Balaclava Fest #3 com Swervedriver @ Cine Joia (São Paulo – 01.05.2016)

Balaclava Fest 3 Cine Joia

Swervedriver no Joia. Crédito: Oswaldo Corneti

Por Flora Pinheiro

Domingo de feriado e o primeiro da nova frente fria que chegou em São Paulo, características perfeitas pra ficar em casa no edredom assistindo Netflix, certo? Errado! Pelo  menos pra um público que lotou o Cine Joia, a partir do final da tarde, pra conferir o Balaclava Fest #3, realizado pela Balaclava Records. O selo paulistano  escalou para a programação  três bandas que fazem parte do selo: Quarto Negro (SP), Supercordas (RJ) e Medialunas (RS) e, pra encerrar a noite, os ingleses do Swervedriver, ícones do shoegaze e dos anos noventa.

A responsabilidade de abrir a casa ficou por conta do Medialunas. Ás 18h pontualmente, o duo gaúcho subiu ao palco e encarou por 40 minutos um público considerável pro início de maratonas de shows. Andrio Maquenzi (Superguidis, Urso e Worldengine) e Liege Milk (Loomer e Hangovers) na bateria/vocal, mostraram faixas do disco Intropologia,  em inglês, português e espanhol. Todas as canções do disco são compostas essencialmente de guitarra, bateria e vocais. No final da apresentação o Medialunas tocou uma nova música que foi composta na semana que antecedeu o evento. “Criamos essa música em meio aos ensaios dessa semana que foram acompanhados por nosso filho de 1 ano e meio”, contou  Liege bem  emocionada que, inclusive, dedicou a canção para o bebê.

Logo em seguida foi a vez do Quarto Negro, liderado por Eduardo Praça e Thiago Klein. Prestes a embarcar para uma turnê europeia, incluindo um show no Festival Primavera Sound, em Barcelona, a banda paulistana fez neste domingo um das primeiras apresentações do Amor Violento em formato trio (as anteriores foram no formato quinteto). Quem assistiu aos primeiros shows da atual turnê pôde perceber que essa mudança refletiu nos arranjos das músicas do atual disco e também no trabalho anterior, Desconocidos. Apostando em versões viscerais, cruas e com arranjos mais pesados, o Quarto Negro perdeu a sutil suavidade que era notada em seu trabalho. Também em 40 minutos, a banda tocou faixas como “Filhos do Frio”, “Espírito Vago” do álbum “Amor Violento”, assim como “Socorro” e “Versânia II” do disco anterior.

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Supercordas protestando durante show.

A terceira banda a subir ao palco foi o Supercordas. Fiel ao seu atual trabalho Terceira Terra, que vem carregado de músicas com referências ao atual momento político e social, o grupo não deixou de mencionar os últimos acontecimentos no planalto central.  Por pelo menos duas vezes, o vocalista Pedro Bonifrate levantou um cartaz escrito “Vai ter luta”, fazendo com que fosse ovacionado pelo público. A formação desse show tinha na bateria, ninguém mais ninguém menos que Marcelo Calado, um dos principais bateristas da atualidade e que compõe  a banda Cê e Do Amor. No repertório, canções como “Sobre o amor e pedras”, e ” Itinerarium Extaticum In Temporalibus”.

Foi com 15 minutos de atraso que começou o último e principal show da noite.  Pela primeira vez e em apresentação única, os ingleses do  Swervedriver, mostraram durante uma hora e meia o porquê são considerados um dos principais nomes do shoegaze e dos anos noventa. Apesar da fama de frieza que geralmente acompanha músicos ingleses, o Swervedriver não seguiu a “tradição”. Por pelo menos três vezes o vocalista Adam Franklin conversou com a plateia.  Durante as primeiras músicas os fãs estavam mais tímidos, mas bastaram quatro canções para os mais empolgados se soltarem. Quase no final, Liege Milk, que se apresentou no início com o “Medialunas”, subiu no palco, dançou e se jogou no público. Com um setlist pra nenhum fã botar defeito, obviamente houve várias músicas do atual disco como “Autodidact”, “Settin Sun” e “I Wonder?, mas os fãs que esperaram a vinda da banda por tanto tempo também ficaram satisfeitos. “Rave Down”  e “For Seeking Heat “ foram algumas das músicas que preencheram  o repertório e, para delírio da plateia, a banda ensaiou aquela saída fake, mas retornou com  “Ever so”, “Last Train To Satansville” e “Duel”.

E ainda deu tempo de voltar para casa de metrô.

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