiva, a melodia que mais grita por um pouco de afeto é a de “Bleeding”, como se Rufus Wainwright tivesse se jogado no experimentalismo.

Em “On a Highway”, próxima música, o clima aflito se repete, mas percussões com cara de tribo africana, já muito familiares ao grupo, voltam a aparecer com vigor, embora não tenha o ânimo das mais recentes “My Girls” e “Brother Sport”. São as palmas e os vocais triplos de “I Think I Can” os grandes responsáveis pela singela dose de entusiasmo do registro, que funciona como uma espécie de coletânea de remanescências das sessões de Merriweather Post Pavillion. Nela, os sintetizadores parecem alugar um pouco da batida-base da dance music, mas a façanha passa quase despercebida.

Mesmo assim, a música não supera a majestosa união de flauta, percussão e sintetizadores pesados da segunda parte de “Graze”, algo como um mix da trilha de Pica-Pau com um quê de “15 Step”. Quer algo melhor? Então corre para os vocais R&B-style de “What Would I Want? Sky”, uma obra-de-arte em forma de b-side. Não vale deixar passar.

  • Se essas 5 musiquinhas substituissem 5 faixas quaisquer do Merriweather Post Pavillion (com exceção de ‘My Girls’ e ‘Brothersport’), teriamos talvez o melhor disco de rock experimental da história.

  • Esse EP foi uma das melhores novidades musicais de 2009. Aguardo ansiosamente o próximo álbum deles.