Atoms For Peace - Amok

Atoms For Peace
Amok

XL Recordings

Lançamento: 25/02/13

Eu costumo escrever sobre canções e o Thom Yorke parece não se importar tanto com isso no momento. O momento é das aventuras eletrônicas, basicamente. “Atacando de DJ” ou à frente do seu novo projeto, o Atoms For Peace, ele vem testando ritmos e repetições, juntamente com as texturas, o que sempre foi seu forte com o Radiohead. Mas o Atoms For Peace não se parece exatamente com uma banda, mesmo tendo em seu time o gigante Flea (Red Hot Chili Peppers), Mauro Refosco (percussionista brasileiro que já esteve ao lado de David Byrne, Brian Eno e Red Hot, também) e Joey Waronker (baterista que já foi do grupo do Beck, Elliot Smith, excursionou com R.E.M. e gravou para Paul McCartney, Johnny Cash, Gnarls Barkley, Air e mais pra uma gigantesca lista). Ah, temos também SÓ o Nigel Godrich, que, caso você não o conheça, é o responsável pela engenharia de som e produção dos álbuns do Radiohead e do Thom Yorke solo, mas que também já esteve com Travis, Paul McCartney, Air, Here We Go Magic, Beck e outra lista infindável. Só que talvez seja esse o sujeito brilhante que, ao lado de Thom Yorke, faça o Atoms for Peace ser uma banda “menos banda” do que esperávamos.

O novo quinteto de Thom pouco se parece com o tradicional quinteto dele (a não ser no que é óbvio). O trabalho soa como uma continuação daquilo que ele começou com The Eraser, em 2006. Amok, o álbum de estreia do Atoms For Peace, é guiado pelos mesmos princípios aplicados por Thom no seu registro solo. The Eraser parecia o meio do caminho entre o Radiohead e algo totalmente focado nas experiências eletrônicas, que estão sendo experimentadas, na prática, agora, em Amok. Esse álbum é o ponto de chegada – só não imaginávamos que o destino teria essa aparência tão fria.

Com esse time, quem preveria que uma aura sintetizada seria a presença mais marcante da estreia? Eu não. Afinal, não era isso que se via nas apresentações da banda quando era ela que acompanhava a turnê de The Eraser. A repetição estava lá. Os versos quase em código de Thom, também, além dos timbres dos sintetizadores. Mas eles apenas compunham aquele cenário orgânico, onde o ritmo de um baixo marcante e uma percussão altamente elaborada entravam em contraste e criavam uma atmosfera realmente empolgante. Sendo diferente disso, Amok é um disco ruim? Não. Longe disso – mas chega a ser um tanto decepcionante.

Havia uma carga emocional nas apresentações, durante as quais até cover de “Love Will Tear Us Apart” rolava, o que não passa nem perto do trabalho finalizado no disco. Vou culpar Nigel Godrich? Ah, creio que ele não vá se incomodar com isso. E, com méritos e deméritos divididos, conseguimos pontuar grandes momentos, como a mais humana faixa do disco, que abre o mesmo, “Before Your Very Eyes…”.  Grande música que é, empolga e desenvolve diversas camadas para te imergir naquilo que o álbum poderia ser e acaba não sendo. “Stuck Together Pieces”, “Judge, Jury and Executioner” e “Reverse Running” são outras que possuem essa boa característica.

Nos momentos mais frios e sintetizados, ainda encontramos boas canções que sustentam a obra como um todo – são elas “Dropped”, “Unless” e “Default”. Sendo que assim, no fim das contas, Amok não parece uma grande decepção. O problema é só sentir isso depois de muito calcular e relevar falhas com certa frieza. A ausência de sentimento, marcante no LP, é o grande segredo para que nós, ouvintes, consigamos entender o valor do álbum de estreia do Atoms For Peace – só que você pode escolher não usar esse segredo, e aí tudo pode passar em branco.

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  • Gabriel

    Ausencia de sentimento??, acho que voce foi mal nessa resenha ai, repara bem, voce elogiou quase toda musica, o que falta nesse album não é sentimento, a voz de Thom Yorke sempre esta carregada disso, o que falta no album é a presença dos outros membros e instrumentos acusticos, mas se voce conhecesse um pouco mais desse projeto iria saber que esta é a proposta, algo sintético para se tornar organico ao vivo, por isso veio o nome da banda, musica hoje em dia está além de um simples album, resenha fraquissima, sem conhecimento.

  • Vitor

    “Eu costumo escrever sobre canções e o Thom Yorke parece não se importar tanto com isso no momento.”

    Discordo 100%. Acredito (e percebo, aos meus ouvidos) que o Thom está na verdade em busca de novos parâmetros em ritmo, melodia e estrutura. E como a letra se encaixa na música. Ouça por exemplo “Dropped” lendo a letra. Parece que faz uma diferença danada.

    Enfim, acho o AMOK muito mais engajado do que eu imaginava que ia ser.

  • https://twitter.com/popmata Iberê Borges

    Gabriel, por isso disse:
    “Sendo que assim, no fim das contas, Amok não parece uma grande decepção. O problema é só sentir isso depois de muito calcular e relevar falhas com certa frieza.”
    Veja bem, eu senti falta de sensibilidade. :\
    E Thom pra mim é mestre!

    Vitor, esperávamos coisas diferentes do Amok. :D
    Thom sempre está atrás disso, por isso ele é tão foda!

  • Gabriel

    O grande defeito de thom yorke e radiohead é o alto padrao, amok eh um album que na mao de varias outras bandas seria obra prima, mas nas maos de thom yorke, é, pra mim, um otimo album nota 8, é só compraramos com por ex: o hype sobre o the XX, Amok eh um album muito mais complexo que qualquer musica deles e muito mais completo, mas o The XX recebeu criticas relativamente melhores à de Amok, pq o nivel é outro

  • Veruca Salt

    Tom e as dancinhas – típico!