A banda que se reinventou em 30 anos de carreira, Sepultura, ganha doc só hoje nos cinemas

Sepultura. Foto: Divulgação

Poderia ser apenas mais um documentário, mas o filme sobre a história que já perdura por 30 anos do grupo mineiro Sepultura é uma aula de como contar uma história e de como ter uma banda durante tanto tempo. Não é fácil. Muitos são os artistas que se separam, que não aguentam a pressão, porque o trabalho de uma banda pode até não parecer, à primeira vista, trabalho pesado (quantos de vocês não ouviram por aí, que artista é tudo vagabundo não é mesmo?), mas é. É com muito suor, muita dedicação,boa química entre os músicos, uma pitadinha de sorte, que é possível chegar em algum lugar. E é assim que nasceu o Sepultura.

Assisti o filme ontem numa sessão de convidados na abertura do In-edit Brasil, um dos melhores festivais que rolam em São Paulo, com certeza, ao lado do Path. O festival chega a sua 9ª edição com dois destaques, uma série de documentários sobre o punk e outro sobre o Tropicalismo. Mas falemos sobre o evento em outra matéria. Dada a importância do evento de ontem a noite, o pessoal da organização consegiu inclusive mudar de sala, ao invés de fazer sua abertura no Cine Sesc, como de praxe, foram para o PlayArte, no Shopping Center 3. Os convidados eram amigos e parentes dos músicos e muita gente do rock, como Supla, Dinho Ouro Preto e Branco Melo.

Sepultura Endurance percorre toda a trajetória da banda e acho que foi muito bem montado. São 7 anos gravando com os caras e transformar isso num filme é realmente um desafio, que o diretor Otavio Juliano e sua trupe tiraram de letra. Uma cartada que achei muito importante foi logo de cara já mostrar o quão importante é a banda no cenário internacional, com entrevistas com Corey Taylor (Slipknot), Lars Ulrich (Mettalica) e David Ellefson (Megadeth), já de cara falam o quanto gostam e o quanto admiram a banda. O que acho que fica de fora nessa mesma instância, é mostrar bandas nacionais que foram influenciadas e como eles abriram o mercado do heavy metal no Brasil.

Mas isso não é um problema. Do começo ao fim, o que se sente falta é das vozes de Max e Igor Cavalera os irmãos que ajudaram a fundar a banda, mas que saíram nos decorrer dos anos. Max no auge, logo após o lançamento do celebrado Roots (1996) e Igor, dez anos depois de desgaste com a banda mesmo. Como dissemos, viajar por meses em turnês que percorrem/percorram Ásia, Europa, América do Norte não é para qualquer um. Phil Anselmo, vocalista do Pantera, fala sobre isso: “O Sepultura esteve em lugares em que eu simplesmente nunca fui”. Jean Donatella, hoje no Ego Kill Talent e um dos sócios do estúdio Family Mob, também não aguentou a pressão e saiu do grupo em 2011, após o show no Rock in Rio.

Pequeno detalhe: Os irmãos Cavalera se recusaram a participar do filme. Sinceramente, isto é algo que não entra na minha cabeça, já que eles são parte importantíssima da banda. Muitos foram os artistas que deram depoimento no doc, que falaram por exemplo, da sinergia que acontecia entre Max e Andreas Kisser (ele o Paulo Xisto são os membros remanscentes da parte áurea do Sepultura). Não entra na minha cabeça como você não consegue entender a sua importância para algo, a sua contribuição e como é importante você também dar o seu ponto de vista. Isso já aconteceu em outros filmes, como o “Lóki”, sobre o Arnaldo Baptista, que não tem um minuto de fala da Rita Lee, e que também será exibido no In-edit. Ou com “Filhos de João – O Admirável Mundo Novo Baiano”, que não teve contribuição de Baby do Brasil. E agora está ela lá excurssionando com os caras. Quem entende?

E por isso, o Andreas Kisser acabou sendo um dos pontos chaves para a banda continuar. O guiatrrista muito celebrado durante todo o filme, também soa como uma voz da consciência. Sabe aquele seu amigo que você liga para pedir conselhos, ou sabe quando você simplesmente fica ali com uma coisa martelando na sua cabeça para você não afzer certa coisa? Este é o Andreas. Ela fala dos companheiros que saíram com um pouco de tristeza, mas ao mesmo tempo, entendendo o que se passou com cada um. Também parece ser um cara super tranquilo e que dá conselhos sem pedir nada em troca. Mas bate o pé quando acha necessário.

Como foi na entrada de Derrick Green no grupo. Andreas e Paulo tiveram que bater de frente com a gravadora e com o empresário para deixar o novo vocalista na banda. Derrick fala sobre isso no filme e explica que sempre sentiu no começoque havia um clima ruim com essas pessoas, que queriam na verdade uma “continuidade” do legado de Max. Equanto a banda, queria justamente mudar de tom e de atitude. E acho que esse é o grande mérito do Sepultura, a banda soube se adequar as mudanças, mudou o sem som, sem mudar sua postura, cresceu e nunca decepcionou os fãs.

O filme entra em cartaz hoje e apenas hoje, em 70 salas, no estado de São Paulo, nas seguintes cidades:  São Paulo, São Bernardo do Campo, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Limeira, Barueri, Suzano, São José dos Campos, Guarulhos, Jundiaí, Santos e Ribeirão Preto. Adquira seu ingresso aqui.


 

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