Arctic Monkeys – Humbug

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3 anos após explodir a cabeça de muitos adolescentes com as guitarras urgentes de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not e 2 anos depois de passar com louvor pela prova do segundo disco, lançando o excelente Favourite Worst Nightmare, o quarteto mais ilustre de Sheffield volta a ser um dos assuntos mais comentados em 10 entre cada 10 blogs musicais. O motivo, obviamente, é o terceiro disco da banda, Humbug.

Um fato que teve maior repercussão do que a própria banda lançando um disco novo, foi a escolha dos produtores pra essa nova empreitada. Além de James Ford, companheiro de outrora dos Monkeys, a banda também resolveu chamar a cabeça pensante por trás do Queens of the Stone Age, Josh Homme. Era tudo que faltava pra aumentar a expectativa dos fãs e até dos não-fãs, que também ficaram curiosos pra ver o resultado dessa parceira promissora.

AM - Humbug

Pra quem esperava encontrar mais da energia juvenil de Whatever, se decepcionou. O Arctic Monkeys de Humbug é indiscutivelmente diferente da banda que gravou o fenômeno de vendas de 2006. E pra quem esperava uma banda britânica com o peso do stoner rock americano, também se decepcionou. Humbug soa como uma das possíveis direções que a banda poderia ter tomado depois de seu segundo disco, que ainda continha elementos do primeiro mas que já indicava uma possível mudança de sonoridade (vide “505”, “Do me a favour” e “If you were there, beware”). Sonoridade essa que a banda resolveu assumir de vez e se deu muito bem, criando todo um clima mais soturno que o costumeiro e com um quê de psicodelismo e guitarras pesadas nas horas certas.

O disco começa com “My propeller” e demora alguns segundos até acostumarmos com a voz arrastada e sombria de Alex Turner. “Crying Lightning” vem em seguida e mostra que, além de ser o primeiro single do disco, ela é o grande destaque de Humbug e um dos melhores trabalhos que a banda já fez. Espremida entre as duas músicas mais pesadas do álbum, as excelentes “Dangerous Animals” e “Potion Approaching”, está “Secret Door”, que é, junto com “Cornerstone”, o “raio de sol” (na falta de outra denominação mais apropriada) de Humbug. As duas faixas se encaixariam muito bem no segundo disco dos Monkeys – o que não é surpresa, já que as faixas são as duas únicas produzidos por James Ford, membro do Simian Mobile Disco e um dos produtores de Favourite Worst Nightmare.

A algo sexy “Fire And The Thud” é outro destaque. Nela, é perceptível a influência de Josh Homme, dando um tom mais viajado à música e deixando-a com cara de “Desert Sessions”, projeto paralelo de Homme. O disco ainda conta com as ótimas “Dance Little Liar”, onde se destacam os belos trabalhos vocais e a poderosa “Pretty Visitors”, com riff inicial que pode até nos remeter vagamente ao debut da banda. Humbug tem como faixa derradeira “The Jeweller’s Hands”, que, apesar de não se destacar tanto, também não compromete o incrível trabalho geral.

Sem querer comparar a qualidade dos trabalhos, mas a situação em si, vale lembrar que o Arctic Monkeys segue o mesmo caminho de grandes britânicas que mudaram suas sonoridades no terceiro disco: Oasis e seu exagerado Be Here Now, Radiohead e o clássico OK Computer e, mais recentemente, Franz Ferdinand em Tonight e Kasabian com The West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Depois da novidade do primeiro disco e da temida maldição do segundo, onde a banda realmente prova se o debut foi sorte ou competência, o artista, num terceiro trabalho, se sente mais livre e confiante pra se arriscar em outros caminhos onde a vitória não é tão garantida e a coragem, aliada à criatividade, é mais que essencial. Bem, torçamos então para que o Arctic Monkeys sempre se sinta como se estivesse fazendo o terceiro disco e nos brinde com mais novidades interessantíssimas como Humbug.

Nota: 4.2/5.0

  • Rafa Mendes

    Muita boa descricao do cd! E excelente observacao ao comparar o caminho trilhado por outras bandas britanicas inciando algo novo no terceiro disco! Nunca tinha pensado nisso!
    Bom, apesar de preferir o estilo musical dos dois primeiros, tambem achei Humbug uma surpresa agradavel! 😀

  • Lucas

    O terceiro melhor album do ano (até o momento) 😉

  • ótimo album,basicamente a maioria leva um tempo pra se acostumar com essa vibe soturna,eu ja tinha percebido que ia ser mais ou menos isso la em janeiro nos shows com as musicas novas,uma coisa que da pra destacar é que os riffs+solo+virada em tercina+voz_arrastada é bom demais,ponto pro monkeys que fez mais um album excelente

  • Eu achei muito bom esse album ,apesar de nao ser o melhor deles.

    tambem fiz uma resenha em
    arteporumautista.blogspot.com

  • Demora um pouco pra se acostumar mas o álbum é bom! =]

  • borba

    não sei, não gostei muito.

    comecei a ouvir, gostei das três primeiras músicas, e quando percebi o cd já estava no final, sem nada ter me chamado muita atenção. isso acontece bastante comigo, acho que vou demorar um pouco mais pra me acostumar…

  • Camilla

    Uma banda que consegue se reinventar na sonoridade sempre ganha meu respeito. Prefiro bandas que arrisquem a inovar, mesmo que o trabalho não caia muito no meu gosto (que foi o que aconteceu com Franz e The Killers), do que aquelas que se atêm à mesma fórmula que as levou pro sucesso. O terceiro álbum do Monkeys saiu, para mim, como alívio. Pois é com esse trabalho que sei que eles dificilmente irão me decepcionar em seus futuros álbuns, pois Humbug é a prova que eles têm culhões em apostar em novas sonoridades, experimentar e, ainda por cima, fazer bonito :).
    (e devo dizer que o estilo soturno, herdade do Queens of the Stone Age, caiu muito bem no baixo preciso e na voz do Alex Turner que, por sinal, deu um salto de qualidade nesse álbum)

  • Mandou, Neto!

  • ana rubia

    eu simplesmente amei, sou suspeita, mas pra mim todas as músicas brilham.

    queria só falar da bateria do matt, ele tá de-mais nesse álbum.

  • Ah, acho que eu sou suspeita pra falar porque eu amo os monkeys, mas acho que tenho senso crítico suficiente pra não ser levada pelo meu fanatismo, amei o álbum. As músicas estão incríveis, a voz do Alex nunca esteve tão boa, os instrumentais estão um absurdo também. “Fire and the thud” e “Dance little liar” são demais.

    Eles decepcionaram alguns fãs que esperavam algo como o primeiro álbum, mas acho que ganharam muitos pontos artisticamente, aproveitaram a liberdade que eles tem para criar sem pensar em só agradar os fãs e ganhar dinheiro e fizeram algo novo e excelente =)

  • da um pouco de saudade dos velhos monkeys qdo ouvimos humbug pela primeira vez, mas na segunda já da pra ver o quão incrivel está o album. é bem diferente de tudo que eles já fizeram, mas já gosto muito. em certas músicas consegui até uma certa vibe que da vontade de dançar, mas não como o WPSIMTWIMN.

  • ca

    Eu gostei do álbum e não me decepcionei com a mudança que inclusive eu nem achei tão notória assim, eu acho que a banda tem que experimentar mesmo.
    Eu num gostei do cabelo do Alex, rsrs
    ficou estranho…

  • mend

    ainda não sei se eu gostei desse album…

  • Marcela

    Sinceramente, tô com medo de escutar Humbug inteiro e
    com calma. Não gosto dos terceiros Cd’s de quase nehuma
    das minhas bandas favoritas. Eles querem mudar a sonoridade
    e acabam mudando a essencia da banda…

  • VictorCarvalho

    adorei o album,
    é muito bom,
    tomado

  • Jéu

    achei o Humbug simplesmente fantastico…
    Ai está o credito dos monkeys: inovaçao. Se eles tivessem feito um album no mesmo estilo dos anteriores eu teria me decepcionado…
    Apreciei o Humbug da mesma forma que o Favourite Worst Nightmare e o Whatever People Say I Am, Thats What Im Not !

  • Achei o álbum muito legal, mostra uma coisa que muitos fãs não percebem: seus ídolos estão amadurecendo. E é isso que está acontecendo com os Monkeys, com muita qualidade, adicionando muitas coisas novas e, mesmo assim, sem perder a essência. Ainda achei que faltou um pouco da mão do Josh Homme, mas é um ótimo disco mesmo assim!

  • Luiz Filipe

    Foi muito bonzinho com eles, a falta de ritmo e dos vocais quase-rap sotaque carregadão do Alex são imperdoáveis. Fora isso, o disco é bem mediocrezinho.

  • Paula

    Eu demorei um pouco para gostar do album, mas depois da terceira vez escutando, o album, definitivament é bom! Foi um otimo trabalho! Eu tambem sou muuito suspeita para falar, pois acho o vocal do Alex e a bateria do Matt, uma sintonia perfeita! Entao, no começo, eu estranhei um pouco, mas foi bom! Muito Bom!

    E esta otima essa descrição detalhada do album! Muito boa a critica do album!

  • Meu Deus, meu pensamento foi muito semelhante ao seu, Alex! o.o’ Até usei “sexy” para me referir a Fire & the thud no meu comentário sobre o Humbug, no meu blog. Interessante e corajoso, de fato, é o Humbug. Tá me deixando quase em catarse.

  • Tati, na verdade foi o Neto que escreveu a resenha! haha

  • Jesus, que mico, desculpa, Neto, é que eu estava com a matéria do novo do Mika aberta e acabei trocando as bolas!

    Vou reescrever: Meu Deus, meu pensamento foi muito semelhante ao seu, NETO! o.o’ Até usei “sexy” para me referir a Fire & the thud no meu comentário sobre o Humbug, no meu blog. Interessante e corajoso, de fato, é o Humbug. Tá me deixando quase em catarse.

    kkkkkkkkkkkkkkkk

  • Ok, Tatiana (ou Tati, como disse o Alex, achando que é íntimo). Me ofendi no começo, mas agora já estou mais calmo e te desculpo, tá? Hahaha. Li sua resenha e, de fato, temos várias idéias em comum em relação ao Humbug. =D

  • Ui. “Nós temos idéias parecidas, vamos sair?”

  • HAHAHA! Fica com ciuminhos não, Alex.

  • Fica com ciuminhos não, Alex. [2] kkkkkkkkkkk

  • Thaís Imbroisi

    Um tanto viciante esse CD…
    😀

  • N

    Ouvi o álbum inteiro apenas uma única vez e não gostei muito. Ainda prefiro os anteriores. Talvez eu ouça mais alguma vez e vejo no que dá.

  • Thiago

    Vamos fazer uma análise desse album com o Desert Sessions e o Era Vulgaris do Josh Homme.
    Esse album pode ser chamado de um primo próximo do Era Vulgaris e um irmão adotivo do Desert Sessions.
    Primo do Era pq duas faixas daquele poderiam estar facilmente nesse, ou o contrário, que ninguém estranharia (“Suture Up Your Future” e “River In The Road”).
    E irmão adotivo do Desert Sessions pq o Desert Sessions é um projeto que carrega a bandeira do “Somos garagem, e fazemos o som que quisermos, e não importa se você não gostar”. É um projeto totalmente descomprometido. Um curtição total, e é isso que mais me atrai nele. Já o Humbug é o terceiro album de uma banda criativa que quis inovar o seu som. E isso deu muito certo. Mas com Josh Homme produzindo, era certeza que o resultado me agradaria. Mas a prova de fogo da banda será mesmo o quarto album, caso não contem com Josh Homme na produção. Aí sim eu quero ver a evolução musical deles sem a influência marcante do Josh.
    Caso contem com ele novamente no próximo, ah, aí certamente será mais um ótimo album da banda, como Humbug está sendo.
    Mas pra mim o cd que realmente tem a cara dos Macacos é o Whatever e, muito provavelmente, tem tudo pra continuar sendo.

  • Isadora

    Eu só me decepcionei com “Fire And The Thud”, achei que destoou um pouco do resto do CD, e quem já conhecia a versão acústica provavelmente concorda comigo, é muto melhor. De qualquer forma esse CD está mais que perfeito, me faz sentir calafrios muito mais intensos do que os dois anteriores igualmente perfeitos hehehe

  • Walter Carvalho

    Assustei um pouco, quando no decorrer das gravações, a imprensa noticiava que os caras estavam em território americano, e recebendo uma mãozinha de Josh Homme, aí, claro, a primeira coisa que me veio no melão foi, puxa vida, lá se vão 4 garotos ingleses, que nos brindaram com 2 petardos sonoros, genuinamente ingleses (buzzcocks,teardropes explodes,dr. feelgood,penso que seriam as fontes de inspiração dos garôtos, será ?), tentando bancar agora uma banda de stoner-rock, nos moldes dos QOTSA, Fu Manchu, Eagles of Death Metal e outras do estilo, será que vai ficar legal ?… mas, passado o susto, o que importa é que os garôtos nos surpreêndem mais uma vez, com um belo disco, que na verdade, foge a cartilha dos 2 primeiros, mas, que nem por isso, apesar da influência de outras praias ( aquelas ensolaradas…americanas mesmo ), deixou de soar totalmente inglês, ou seja, praia com aquêle clima friozinho, pesado, denso, chuvoso e sombrio, mas….muito…muito belo, obrigado garôtos, e que venham novas investidas.

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  • john

    A sensação q esse album me passa lembra o bleach do nirvana… ainda não sei se gostei

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