Band of Horses – Mirage Rock

O Band of Horses, com oito anos de carreira, chega ao Mirage Rock, seu quarto álbum. E apesar de ter esse disco produzido por Glyn Johns, que já trabalhou com Led Zeppelin, Stones, Who e Clash, o lançamento não chega a ser realmente “disco de rock”, fazendo o nome de “miragem” vir bem a calhar. No caso da banda de Seattle, isso não é necessariamente ruim, visto que Infinite Arms, trabalho anterior de 2010, já sugeria um afastamento da sonoridade que a banda apresentava até então e foi um sucesso mesmo assim. Sucesso já que se tratava do primeiro disco por uma grande gravadora e que conseguiu, assim, evidenciar um pouco mais a banda. Porém, Infinite Arms nem de perto carregava a força das canções simples e sinceras de Cease To Begin.  Talvez um pouco da insegurança ao abordar o grande público, presente no álbum de 2010, tenha ido embora no novo lançamento. As músicas parecem mais Band of Horses e, mesmo que o clima não seja aquele tão simplório de tempos idos, o poder de cada canção convence demais.

Lembro de ir ao Lollapalooza em abril desse ano louco pelo Foo Fighters e, no fim das contas, ser o show de outra banda de Seattle que me ganhou. Não que desconfiasse do Band of Horses – estava lá por eles também – mas estava muito mais por aquela banda de 2006/2007 do que pela banda que apresentou sérias mudanças em 2010. Sérias mudanças talvez seja exagero, mas havia algo burocrático demais em Infinite Arms que incomodava a quem fazia aquela ligação direta entre o visual desleixado da banda com sua música. Algo mais sincero e sensível se fazia necessário para aquela banda que caminhava sobre a corda bamba que ligava o indie ao mainstream. Essa corda bamba se transforma em uma ponte de concreto com Mirage Rock.

O disco abre com “Knock Knock”, rápida, desleixada e empolgante, que revigora o suficiente a imagem do grupo para cair na belíssima (uma das mais belas canções do ano) “How to Live”, mais melódica e bem arranjada, talvez seja uma dos melhores momentos da carreira da banda. Segurando a qualidade lá em cima, “Slow Cruel Hands of Time” lembra Big Star, no dedilhado do violão à harmonia de vozes – até a temática. As duas próximas faixas são básicas da cartilha Band of Horses e soam até preguiçosas para a disposição que mostraram nas primeiras faixas. E então, “Dumpster World” coloca um pouco de sombra sobre o até então ensolarado disco, mas não dura muito, porque “Eletric Music” quer te fazer dançar. E dá certo, mesmo que sejam só os pezinhos batendo no chão.

“Everything’s Gonna Be Undone” soa quase como mantra e mostra como o disco não se preocupa em seguir uma unidade e funciona quase como um amontoado de faixas soltas (mesmo que não encontremos nenhum hit nele) – “Feud”, por exemplo, quebra tão assustadoramente o clima da faixa anterior, que chega a envergonhar um pouco. Mas a vergonha, assim como a sombra anteriormente, não persiste: “Long Vows” e “Heartbreak on the 101” são duas canções lindas que estremecem os corações mais sensíveis. Canções por “canção” mesmo, valorizando uma melodia bem trabalhada e sensível.

E é assim que o Band of Horses convence que ainda pode ser brilhante. Não por ter unidade no álbum. Não por ser rock ou deixar de ser. Nem por ser pop demais pro indie (e indie demais pro pop). Convence por apostar no poder das canções – e, no caso deles, isso envolve todo o desleixo, insegurança e simplicidade que só caras como Ben Bridwell, de barba desgrenhada e talento discutível, conseguem produzir. O tipo de sujeito que já não sabe mais se quer parecer com My Morning Jacket ou com Gram Parsons e acaba se sujeitando a isso: soar como alguém e, mesmo assim, parecer mais sincero que nunca.

O Band of Horses convence no descuido que a simplicidade permite, fazendo apenas belas canções e não se importando com o restante.

  • Gostei da resenha, quero escutar o álbum!