Austra - Olympia

Austra
Olympia

Paper Bag

Lançamento: 17/06/13

Em 2011, o Austra lançou seu álbum de estreia, Feel It Break, apresentando ao mundo seu som gélido e eletrônico. Suas canções lentamente construídas lembravam o Fever Ray e, às vezes, uma versão mais pop do Crystal Castles, mas ganhavam uma dimensão humana e sentimental extra graças à potente voz de Katie Stelmanis, cuja formação clássica era bem explorada na forma de belos vibratos e melodias delicadamente executadas.  Ao longo dos dois anos seguintes, o grupo cresceu de um trio para um sexteto, com a adição de um tecladista e duas cantoras de backing vocals ao núcleo composto pela cantora, a baterista Maya Postepski e o baixista Dorian Wolf. Foi essa banda maior que compôs e lançou Olympia, segundo disco da carreira dos canadenses.

Apesar do grande número de membros, o som do disco ainda é predominantemente eletrônico, assim como o anterior. Em certos momentos, porém, é possível perceber algumas mudanças interessantes na sonoridade da banda. O procedimento quase minimalista de desenvolver as canções e melodias a partir de fragmentos e camadas de sons, que podia ser percebido em várias faixas do disco anterior (como as ótimas “The Beat And The Pulse” e “The Villain”), aparece bem menos aqui. E embora ele tivesse frequentemente resultados legais, sua ausência traz à banda algumas vantagens.

A primeira delas é que as canções parecem evoluir de forma mais orgânica e espontânea, e não fria e calculadamente como no disco anterior. Se Feel It Break parecia, muitas vezes, uma coletânea de sons programados com uma voz gravada por cima, nesse álbum há vários momentos em que, apesar da sonoridade sintética, parece realmente haver uma banda tocando junta numa sala. O excelente refrão da “Painful Like” (candidata a melhor do disco) e o groove dançante de piano, baixo e bateria do meio da “Home” ilustram bem isso. Alguns toques de violino e flauta que aparecem ao longo do disco ajudam também nesse sentido, e o suave detalhe de harpa que aparece depois dos refrões da bela “Hurt Me Now” dão vida e brilho a uma balada que já seria boa mesmo sem esse traço delicado a mais.

Além disso, o fato de que as frases e batidas não sejam construídas de forma tão lenta e gradual dá ao disco um ritmo bem mais ágil. A estreia do grupo tinha 11 faixas e 49 minutos; esse trabalho tem 12 faixas e 45 minutos. Mesmo com uma faixa a mais, sua duração ainda é menor. As canções aqui são mais diretas e objetivas, sem que por isso o clima de introspecção e mistério trazido pelos sintetizadores se perca. A primeira faixa, “What We Done?” é, com cinco minutos, a mais longa do álbum, e praticamente só decola depois da metade, mas funciona bem tanto por ser exceção a essa regra quanto (talvez em consequência disso) por ser a faixa de abertura. A seguinte, a excelente “Forgive Me”, lembra “Lose It”, do disco anterior, mas é ainda mais grudenta e sucinta, representando bem, dessa forma, boa parte das faixas que virão em seguida.

A banda também aproveita para explorar territórios menos conhecidos e seguros, e o faz com resultados mistos. “You Changed My Life”, a penúltima, começa só com piano e voz, deixa a banda tocar sozinha um pouco e… acaba sem nada de muito interessante. “I Don’t Care (I’m a Man)” funciona bem como interlúdio entre as duas metades do disco, parecendo ser uma canção que a banda resolveu não desenvolver além de seu primeiro minuto e meio, mas sua letra, assim como a de algumas outras faixas, é um pouco caricata. Mais exitosas são “Sleep”, cujos versos silenciosos criam uma tensão que o refrão alivia, e “We Become”, que tem um ritmo mais arrastado que contrasta bem com as outras canções.

Assim, Olympia aprofunda certas características que já estavam presentes na estreia do Austra e sugere uma vontade dos canadenses de tornar seu som mais imediato e acessível. Com faixas mais orgânicas, diretas e concisas, o grupo se distancia da frieza de trabalhos eletrônicos mais experimentais e se aproxima do synth pop de grupos como o Young Galaxy. É uma direção bastante coerente com a expansão da banda, já que permite que o entrosamento dos membros apareça bem. Ainda falta um pouco de polimento e foco para que o grupo produza sua obra-prima, mas as melhores músicas de Olympia indicam que eles estão no caminho certo.

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