Antemasque - Antemasque

Antemasque
Antemasque

Nadie

Lançamento: 01/07/14

Omar Rodríguez-Lopez deve ser uma das pessoas do mundo que mais gosta do seu trabalho, considerando que, além dos seis incríveis álbuns que o guitarrista e compositor lançou com o The Mars Volta desde 2003, ele soltou também mais de trinta discos sob seu próprio nome, com diversas formações e estilos. Antemasque, no entanto, é especial para os fãs do grupo extinto, por conta da presença de Cedric Bixler-Zavala, companheiro de aventuras do guitarrista desde os tempos do At The Drive-In e outra metade do Mars Volta quando aquela banda ainda existia. De fato, Antemasque traz algumas das características do som do Mars Volta, mas é, ao mesmo tempo, completamente diferente.

Só de bater os olhos na lista de faixas já dá pra notar a principal diferença entre esse trabalho e praticamente todo o resto dos lançamentos do guitarrista portorriquenho: das 10 faixas, apenas uma passa dos quatro minutos. Se isso sugere um estilo muito mais enxuto, conciso e direto do que as experimentações longas e complexas que ele desenvolvia em seus outros projetos, não é à toa. “4 A.M.”, com seu refrão grudento, já mostra um som muito mais pop do que a carreira anterior dele poderia nos levar a esperar. A banda ainda tem uma pegada firme de rock, conforme atestam os ótimos riffs e as linhas rápidas da bateria de David Elitch em “I Got No Remorse” e “In The Lurch”, que, junto com a voz de Bixler-Zavala, trazem à mente o Mars Volta. Esses elementos, no entanto, vão para o segundo plano em favor de melodias agradáveis e bem marcadas, a exemplo de “50.000 Kilowatts”, uma música tão descaradamente pop que chega a lembrar o The Wonders.

É um pouco chocante ver o núcleo responsável por álbuns exageradamente complexos e grandiosos, como Frances The Mute e Amputechture, fazer algo tão simples e objetivo. Mas eles o fazem muito bem: é difícil não se deixar conquistar pelo refrão incrível de “Ride Like The Devil’s Son” ou pela levada tranquila de violão da excelente “Drown All Your Witches”, uma das faixas da segunda metade do álbum que varia um pouco o ritmo do disco. “Providence”, a mais comprida, que traz um refrão gritado e agressivo e alguns ruídos estranhos, e “People Forget”, que muda bastante do refrão para os versos, também seguem essa estratégia. No final, porém, o disco volta ao seu ótimo ponto de origem com “Rome Armed to the Teeth”.

Mas isso acontece cedo demais. Não que trinta e quatro minutos não sejam uma duração aceitável para um disco de estreia: os dois primeiros álbuns dos Strokes, excelentes, também duravam mais ou menos isso, afinal. Mas dada a versatilidade quase infinita de Rodriguez-Lopez e dos seus colaboradores nesse trabalho (entre os quais está o baixista Flea, que, infelizmente, não aparece tanto assim), é difícil superar a sensação de que a banda ainda tinha mais a oferecer.

Talvez essa seja a maior prova, no entanto, do sucesso de Antemasque. A ideia de ver a dupla central do Mars Volta fazendo um som muito mais acessível e direto pode parecer estranha, mas basta alguns minutos de audição para que esse estranhamento passe. Até porque parte do que fez daquela banda um marco do rock experimental era a capacidade que eles tinham de compor de maneira coesa e interessante, e se eles faziam isso em músicas compridas e complicadas, podem fazê-lo em formas mais concisas. Antemasque só não é melhor porque não é maior.