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Os melhores discos de 2014 até agora

Se em dezembro é época do balanço final do ano, escolhendo os grandes momentos musicais que rolaram nos meses anteriores, em julho é aquela hora para avaliar o que já foi lançado, quem cometeu ótimos discos, quem decepcionou e quem deve figurar em ótimas posições nas listas dos melhores de 2014. Assim, parte da equipe do Move deu uma vasculhada em seus arquivos recentes para resgatar o que de mais interessante tocou em seus fones de ouvido desde janeiro. O resultado são alguns Top 3 de discos internacionais e nacionais. Lembrando que foram considerados álbuns lançados até o dia 1 de julho. Depois de ler nossas escolhas, aproveite e deixe também sua lista.

Adendo importante: a arte caprichada que ilustra este especial é de autoria da nossa colaboradora Priscila.

Por Allan Assis

Discos internacionais:

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How To Dress Well – What Is This Heart?
Enquanto uma série de artistas da chamada new r&b rumam cada vez mais intensamente em direção aos especificismos, como aprisionar o próprio som a certas décadas ou aproximar seu estilo de cantar a mentores do gênero, o norte-americano Tom Krell decide eliminar as arestas que o separavam de uma roupagem mais mainstream. Somem os ruídos e discurso pouco inteligível de início de carreira em nome de uma sonoridade que não abandona totalmente seus experimentalismos, mas o mantém controlados. Letras melancólicas e o acompanhamento de uma banda tiram o projeto How To Dress Well de um nicho e o abrem novas possibilidades.

 

St. Vincent – St. Vincent
O novo álbum de St. Vincent é uma amostra do que se pode obter quando uma artista encontra um meio de testar o excêntrico sem se furtar de uma estrutura musical. A cantora e multi-instrumentista Annie Clark sobe o volume de suas guitarras cada vez mais dissonantes e as mistura a ruídos eletrônicos robóticos, cortesia das influências de Devo. Das letras, críticas à interferência da tecnologia nas interações sociais, encontros com animais peçonhentos regados a substâncias ilícitas e a cultura do “eu”. Rock experimental, mas palatável.

Sharon Van Etten – Are We There
O amor não tem solução, problema que surge do momento em que alguém se percebe apaixonado ao término da relação. Quando cada parte vai ruminar o fim de um lado, pulamos de relação em relação procurando o momento em que pararemos de nos magoar. Em Are We There, Sharon Van Etten se pergunta se a dor tem mesmo fim e se o simples ato de estar em um relacionamento já não traz pequenas tristezas a todo momento. Doce, melancólica e atenta ao cotidiano, despeja canções como “I Love You, But I’m Lost”, “Your Love Is Killing Me” e “Nothing Will Change”, demonstrando que se machucar é inevitável – parte do todo que faz valer a pena.

Discos nacionais:

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Juçara Marçal – Encarnado
Inúmeros escritores já transformaram a morte em personagem, usando tiques, vestimentas e tons negros. Juçara Marçal, entretanto, é a primeira musicista a transformar o tema em registro de canções com a intensidade e complexidade que se exige. Tomando por sonoridade as guitarras esquizofrênicas dos integrantes do Passo Torto e fugindo do lugar comum – a melancolia que traz consigo baixos lúgubres e baterias fora de controle –, a paulistana se envolve num gênero inclassificável, que abarca rock, samba e ritmos africanos numa mistura inconstante, pano de fundo perfeito para a loucura e obsessão dos que se veem diante do fim.

Transmissor – De Lá Não Ando Só
O sexteto mineiro Transmissor tem a rara qualidade da simplicidade. Produtores de um pop rock desses que se têm a ligeira impressão de conhecer antes mesmo de já se ter ouvido, usam a acessibilidade em função de uma sonoridade que jamais resvala nos pedantes fofo-pops, categoria em larga expansão no indie brasileiro. Em De Lá Não Ando Só, recebem a produção diversa de Carlos Eduardo Miranda, que adiciona detalhes eletrônicos e estruturas instrumentais menos previsíveis que os de antes. Nem por isso corta sua leveza, entretanto. O Transmissor ainda é aquela banda que ao tomar os alto-falantes faz sorrir quem os escuta.

Far From Alaska – modeHuman
É fácil se perder usando sintetizadores no rock, sobretudo quando a proposta é trazer mais peso ao gênero. O último aborto do Muse não nos deixa mentir. Reestreando com uma produção sábia de Pedro Garcia, o Far From Alaska – entretanto – entrega um primeiro disco onde o eletrônico serve apenas de aperitivo ao que interessa: guitarras altas e vocais sujos. Reverenciando-se ao garage e stoner rock, o quinteto potiguar entrega 15 faixas recheadas de riffs, porradas na bateria e os vocais em inglês de Emmily Barreto, despontando como mais um nome interessante da cena de Natal.

Por Gregório Fonseca

Discos internacionais:

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Foster The People – Supermodel
No difícil teste do segundo disco, o Foster The People dividiu opiniões. Às vezes nem soam como a mesma banda do dançante Torches. Eles parecem ter sacrificado os sintetizadores pra colocarem mais guitarras. Isso frustrou alguns fãs, mas pode ter servido para arrebanhar novos admiradores. Faixas como “Coming of Age”, “Best Friend” e “Pseudologia Fantastica” mostram que o talento da banda para criação de hits continua em alta.

Kasabian – 48:13
O Kasabian quer ser a maior banda do britrock e os refrões acessíveis de 48:13 podem ajudá-los nessa empreitada. As únicas tentativas da banda em soar complexa são as estranhas vinhetas que permeiam o álbum (e que poderiam ficar de fora sem nenhum prejuízo para o trabalho). O segredo está mesmo na simplicidade, e o grande show que fizeram como headliners do Glastonbury indica que a banda está na direção correta.

Michael Jackson – XSCAPE
O contrato da Sony Music prevê 10 discos póstumos de Michael Jackson. O irregular Michael, lançado em 2010 indicava que seria difícil completar essa meta com qualidade até surgir o surpreendente XSCAPE. A fantástica “Love Never Felt So Good” puxa o disco, que tem mais sete diamantes perdidos e lapidados por produtores atuais. É uma pontinha viva de Michael Jackson que alimenta expectativas por muitas gravações inéditas nos próximos anos.

Discos nacionais:

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Skank – Velocia
O Skank é uma das poucas bandas brasileiras que tem a aceitação de fãs de todos os gêneros musicais, e quem não gosta, ao menos respeita. Isso nos faz encarar com naturalidade as parcerias com Nando Reis, Lucas Silveira (da Fresno), Emicida, BNegão e Lia Paris nas composições do álbum mais recente do grupo. Velocia é uma coleção impecável de hits: dá pra jogar um dado de RPG pra escolher qual será a próxima música de trabalho sem medo de errar.

Titãs – Nheengatu
Muita gente já tinha desistido dos Titãs, mas o período em que ficaram relembrando ao vivo o disco Cabeça Dinossauro fez bem para a banda. Nheengatu é um álbum pesado, politizado e cheio de atitude rock and roll. Nas suas 14 faixas, aborda temas como polícia, miséria, corrupção, pedofilia e respeito à diversidade. Não deve nada aos tempos áureos dos Titãs.

Fernanda Takai – Na Medida Do Impossível
Não é o primeiro disco solo da vocalista do Pato Fu, mas é o que tem mais sua cara. Dessa vez, Takai compôs a maior parte do álbum, com parceiros como Marcelo Bonfá e Pitty. Há regravações de Benito de Paula e Reginaldo Rossi, versões de Julieta Venegas, George Michael e Yann Tiersen e participam do disco Zélia Duncan, Samuel Rosa e Padre Fábio de Melo. Não dá pra encaixar o trabalho como MPB, rock, pop. Fernanda Takai não está aí pra ser rotulada, mas para mostrar que por traz de sua voz aparentemente frágil, está uma artista completa.

Por Gustavo Sumares

Discos internacionais:

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Rodrigo y Gabriela – 9 Dead Alive
Dois violões. Criar um álbum inteiro de música usando só dois violões parece uma proposta limitada, para não dizer insensata. Era isso o que eu imaginava quando fui ouvir o Rodrigo y Gabriela pela primeira vez, e acho que nunca fiquei tão feliz por estar tão errado. O estilo flamenco-metal acústico criado pela dupla mexicana pode parecer inacreditável no papel, mas é uma delícia de se ouvir, conforme atestam “The Soundmaker”, “Fram” e “The Russian Messenger”. 9 Dead Alive é um dos álbuns mais bem compostos do ano; é um disco com uma das sonoridades mais originais e singulares a sair em 2014; é um dos trabalhos mais tecnicamente bem realizados do ano. E, sim, ele foi feito inteiramente só com dois violões.

Swans – To Be Kind
Ainda estamos em julho, mas já me parece seguro dizer que To Be Kind é o MAIOR disco de 2014. Não apenas esse álbum duplo traz mais de duas horas de música, distribuídas em apenas dez faixas, mas ele também soa gigantesco. Coloque a monstruosa “Bring The Sun/ Toussaint L’Ouverture” para tocar, deixe rodando uns 10 minutos e tente não se surpreender quando Michael Gira e companhia começarem a invocar o sol com uma convicção tão estarrecedora que você começa a imaginar que talvez o sol surja do nada mesmo. Esse álbum tem também o mérito de mostrar que The Seer, trabalho da banda igualmente monumental de 2012, não foi um evento isolado, e que a gente ainda pode esperar muito mais música maravilhosamente absurda do Swans.

Cheatahs – Cheatahs
Verdade seja dita: desde que o My Bloody Valentine lançou o antológico Loveless, em 91, o shoegaze não mudou muito. Isso, no entanto, só torna ainda mais impressionante o álbum de estreia dos Cheatahs, um dos melhores esforços nesse estilo desde seu boom na Inglaterra no início dos anos 90. O quarteto consegue temperar o shoegaze de uma forma relativamente original, colocando uma pegada mais punk e agressiva que aproxima sua sonoridade do noise rock do Sonic Youth. Mas o central mesmo é a capacidade que o disco tem de transportar o ouvinte para uma dimensão paralela por meio de cordilheiras de guitarras e distorção. Ponha “IV”, “Mission Creep”, “Fall” ou a excelente “The Swan” nos fones de ouvido e boa viagem.

Iberê Borges

Discos internacionais:

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The War on Drugs – Lost In The Dream
Durante uma hora, tempo que se leva para ouvir todo o mais recente disco do The War on Drugs, a melanconlia se mostra intensa, ainda que não faça estardalhaço. E durante todo esse tempo, a banda da Filadélfia mais do que se inspira em clássicos do rock americano – ela cria um novo.

Sun Kil Moon – Benji
Há algo na desfocada fotografia da capa deste álbum, sexto lançamento de Mark Kozelek como Sun Kil Moon, que muito diz sobre seu conteúdo. Benji é sobre ter a vida em constante e rápido movimento, enquanto se tenta observar a paisagem, mas não se obtém sucesso na definição dos detalhes. Resgatar as lembranças é a forma de identificar essas imagens, e nesse lançamento isso é feito com um incisivo violão, uma poderosa voz e ótimas histórias a serem contadas.

Angel Olsen – Burn Your Fire for No Witness
Esse é o primeiro registro solo de Angel Olsen que tem a altura do seu talento. O registro não procura a alta fidelidade em seus timbres, mas isso evidencia a fidelidade dos sentimentos colocados em cada composição. Do folk mais sombrio ao country mais cheio de lamento, a voz por vezes abafada da cantora, mas sempre com uma interpretação impecável, se soma à sujeira de guitarras e ao silêncio. “Hi-Five” é o ápice.

Discos nacionais:

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Lestics – Seis
A maturidade alcançou o Lestics de vez. Longe dos holofotes, mesmo os do cenário indie nacional, o compositor teve seu tempo para apurar suas composições, e a banda teve incentivo para crescer – disposição não faltou. A produção é de alta qualidade, com melodias certeiras e letras imperdíveis.

Mombojó – Alexandre
Complexo na primeira audição, completo com o tempo. E essa integridade vem com tudo que é acerto e erro também. Mas por ter muito mais acertos e por colocar o Mombojó novamente na estrada da inventividade, Alexandre se destaca e coloca a banda do Recife novamente sob atentos ouvidos – merecidamente e, enfim, novamente.

SILVA – Vista pro Mar
Lúcio mostra que, cada vez mais, está pronto para ser um dos grandes artistas pop da nossa geração. Desta vez, suas músicas ainda que não mirem para o mainstream, chegam mais preparadas. Os arranjos cresceram, as composições amadureceram e o resultado entregue é exemplar.

Neto Rodrigues

Discos internacionais:

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Warpaint – Warpaint
O segundo ato do quarteto californiano não desce tão facilmente quanto a estreia. Mas a recompensa pra quem insiste nos 50 minutos de experimentações, ritmos quebrados e harmonias vocais que hipnotizam com facilidade, é um álbum ousado e que surpreende a cada audição. As letras misteriosas se entrelaçam com arranjos e propostas nada óbvias, ora melancólicas, ora com roupagens mais sensuais.

Chet Faker – Built On Glass
Apesar da calma aparente, Chet Faker pega pesado com o ouvinte logo em sua estreia, com seu som melancólico e letras com histórias comuns a todos nós. A voz, principal componente do álbum, brinca com um r&b elegante e os arranjos eletrônicos são modernos e econômicos. “1998” e “Talk Is Cheap” são destaques instantâneos.

White Lung – Deep Fantasy
Quando um disco nos tira do modo multifunção diário e nos faz prestar atenção exclusivamente ao que ouvimos, é porque a coisa é séria. E com o White Lung não tem brincadeira: são 22 minutos distribuídos em 10 faixas raivosas. É sangue no “zóio”, urgência na bateria e distorção na guitarra. Acaba rápido, mas o botão de repeat tá aí pra isso.

Discos nacionais:

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INKY – Primal Swag
“Echoes In The Groove” dá o pontapé inicial no primeiro disco da paulistana INKY e sintetiza os próximos 40 e poucos minutos de música: som intrigante, meio sombrio, muitas vezes dançante, com o eletrônico se fundindo a um rock espacial suingado e de vocais femininos. Puro swag.

Huey – Ace
Quem topa de forma desavisada com a fúria do Huey, certamente fica impressionado. Difícil não se abalar com o tsunami de riffs raivosos e extremamente bem executados da banda, que nem parece estar apenas em seu primeiro LP cheio, dada a segurança com que mostra seu rock instrumental capaz de derrubar quem quer que esteja na frente dos amplificadores.

Far From Alaska – modeHuman
modeHuman não deve ser exatamente uma surpresa pra quem acompanha o grupo do Rio Grande do Norte desde seu começo. Algo ali já indicava que, quando a banda tivesse a chance de gravar seu debute, o resultado não decepcionaria. E a previsão se faz verdade: mesmo longo, com 15 faixas, o trabalho é consistente e mostra alguns garotos e garotas de Natal fazendo rock encorpado, pesado e cheio de ganchos que insistem em ecoar na cabeça por dias e dias.

Raul Ramone

Discos internacionais:

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Beck – Morning Phase

Beck Hansen mostra mais uma vez que simplicidade é a alma de seus melhores trabalhos. Foi assim com Sea Change, em 2002, e foi assim com Morning Phase, em 2014.

Mogwai – Rave Tapes
Em seu oitavo álbum de estúdio, o Mogwai faz uma interessante experiência pelo universo do krautrock, viajando através de teclados que parecem ter saído da década de 1970. A ligação com o antecessor Hardcore Will Never Die, But You Will é mínima, o que pode causar momentos de estranheza para os post-rockers mais assíduos. Nada que Rave Tapes não consiga contornar.

Sun Kil Moon – Benji
Uma colcha de retalhos emocional. Um dos mais confessionais entre os álbuns de Mark Kozelek pelo Sun Kil Moon. Talvez já na primeira audição você pense: “Como um álbum desses poderia figurar entre os melhores do ano?”. Essa é a ideia da música folk – ir além.

Discos nacionais:

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Ratos de Porão – Século Sinistro
O RDP continua sendo uma das principais referências do punk rock/hardcore brasileiro no mundo. Dez anos depois do último lançamento, a banda volta com Século Sinistro, formado por 13 faixas que não chegam a ultrapassar 37 minutos de duração total.

Nação Zumbi – Nação Zumbi
O segundo álbum auto-intitulado da Nação Zumbi (oitavo lançamento de estúdio da banda) levou sete anos para suceder o mediano Fome de Tudo, de 2007. A espera valeu a pena, mas deixou um gostinho de “quem não arrisca, não petisca” na discografia do coletivo pernambucano fundado por Chico Science. Não que isso seja ruim, claro.

Huey – Ace
Produzido por Aaron Harris (ISIS) e masterizado por Chris Common (These Arms Are Snakes), Ace, o primeiro álbum do Huey, foi gravado no Infrasonic Sound Studio, em Los Angeles. O resultado é uma verdadeira aula de stoner que poucas bandas brasileiras conseguiriam ministrar.

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Assista a “Xscape – Documentary 2.0″, sobre o novo álbum póstumo de Michael Jackson

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Por Roberta Salles

A magia de quem talvez possamos chamar de o eterno rei do pop não tem fim. Michael Jackson era único e, a cada lançamento, cada descoberta, permanece a impressão de que não haverá um substituto. Talvez esta afirmação seja precoce, mas o fato é que, até agora, a cena musical pop não alcançou os patamares de épocas gloriosas, em que o grande menino de Neverland pegava o microfone.

Tanto que, para o diretor de cinema Michael Lawrence, a ideia de fazer um curta-documentário sobre o segundo álbum póstumo de seu xará foi tomada sem muitos rodeios. Xscape – Documentary 2.0 retrata a gravação e remasterização do trabalho com oito músicas inéditas, feitas entre 1983 e 1999. O álbum, bem como o documentário, começou a ser gravado nos estúdios Henson Recording, no dia 10 de abril deste ano.

Em uma entrevista conduzida por Joe Levy, editor da revista Billboard, os produtores LA Reid, Timbaland e Jerome J-Roc Harmon, além do compositor e produtor Rodney Jerkins e a dupla Stargate, formada por Eric Hermansen e Mikkel Storller, mostram todo o trabalho feito com Xscape em 25 minutos.

“Nós queríamos realmente fazer a diferença. Michael Jackson era um artista perfeito, daqueles que falavam com a gente”, diz LA Reid – também curador do documentário. “Ele era único e influenciou e ainda influencia muitos músicos da atualidade”, complementa Justin Timberlake, co-produtor do trabalho, que aparece em diversos momentos do vídeo.

Aliás, uma das versões apresentadas é “Lover Never Felt So Good”, em que o próprio Timberlake empunha o microfone e empresta sua voz, em uma espécie de dueto com o rei. Uma outra surpresa é a versão de “A Place With No Name”, adaptação da canção de 1971, composta por Dewey Bunnelle, “A Horse With No Name”. Vale conferir o trabalho em forma de recompensa aos fãs do rei do pop. Assista ao documentário logo abaixo.

Assista ao The Hot Summer Folks na Galeria Olido, em São Paulo, no próximo dia 12

hot summer folks

Por Roberta Salles

Escutar os músicos da banda The Hot Summer Folks certamente trará um sentimento nostálgico. Não somente por ter a sensação de que, quando estiverem no palco, os chiados de um toca-discos podem ser ouvidos no ambiente, mas pela homenagem que a banda fará, na Galeria Olido, em São Paulo, a músicos consagrados no rock, jazz e folk na década de 50 e comecinho dos anos 60.

Em comemoração ao Dia Mundial do Rock, 13 de julho, a banda se apresenta na Galeria Olido, em São Paulo, a partir das 18h, e o melhor: gratuitamente. No show, os guitarristas André Vilela e Luiz Miranda, acompanhados do baixista Carlos Pellegrine e do baterista Ângelo Kanaan, esbanjam talento em reproduções de Roy Orbinson, The Beach Boys e Duke Ellington, em uma linha tênue entre os ritmos citados e a surf music.

Presente nos instrumentos que tocam, também nota-se um pouquinho de western. É possível reconhecer as influências de Elvis Presley, The Lively Ones, The Shadows e outros monstros musicais consagrados à época. No repertório, clássicos como Hawaii 5.0, Apache, The God, The Bad & The Ugly e Ghost Riders In The Sky tomam a atenção do público em versões instrumentais. A homenagem dos músicos procura agradar também aos fãs de Eric Clapton, Jimi Hendrix, Robert Plant e Jimmy Page, entre outros músicos que fizeram história do rock n’ roll e a escrevem até hoje.

Serviço:
The Hot Summer Folks
Onde: Galeria Olido – Av. São João, 473
Data: 12 de julho, às 18h Os ingressos gratuitos devem ser retirados a partir das 17h no local.

Entrevista: a produção do novo disco e os próximos passos da banda mineira Transmissor

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Por Alessandra Braz

Foto: Pablo Bernardo

O Transmissor é quase uma banda reclusa. Você fica um tempo sem ouvir falar muito do sexteto de Belo Horizonte. De repente, eles reaparecem e os elogios vêm junto. Foi o que aconteceu quando lançaram seus três discos. O último, De Lá Não Ando Só, tem produção de Carlos Eduardo Miranda e foi lançado oficialmente no Scream & Yell.

Esse quase descompromisso é tal que até o site oficial da banda, há algumas semanas, ainda trazia informações sobre o álbum anterior, Nacional (2011). Talvez isso aconteça justamente por este ser um grupo peculiar, que nasceu em uma viagem para os Estados Unidos, onde Leonardo Marques (voz, guitarra e teclado) e Thiago Corrêa (voz, violão e teclado) tocavam em bares e se transformou em uma reunião de amigos.

Nesse meio tempo, os integrantes dedicam-se a outros projetos. Leo (como é conhecido) e Jeniffer Souza (ou Jeninha), por exemplo, lançaram discos solo. Pedro Hamdan (baterista) ocupou-se em desenhar (são dele as capas dos dois primeiros discos). Thiago Corrêa tem uma vida quádrupla. É baixista da dupla Victor & Léo, da banda Eminence e produtor no estúdio Frango no Bafo, além do Transmissor. Completam o time Henrique Matheus (guitarra e bandolim) e novo integrante Daniel Debarry (baixo).

Conversamos com Leo Marques sobre a gravação do álbum, projetos e próximos passos, já que, embora toda a banda tenha participado de maneira ativamente da concepção do disco, é de autoria dele oito das 13 canções.

Numa entrevista para um jornal de Belo Horizonte, vocês falaram que as composições estavam mais próximas da concepção do disco. Pode explicar o que queriam neste terceiro álbum?
A ideia era explorar outra faceta do Transmissor, tentar fazer um disco voltado mais para o rock, menos introspectivo na temática das letras, um disco mais solar. As canções que apresentei tinham mais essas características.

O Miranda foi quem produziu o disco. Como surgiu esse encontro com a banda e como foi o trabalho com ele?
A proposta inicial do disco era reinventar a banda, buscar dinâmicas novas de trabalho. E ter um produtor musical envolvido no projeto era a primeira escolha para diferenciar tudo, já que os dois primeiros discos foram produzidos por nós mesmos. A ideia surgiu através da iniciativa do selo com o qual trabalhamos nesse disco, a Ultra Music. Foi uma experiência muito enriquecedora ter uma figura externa ajudando nos arranjos e na escolha do repertório. Isso ditou muito o caminho no qual o disco seguiu e foi fundamental para o resultado final.

Dei uma olhada na agenda de vocês e, pelo menos no site oficial, não há nada marcado, sendo que vocês acabaram de lançar o De Lá Não Ando Tão Só. Como estão os convites? Algum show agendado para São Paulo ou uma turnê pelo Brasil?
Conseguimos levar nossa música pelo Brasil afora nos discos anteriores. Agora estamos fazendo de tudo pra tocar o mais breve possível em São Paulo e em outras capitais.

Quais serão os desdobramentos do lançamento do álbum? Há disco físico e videoclipe a caminho?
Estamos com um clipe muito legal para estrear em junho. Foi produzido pelo estúdio Chá, de Belo Horizonte, e conta com uma amiga supertalentosa, a “Sara não tem nome”. Ela e  Lina, cadelinha do nosso baterista Pedro Handam, são as estrelas do vídeo. O disco físico está pronto. Lançamos oficialmente no mês passado aqui em Belo Horizonte num show muito especial no Teatro Bradesco.

Sei que você já falou que não faz mais sentido uma banda autoral, como vocês, não divulgar o trabalho na internet, mas como surgiu essa dobradinha com o Scream & Yell?
Nossa música tem que alcançar as pessoas e já faz um tempo que a internet é nosso principal veículo. Não tocamos nas rádios como gostaríamos e também não aparecemos na televisão. A internet é nossa forma de chegar às pessoas e ter a parceria da Scream & Yell dá muito orgulho, porque eles são uma das plataformas com mais credibilidade que conhecemos. Foi através do Marcelo Costa, que já acompanha a banda há um tempo, que isso tudo foi possível. Ele já assistiu a show do Transmissor em Rondônia, São Paulo, Belo Horizonte e em outros cantos do Brasil.

Se você não ouviu, chegou a hora de conhecer “Awake”, disco lançado em março pelo Tycho

Tycho-Awake

Por Roberta Salles

Com melodias que beiram ao o que já foi chamado de música futurista, Awake, lançamento mais recente do californiano Scott Hansen – produtor responsável pelo projeto Tycho – nos leva a meditar, a entender e a acreditar na música eletrônica. A qualidade com que ele mistura fontes como Kraftwerk, com uma pegada oitentista de New Order e até mesmo algo na linha mais indie, como a praticada pelo The Postal Service, não deixam de lado batidas carinhosas e ao mesmo tempo dotadas de melancolia.

No entanto, há uma bipolaridade nas oito canções instrumentais produzidas: “o pensar no âmbito mais concreto da vida” está por lá, sim. Mas você há de se pegar dançando freneticamente enquanto ouve, por exemplo, a canção “Montana”. O mesmo pode acontecer na terceira música, que leva o nome apenas de “L”.

A sequência é embalada por “Dye” e “See”. Barulhinhos singelos e melodiosos envolvem a primeira, mas acontece algo como se o contra-baixo do Joy Division invadisse a segunda logo no início e permeasse a música em toda a sua extensão, acompanhado de uma batida de pista de dança. No entanto, em “Apogee”, tecladinhos brincam num vai-e-vem musical. Às vezes mais profundo e intenso, ora quase que silencioso. Um pouco mais de rock-pop-electro envolve “Spectre”, a penúltima na tracklist. Parece aquela música que você colocaria em uma recepção para amigos em casa, sabe? Faça e preste atenção em quantos destes amigos darão passinhos modestos de dança.

Finalizado com belíssima “Plains”, Awake pode conquistar você de primeira. Se isso não acontecer, vale dar uma chance ao quarto álbum do moço. A produção visceral e o empenho de Hansen em criar coisas diferentes e ao mesmo tempo semelhantes a bons trabalhos revisitados em nossa memória pode ser facilmente sentida. Abaixo, dá pra ouvir o disco na íntegra.

A exposição “Beatles – 50 Anos de História” fica no consulado britânico, em São Paulo, até 13 de julho

beatles rooftop

Por Roberta Salles

“A banda mais importante de todos os tempos”, “A maior influência de músicos dentro – e fora – do rock”, ou “a preferência musical de idades que variam entre 0 e 100 anos, pra mais.” Com todos esses títulos não oficiais, é difícil negar o peso e importância que os Beatles representam para a música.

O fato é que o quarteto de Liverpool nunca deixará de viver em sua essência para milhares e milhares de fãs. Além disso, exposições, mostras, rádios, programas de TV e, obviamente, a internet, estão aí para fortalecer o laço criado no início dos anos 60 e nunca mais desfeito. Ainda bem!

É o caso da mostra Beatles – 50 Anos de História, que chega a São Paulo no próximo dia 9, como parte da iniciativa da missão diplomática britânica GREAT Britain House. Serão 20 eventos sobre negócios, cultura e esportes, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belo Horizonte e Brasília, todos atrelados à Copa do Mundo.

Dia 9 não foi escolhido por acaso: trata-se da data em que começou a primeira turnê da banda nos Estados Unidos. A exposição oferece ao deleite do público 50 objetos pessoais, discos, fotos do grupo, autógrafos e instrumentos musicais, como o contrabaixo Hofner autografado por Paul McCartney e duas guitarras Gretsch. As guitarras, inclusive, são do mesmo modelo Traveling Wilburys – réplica do instrumento usado por George Harrison em seu supergrupo com Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Roy Orbison.

De curadoria do colecionador e fundador do fã clube Revolution, Marco Antonio Mallagoli, a mostra também conta com uma linha do tempo com os álbuns lançados, além de dados pessoais e exclusivos sobre os meninos. Estarão por lá também discos autografados, fotos pessoais e ingressos dos shows. De acordo com Mallagoli, a parte inicial da exposição inclui peças da Quarrymen: a banda que começou tudo por meio de John Lennon. “São materiais raros e serão expostos para a curiosidade do público apreciador de Beatles e de boa música em geral”, diz.

Serviço: “Beatles – 50 anos de história”
Data: 9 de junho a 13 de julho.
Endereço: Centro Brasileiro Britânico – Rua Ferreira de Araújo, 741 – Pinheiros.
Horários: 10h às 19h, de segunda a sexta-feira. Fechado aos fins de semana, com exceção do sábado dia 14.

Concorra a ingressos para o show do Cut Copy no Rio de Janeiro, no próximo dia 7, na Usina

[UPDATE] Sorteio encerrado!

Obrigado a todos pela participação. O ganhador do par de entradas para o show, escolhido aleatoriamente pela equipe do Move, desta vez é:

Yasmin de Oliveira Lemos Mouffron

Parabéns! Entraremos em contato por e-mail.

cut copy

Novamente no Brasil, os australianos do Cut Copy retornam ao país para mostrar as canções do disco mais recente, o ótimo e dançante Free Your Mind, lançado em novembro passado. Nessa passagem, a banda toca em São Paulo na próxima sexta e, no dia seguinte, na Usina, na capital carioca. E é pra essa última parada que fazemos o convite: vamos?

Em parceria com o Queremos, o Move irá sortear um par de ingressos para o show no Rio de Janeiro. Veja como participar:

Deixe seu nome e e-mail em uma das duas opções abaixo (via caixinha de comentários do Facebook ou caixa de comentários normal). Na tarde da próxima quinta-feira (05), anunciaremos o nome de um ganhador, que terá direito a um par de entradas para o show. Participe e boa sorte!

Quem quiser pode acompanhar a movimentação da apresentação carioca pelo evento no Facebook. Os ingressos estão à venda por aqui, caso você não seja sorteado.