Austra - Future Politics

Austra
Future Politics

PINK FIZZ RECORDS

Lançamento: 20/01/2017

Future Politics, o terceiro trabalho do Austra, é feito dos mesmos materiais que seus antecessores. A voz bela e potente de Katie Stelmanis ocupa o centro das produções da banda, acompanhada de sintetizadores gélidos e batidas mecânicas. E nesse terceiro álbum, a banda foca ainda mais no aspecto eletrônico de seu som: enquanto backing vocals e alguns toques mais orgânicos agraciavam seus discos anteriores, esse é praticamente uma planície infinita de eletrônicos, com a voz de Stelmanis como único ponto de foco no horizonte. E embora essa combinação crie um clima interessante, ela nunca chega a se consolidar totalmente no disco.

Por um lado, a banda parece tentar se aproximar do estilo pop eletrônico e estranho de artistas como The Knife e Fever Ray. Nesse sentido, o maior sucesso do disco é a oitava faixa, “Gaia”. Nela, a voz de Stelmanis mostra uma dinâmica que não aparece nas demais composições: ela é suave nos versos e potente nos refrões, e o acompanhamento sutil dos teclados dá um senso de ameaça intrigante à faixa. “Future Politics” e “Utopia” seguem no mesmo estilo, mas não têm esse mesmo alcance dinâmico. As três composições, no entanto, carecem de um gancho melódico ou de qualquer som mais marcante que as diferencie imediatamente das demais, e mesmo seu andamento é bem parecido, com a dinâmica entre as partes de “Gaia” dando a ela algum destaque.

Por outro lado, o grupo também parece focado em criar uma ambientação e uma atmosfera envolvente com os recursos eletrônicos que pudessem, por si só, tornar suas faixas interessantes. “We Were Alive” abre o disco nessa pegada, e tem algum sucesso graças ao impacto emocional de seu arranjo esparso e da linda performance de Stelmanis. “Beyond a Mortal”, a penúltima e mais longa do disco, também usa essa estratégia para um efeito interessante, e “I’m a Monster” e “Freepower” parecem ir no mesmo sentido. E, de fato, é legalzinho ouvir as músicas, e há nelas uma emoção paupável, mas falta muito para que elas se sustentem apenas com base na atmosfera e nos vocais da cantora.

O restante das faixas fica entre essas duas tendências, se aproximando mais de uma ou de outra. “Angel In Your Eyes” tem uma batida quase hip-hop e um clima um pouco mais extrovertido; “43”, a última, é mais introspectiva, lenta e meditativa. Assim como as demais, contudo, falta a elas qualquer coisa que realmente salte aos ouvidos. As partes das músicas não se diferenciam umas das outras, os sons eletrônicos não tem muitas variedades e a voz de Stelmanis, por mais bonita que seja, não é suficiente para aguentar os 45 minutos do álbum sob os holofotes. Conforme o disco vai chegando ao final, a esperança de que a banda mostre algo mais variado vai se apagando.

Com isso, sobra pocua coisa além da sua sonoridade geral, que mistura pop eletrônico de clima introspectivo a vocais potentes. É um som interessante e suficientemente bem trabalhado para agradar aos fãs de bandas nesse estilo, mas ele não tem quase nada que distingua o Austra de outras bandas semelhantes. É um pouco triste que a banda consiga acertar o básico mas pareça não conseguir ir além — algo que é ainda mais grave considerando que eles estão no terceiro álbum. Há verdadeira emoção e competência no terceiro álbum do Austra, só não há composições que ilustrem isso muito bem.

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