O trabalho mais recente do Pixies e o que esperar do show da banda no Lollapalooza Brasil

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Não tem jeito. Quando o papo é Pixies, “Where Is My Mind?” é uma das grandes referências. A harmonia eternizada pelo longa Clube da Luta (1999) por muitos anos foi uma das mais marcantes ‘caras’ da banda. Há muitos outros sucessos, passagens, acertos e melodias, mas a extensa pausa no lançamento de material oficial – o último havia sido Trompe Le Monde (1991) – deixava a sensação de dívida por parte dos membros do grupo.

De lá pra cá, vieram compilações, relançamentos e tentativas, mas nada muito concreto e que agitasse o gênero. A espera teve seu fim em setembro do ano passando, quando entrou em cena EP-1 com quatro inéditas: “Indie Cindy”, “Another Toe In The Ocean”,” Andro Queen”,  e “What Goes Boom”. O material já foi debatido e, particularmente, me convenceu.

Tratemos aqui de EP-2, outra pequena joia disponibilizada em janeiro pelo grupo norte-americano. Com dois clipes no ar (“Magdalena” e “Blue Eye Hexed” já transitam por aí com liberdade) e mais duas composições batizadas de “Greens and Blues” e “Snakes”, o projeto traz o Pixies de volta. A surpresa é ainda melhor para os fãs que vão ao Lollapalooza Brasil. Saber que uma das bandas mais “cascudas” da história está motivada e que deve dar tudo de si ao vivo é empolgante.

Kim Deal saiu e o baixo agora tem outra dona. A argentina Paz Lenchantin (ex-A Perfect Circle) assume e tem pela frente a oportunidade de construir um percurso sem destino e com cheiro de novo.  O que esperar? Motivação. Pelas canções, o ímpeto pelo grunge parece ter ressurgido. “Magdalena” é candidata a hit e escancara a vontade do Pixies: retomar de vez seu poder de criação e conquista. “Snakes” é doce.  Feita com jeito de trilha sonora feliz, tem sua vez no acervo como coadjuvante a se prestar atenção, assim como “Greens and Blues”, ambas com um lado meio Arcade Fire de ser. Esta última, inclusive, remete ao romantismo que sempre fez parte da trupe. Por fim, “Blue Eyed Hexe” é, em minha opinião, a queridinha de todas. A música é a cara da banda, com significado indefinido e simplicidade. Para gritar, ouvir de novo e balançar a cabeça.

E enquanto esperamos abril chegar, vale rever a performance intimista que o Pixies fez recentemente para a série de apresentações Tiny Desk Concert.