Apanhado geral do Prêmio Multishow 2009

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A colaboradora que vos fala foi cara de pau o suficiente para se oferecer para cobrir o Prêmio Multishow de Música Brasileira, que aconteceu no último dia 18 no Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Já de cara preciso confessar que o tapete vermelho foi mais empolgante do que a premiação em si. Quando eu soube que teria permissão para falar com os convidados, tive esperanças de entrevistar o pessoal do Little Joy, mas pelo visto as atrações musicais entraram por outra porta, o que nos tirou qualquer possibilidade de aproximação. Então aproveitei para ver quem chegava e observar o humor das celebridades. Concluí que Dinho Ouro Preto adora mesmo interagir com seus fãs, Rogério Flausino é mesmo tão simpático quanto parece ser e até Saulo Fernandes da Banda Eva é uma pessoa como qualquer outra.

O prêmio em si foi morno… piadas antigas, gente antiga, celebridades que não poderiam estar mais distante da música e que, mesmo assim, são convidadas a esse tipo de evento para fazer figuração. A apresentação do Little Joy poderia ter sido mais bem aproveitada se o público fosse mais bem informado. Mesmo assim, a grande quantidade de pessoas que a banda comandada por Rodrigo Amarante levou para cima do palco apenas para bater palminhas em “Next Time Around” trouxe ao lugar o clima de jam session que acompanha a banda onde quer que ela vá. Gente como eu e os leitores do Move se sentiriam em casa. Tanto que os “populares” que ficavam gritando “Cine!” (mas disso eu falo depois…), mesmo quando a categoria era Melhor Cantora ou algo parecido, tiveram de prestar o devido respeito. Binki Shapiro foi um dos pontos altos da noite, com uma fofura extrema ao entrar no palco com a Fernanda Torres e falar em um português coincidentemente parecido com o de Fabrizio Moretti, claro. Dava para sentir o carisma de longe – diferente de Mallu Magalhães, que foi só com o corpo para a premiação e esqueceu o espírito em alguma beira de estrada. Devia estar fazendo companhia para a voz da Pitty e o bom senso do Mr. Catra, que de repente decidiu que Ana Carolina era a mulher mais aproveitável da casa naquela noite (se bem que gosto não se discute, não é, minha gente?).

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Que barriga de grávida feia, Ivetão.

O que mais chamou a atenção foi que não se ouviu lá fora no tapete vermelho sequer UM grito de “Fresno”, “Strike” ou “NxZero”… só se ouvia “CINE” e mais “CINE”, acredite se quiser. Parece que as bandas de hoje em dia estão cada vez mais descartáveis em um espaço de tempo cada vez menor. Me senti sinceramente mal por eles, afinal de contas a apresentação das três bandas em conjunto foi uma das mais competentes, mesmo com uma confusão de guitarras e baixos em cima do palco. Foi um alívio para quem está acostumado a entrar em casas de shows e ouvir um bom rock agressivo, devo confessar.

No geral a noite mostrou pouca ação e foi previsível. É inegável o carisma e o talento da maioria dos indicados, mas o que parece é que cada vez mais a premiação se fecha em torno de um campo confortável, onde todos os indicados parecem saber que no próximo ano voltarão a concorrer em alguma outra categoria. Seria bom se seguissem o exemplo da homenageada da noite e quebrassem barreiras e reconstruíssem idéias e estilos. E que fique claro que Rita Lee preferia o prêmio em dinheiro!

A lista (lastimável) com os indicados e os ganhadores tá aqui.

Texto: Sylvia Souza / Fotos: Ivete Sangalo Oficial e Bruno Mello

  • Bons festivais de premiação musical no Brasil nunca existiram.
    Reflexo do ”erro”, se ele não fosse proposital, em focar a velha e ruim panela de bandas e as tendências meramente comerciais do mercado, o medo de ousar e perder uma fatia generosa desse grande bolo verde.

    As melhores bandas de rock brasileiras, indiscutivelmente, permanecem no universo paralelo, underground, e recusam a se entregar.

    Prêmios ”Multishow” e VMB’s da vida são o resultado do consenso entre a ambição da indústria (leia-se não somente a fonográfica mas todas que giram em torno dela) e a superficialidade de uma audiência conformada a digerir sem culpa tudo o que é a ela ”sutilmente” servido, se essa não fosse a forma mais violenta de imposição.

    Viva o submundo da música brasileira!

  • oi , vocês podem acessar o meu blog ? ele tá começando e preciso dessa força , deixem comentarios !

    http://someloudnoise.blogspot.com/

  • Sylvia Souza

    Ah, poxa! Achei a barriga de Ivetão super digna! hahaha E convenhamos que, com aquela voz, a mulher pode subir no palco grávida plantando bananeira e ainda assim vai ser mais artista que 85% dos presentes juntos. O talento dela segura sozinho uma casa de shows lotada.

    Quanto aos convidados, indicados e ganhadores, acho que apontei o óbvio. Mas não foi de todo negativo…

  • guilherme

    o Little Joy tocou “Keep me in mind”, não Next time around.

  • Quero só ver se o site vai falar a mesma coisa do VMB da MTV que também está tão descartável e medonho como o prêmio Multishow.
    Espero que o aprinhamento do “portal MTV” não estrague a opinião de vcs sobre o evento.

    No mais, gosto muito do blog e to sempre de olho.
    Abraços e bjs

    Rodrigo Favero

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