20 dez 2012

As Melhores Músicas Internacionais de 2012

Por  @15:48

Depois de pegar opiniões, catalogar, mostrar e receber elogios e reclamações exaltadas de pessoas aparentemente ofendidas com nossas primeiras listas de 2012 (Top 20 Músicas Nacionais e Top 20 Discos Nacionais), resolvemos… continuar com elas, obviamente. Pra hoje, temos as 20 Melhores Músicas Internacionais de 2012. E sinta-se livre pra deixar seu ranking nos comentários.

20) The Killers – Battle Born

“Battle Born”, a música, é simbólica para o The Killers. Seu título é o mesmo do álbum e também aparece na bandeira do estado de Nevada, nos EUA, terra natal da banda. Battle Born, o disco, foi recebido com diferentes reações pelo público e crítica – boas e ruins. Essa faixa está na lista de melhores por mérito: tem uma estrutura crescente, típica de apresentações em estádios, com final apoteótico. Vocação para shows de arena a banda já mostrou que tem, e músicas como essa indicam que o trabalho dela tomou essa direção. E sim, isso é positivo. – Gregório Fonseca

19) Delta Spirit – California

“California”, a música em questão, parece ser sobre correr atrás do que foi perdido. Pulsante, a bateria te carrega por essa jornada. Cada instrumento que se encaixa no arranjo, durante a trajetória, é algo novo a se descobrir. Parece melancólica, parece esperançosa e é essa confusão que torna ela mais sentimental ainda. Intensa, diz pra rasgar você por dentro: “And though my heart will fight until its dying breath. You’re not for me.” O desafio é não querer ouvi-la várias vezes seguidas e fazer a mesma viagem pra “California” repetidamente. – Iberê Borges

18) M.I.A. – Bad Girls

“Live fast, die young. Bad girls do it well.” Tinha tudo pra ser mais um tema descartável de Rihannas e Ke$has da vida. Em vez disso, a letra ganha tons irônicos e produção de gente grande – a saber, do midas pop Danja -, criando um dos ápices da carreira da M.I.A., que nem precisou lançar disco em 2012 para colocar hit seu nas paradas. Demorando cravados 40 segundos para entregar o batidão nervoso, a cantora coordena algo como um dancehall oriental, violento e com refrão viciante. E como se não bastasse, “Bad Girls” ainda tem um dos grandes clipes de 2012, com direção assinada por Romain Gavras.  - Neto Rodrigues

17) Animal Collective – Today’s Supernatural

O Animal Collective lançou outro bom álbum – ninguém duvidava disso. E entre várias faixas boas e refrescantes do álbum, “Today’s Supernatural” é a que mais se destaca por ser empolgante. Mesmo com toda maluquice, na qual a banda é especialista, o refrão pop carrega você pra onde quer que eles estejam te chamando. Porque a viagem, na verdade, já está dentro da sua cabeça. E esse é o poder que a música tem (e essa, mais ainda). – Iberê Borges

16) Solange – Losing You

Seria praticamente impossível não sair uma bela canção pop diante da equipe que foi recrutada para trabalhar em cima de “Losing You”. Com produção assinada por Blood Orange (Lightspeed Champion) e Kevin Barnes (of Montreal), a faixa corre sobre uma base de batidas e palmas sintetizadas irresistíveis. Enquanto isso, Solange canta sobre um relacionamento desgastado e o iminente término. Tendo um dos refrões mais deliciosos do ano, “Losing You” é daquelas canções para deixar no repeat durante toda uma manhã ensolarada. - Neto Rodrigues

15) Temples – Keep In The Dark

Temples são dois integrantes da banda The Moons, que, por sua vez, é a banda que o tecladista Andy Crofts mantém enquanto não está em turnê com Paul Weller. Com influências diversas de bandas psicodélicas britânicas e americanas, o Temples tem um punch e uma elegância que o Tame Impala, por enquanto, só arranha. A banda tem apenas seis músicas. Quatro delas foram retiradas do YouTube sem mais explicações, mas “Keep In The Dark” continua disponível no clipe abaixo. Anote aí: é a banda de 2013. – Victor Bianchin

14) Grimes – Oblivion

Não é sempre que temos uma das músicas mais estranhas do ano também ocupando posição de destaque em listas das melhores. E é o que acontece com a fascinante “Oblivion”, da canadense esquisitinha Grimes. Enquanto tentamos definir se quem canta é uma criança em processo de aprendizagem ou algum adulto que curte experimentações, as batidas e a melodia viciante te envolvem até você perceber que está de pé, dançando de forma tão esquisita quanto a música em questão. Weird sells. E, neste caso, convence. - Neto Rodrigues

13) Keane – Disconnected

Strangeland não é um álbum de hits, mas “Disconnected” não foi o primeiro single do disco mais recente do Keane por acaso: a canção tem o refrão mais marcante de todo o trabalho e traz uma sensação de nostalgia aos fãs que estranham a banda desde o momento em que ela resolveu incluir guitarras em suas gravações. A música caberia bem no primeiro (e mais querido) disco do Keane, ao lado de hits como “Somewhere Only We Know” e “Everybody’s Changing”. “Disconnected” foi tocada pela primeira vez em um show em 2010, mas só ganhou uma gravação em 2012 – período que foi o suficiente para amadurecê-la. – Gregório Fonseca

12) Grizzly Bear – Yet Again

O indie rock elaborado e torto do Grizzly Bear conseguiu, mais uma vez, arrebatar tanto fãs “das antigas”, quanto desavisados que toparam por acaso com o som brooklyniano do quarteto. Em “Yet Again”, a melodia intrigante de guitarra e baixo segura os versos enquanto frases subjetivas e pessimistas são jogadas no ar. No refrão, a bateria se contém, um teclado tímido aparece e a parceria vocal entre Daniel Rossen e Edward Droste se mostra como um dos grandes momentos do ano – que se expande em seus suspiros finais, deixando um rastro caótico reverberando nos ouvidos mais sortudos. - Neto Rodrigues

11) Dirty Projectors – Impregnable Question

“Impregnable Question” é algo perdido entre Paul McCartney e Bee Gees, e também o momento mais sorridente do álbum lançado esse ano pelo Dirty Projectors. Abusando do romantismo, Dave Longstreth inventou uma forma disso não se tornar piegas – e foi criando a melodia mais linda do ano, para dizer: “What is mine is yours, in happiness and strife. You’re my love and I want you in my life”. Caprichou, diz aí. – Iberê Borges

10) The Vaccines – No Hope

“It’s hard to come of age”, chora Justin Young, nesta música que é praticamente um pedido para ele mesmo se deixar em paz. É saudável: lutar contra seus demônios em suas músicas costuma dar certo. Principalmente quando você tem uma banda tão talentosa e capaz de criar melodias viciantes como os Vaccines. No começo do ano, quando a banda se apresentou por aqui, “No Hope” ainda estava em uma forma mais bruta e parecia Ramones. A versão final, mais sensível, deixa mais espaço para prestar atenção à letra. Os Vaccines estão se tornando uma grande banda, fazendo questão de comer pelas beiradas. – Victor Bianchin

09) Tame Impala – Elephant

É mais provável que o Wilco volte ao país do que “Elephant” deixar seu ouvinte incólume ao riff marcial disparado pela guitarra do malucão australiano Kevin Parker, líder do Tame Impala. Hit instantâneo e acachapante, a música ainda joga no ar o cheiro de entorpecentes setentistas. Beatles encontra Black Sabbath. Led Zeppelin encontra Wolfmother. Tudo isso em marcha reduzida e com a psicodelia sendo saturada até atingir a tênue linha entre o insuportável e o genial. Por sorte, prevaleceu a segunda opção. - Neto Rodrigues

08) Frank Ocean – Pyramids

Eu tenho algumas linhas para falar sobre “Pyramids”, mas seria possível encurtar esse caminho e definir apenas como obra-prima. Assim como a própria pirâmide, a décima faixa de Channel ORANGE sobe, chega a um ápice e desce até atingir o nível de sua base no final. Por quase dez minutos, Ocean é capaz de manter o encanto de uma forma que poucos conseguem fazer na música pop hoje — e talvez na história. Batidas diferentes, momentos dançantes e outros calmos se intercalando com perfeição. Resumindo, é um trabalho de gênio, assim como todo o álbum. – Victor Caputo

07) Cloud Nothings – Wasted Days

Segunda faixa do álbum de renascimento da banda, “Wasted Days” é uma das mais significativas nesse processo. Em uma sonoridade visceral, Dylan Baldi emprega toda a fúria que comanda o álbum em uma faixa de nove minutos. A música transborda energia, desde seu começo com uma voz forte e rasgada, até o final explosivo, que chega depois de alguns minutos instrumentais regidos por pitadas de psicodelismo punk rock. – Victor Caputo

06) Rolling Stones – Doom And Gloom

Com meio século de carreira, os Rolling Stones já passaram da obrigação de ainda ter que lançar grandes clássicos. Seu legado já é praticamente inabalável. Mas vai falar isso pra Mick, Keith, Charlie e Ron. Comodismo não é com os caras. Digo, com os vovôs – que parecem querer dar uma lição na moçadinha “do rock” atual. Pra isso, dá-lhe riff humilhantemente simples e eficiente, acompanhado de refrão com punch digno dos grandes álbuns do grupo. Com Mick cantando – e se movendo – como o Jagger clássico, os Stones provam que não perderam a mão. Rock n’ roll é com eles e ponto final. A única dificuldade é manter o ritmo com a idade. Mas aí é problema nosso. - Neto Rodrigues

05) Alabama Shakes – Hold On

A guitarrinha do começo faz parecer que estamos ouvindo “My Girl”, dos Temptations, mas é a voz de Brittany Howard que aparece, anunciando mais um clássico instantâneo dos Alabama Shakes. O blues/rock/soul/pop da banda arrancou elogios da imprensa no mundo inteiro e esta faixa, o primeiro single, ajudou no hype. No ano passado, quando elegemos “I Found You” uma das dez músicas de 2011, perguntamos se os Alabama Shakes seriam a banda de 2012. Talvez não, mas com certeza chegaram perto. – Victor Bianchin

04 – Japandroids – The House That Heaven Built

Destaque maior do impressionante Celebration Rock, “The House That Heaven Built” poderia ser composta – ou pelo menos imaginada – por todos aqueles que fazem air guitar no meio da firma sem se importar com quem estiver olhando. Por todos aqueles que percebem as sensações e emoções chegando, uma a uma, separadas ou ao mesmo tempo, definidas ou formando um caos incompreensível – mas mais claro do que quase tudo que já ouvimos nessa vida. O grande hino rock deste século, até agora, acontece como uma ode barulhenta à máxima “carpe diem”. Só que, aqui, o clichê senso comum, usado muitas vezes como muleta, é substituído por berros de todo mundo que já foi – e/ou ainda são – jovem, admirado e assustado com a vida à frente. A confusão se mistura, amedronta e, talvez até inconscientemente, fortalece. No fim, você pode até não ter reparado na música ao longo do ano, mas pode ter certeza que ela se manifestou em todas as vezes que você pensou em mandar alguém “go to hell”. Da próxima vez, nem pense. - Neto Rodrigues

03) Garbage – Control

A intro delicada, embalada por um piano, desaparece repentinamente para dar espaço a uma parede de som erguida pelos riffs trovejantes das guitarras e por uma parte de gaita (!) tocada por Butch Vig. “Eu confesso que perdi o controle”, lamenta Shirley Manson, enquanto as guitarras rasgam os alto-falantes. É como se o grunge nunca tivesse acabado. – Victor Bianchin

02) The xx – Angels

Uma guitarra começa solando de forma delicada, e entre cada nota o silêncio toma conta brevemente. O começo de “Angels” é uma síntese do que é o The xx, minimalismo puro. Um jogo entre o som e a ausência dele. Algo como a técnica de luz e sombra de Caravaggio aplicada à música. A voz de Romy está do mesmo jeito que já conhecemos. A letra, delicadíssima, diz “You move through the room like breathing was easy”. Tem como ser mais bonito do que isso? – Victor Caputo

01) Arctic Monkeys – R U Mine?

O amadurecimento complexo dos macacos poderia culminar em outra baladinha poética, mas 2012 foi um ano em que eles começaram a relaxar. “R U Mine?” é uma pedrada engatada na quinta que não deixa tempo pra filosofias nem rancores – ou você é contagiado pelo groove, ou larga esse negócio de ouvir música, porque não é sua praia. O incansável riff que passeia pelos falantes enquanto Matt Helders desaba as baquetas em seu kit é, de longe, uma das melhores coisas que o rock pariu nesta década. Parece que, finalmente, os Monkeys conseguiram casar seu lado mais sério com o espírito adolescente do começo. Isso sim é evolução. – Victor Bianchin

Existem 19 comentários sobre este post.

Comentários

Eduardo Pepe 20 dez 2012

Faltou “Every Single Night”, da Fiona Apple, e “All The Rowboats”, da Regina Spektor, mas Alabama, Japandroids, Garbage, Frank Ocean e Grimmes mandaram muito bem esse ano.

Eduardo Pepe 20 dez 2012

Ah…. ainda tem a famigerada “Somebody That Used To Lneo”, que se tornou hit pop, mas diferente de “Gangnan Style” (lixo divertido) e “Call Me Maybe” (simpática e enjoativa), é uma música, realmente, boa.

Eduardo Pepe 20 dez 2012

E tem a M.I.A. que me iludiu que ia lançar álbum esse ano, mas, pelo menos, lançou uma de suas melhores músicas.

Mariana Andrada 20 dez 2012

Cadê This is The Girl, da Patti Smith, e Revolution, do Dr. John?

Fernando Siqueira 20 dez 2012

HAHAHAHAHA, essa lista é uma piada. The Killers? Keane? Quem escolheu essas faixas? Lembro que este site já foi bom um dia, resolvi visitá-lo novamente e tenho esta péssima surpresa. Que mancada…

Glauco 21 dez 2012

Tame Impala com Elephant em oitavo lugar?!? piraram…

johanssen k. 21 dez 2012

Q???????????????????? Grimes é o maior lixo pseudo indie que inventaram nos últimos anos. DON’T BELIEVE THE HYPE

Ricardo 22 dez 2012

1. Antony and the Johnsons – Cut the World
2. Grimes – Oblivion
3. Perfume Genius – Hood
5. Trust – Sulk
6. Dirty Projectors – Gun Has No Trigger
7. Bat for Lashes – Laura
8. King Felix – Spring 01
9. Jessie Ware – Wildest Moments
10. Purity Ring – Fineshrine
11. Crystal Castles – Plague
12. Nite Jewel – One Second of Love
13. Julia Holter – In the Same Room
14. Sharon Van Etten – Give Out
15. Escort – Makeover
16. Light Asylum – Shallow Tears
17. Sky Ferreira – Everything Is Embarrassing
18. AlunaGeorge – You Know You Like It
19. Beach House – Myth
20. Chairlift – Amanaemonesia
21. Daughn Gibson – Tiffany Lou
22. Holly Herndon – Fade
23. Katy B – Aaliyah
24. Madonna – Girl Gone Wild
25. Icona Pop – I Love It

Hendrix 24 dez 2012

Lista muito boa, tirando o Frank Ocean, nada de mais esse cara. Só acho q faltou “Simple Song” do The Shins e “I Will Wait” do Mumford & Sons

Vandemberg 24 dez 2012

Faltou o “Sun” Da Cat Power!

Eduardo 25 dez 2012

Sempre vai faltar alguma coisa, pra todo mundo. Já me bastou só por ter Grimes e Solange. E meu Deus, “Johansen”, que palavreado tosco é esse? “Hype”, “Pseudo Indie”? Quero distância de pessoas que dizem esses lixos como você. Tenho muita preguiça.
Música é música.

Henrique Vieira 25 dez 2012

“Take it away, honey”

Merecidíssimo o pódio.

Henrique Vieira 25 dez 2012

Ah, sugestão pras próximas listas, principalmente de canções, é lançar a lista com um player do grooveshark ou similar com elas e tal. Ia ser massa. (e me pouparia o trabalho de fazê-lo)

Leocádia Joana 26 dez 2012

São tantas…posso citar algumas:
1 – Dirty Ghosts – Ropes That Way
2 – Hot Chip – Night and Day
3 – Jack White – Sixteen Saltines
4 – RAC feat. Penguim Prison – Hollywood
5 – The Bamboos feat. Tim Rogers – I Got Burned
6 – Mark Foster, A-Trak and Kimbra
7 – Foe – Cold Hard Rock
8 – Joey Ramone – Rock in Roll is the Answer
9 – Muse – Singn O’ The Times(Radio 1-live)
10 – Dirty Projectors – Gun Has no Trigger

Garibaldi Pinto 26 dez 2012

…e mais algumas:

1 – Regina Spector – Don’t Leave Me
2 – Grimes – Genesis
3 – Gossip – Move in the Right
4 – Norah Jones – Happy Pills
5 – Dragonette – Lei it Go!
6 – Ladyhawke – Girl Like Me
7 – Lana Del Rey – Go Go Dancer
8 – Tennis – 0rigins
9 – The Asteroids Galaxy Tour – Heart Attack
10 – Yuna – Sparkle
11 – Dum Dum Girls – Coming Down
12 Martina T.Bird/Wairpaint/Mark Lanegan – Crystalised

Priscila 27 dez 2012

Não pensei que Losing you estaria nas melhores, acho que ela não traz nada de novo, e o que traz e já conhecemos não é tão legal pra ser melhor q Bad Girls.

Lista de melhores causa revolta e transtornos no transporte público, então vou parar por aqui. Só queria que o Vampire Weekend tivesse lançado material novo pra eu ver minha banda favorita no top 10.

Klicyelle 24 fev 2013

Garbage \o/

jarison dos santos santana 9 abr 2013

esa linda

Marcelo 9 jun 2013

Gostei muito das suas resenhas, embora algumas não correspondam às músicas em questão, mas quanto a isso fica pra subjetividade de cada um… Parabéns pelo seu site.