Beady Eye - BE

Beady Eye
BE

Columbia

Lançamento: 10/06/13

O início do Beady Eye deveria ser representado por seu disco de estreia Different Gear, Still Speeding mas, obviamente, não é. E todos sabemos o motivo. Então, ser o fim do Oasis o início da história do Beady Eye, já é um fato maior do que talvez todo o legado que a banda possa criar – se ela realmente perdurar e não chegar ao fim com uma reunião da ex-banda (não que eu não torça pra isso, veja bem.). Em suas devidas proporções, atente-se ao devidas proporções, assim como Paul McCartney será eternamente um ex-beatle e nada pode o impedir de ser lembrado por isso – e não que ele tenha se esforçado pra isso ou desejado – o Beady Eye sempre será o que restou do Oasis sem o Noel e nem lembraremos que entrou um guitarrista do Kasabian ali pra completar o time. Sendo assim, o que nos resta é que eles criem boas canções. Daquelas que talvez não marquem uma vida, como o Oasis foi capaz de fazer com as multidões, mas que te divirta por minutos, semanas ou anos. É isso que exijo, ou melhor, espero do Beady Eye.

Ao contrário da maioria, eu gosto do resultado de debute da banda. Algumas boas canções pop que viraram bons singles, e tudo tinha uma cara de pressa e também de despreocupação com a referência que isso poderia ter com trabalho anterior com o Oasis (apesar de ter sido o Beady Eye que se recusou, durante um bom tempo, a tocar músicas da ex-banda em seu show). BE, o novo lançamento do grupo, já impressionou com a proposta de ter David Sitek, produtor e integrante do Tv on The Radio, como produtor responsável pelo álbum. Dava pra imaginar Liam menos azedo e menos preso ao rock tradicional e clássico que o influencia tanto e que é quase sua única influência.

Sabe quando há um limão e você o espreme e não parece mais sair suco dali? Sabe quando cai uma única gotinha? Foi isso que Sitek conseguiu extrair do Gallagher do Beady Eye: enquanto o Noel parece muito mais aberto e livre a novas criações, inclusive criar uma amizade com os inimigos mortais da década de noventa, conhecidos como Blur, Liam, que já não possui o tamanho talento do irmão, ainda se prende ao formato tradicional de se criar rock. Mas, sinceramente, ele tem melhorado nisso. BE possui grandes canções, com mais cara de duradouras do que as que apresentavam as faixas do álbum de estreia. BE tem mais capricho nos arranjos e músicas mais consistentes. BE mostra três compositores mais alinhados, e compensa, até onde é possível, a falta de um gênio como compositor na banda. BE tem aquilo que os discos do Oasis tinham: rock ligeiro misturado com rock poderoso e sempre deixando um “espacinho” para uma ou outra baladinha daquelas bem bonitinhas. BE acaba sendo até mais relevante que os últimos discos lançados pela falecida banda.

Foi com essa única gotinha que Sitek fez o possível. Conseguiu caprichar em algumas canções e em outras pareceu até dispensável. Mas quando acertou, acertou bem. Quanto à banda e suas criações, há uma boa, mas não perfeita, estabilidade por todo o disco. “Flick Of The Finger” abre o álbum com a proposta de te impressionar mesmo – e funciona. Metais extraordinários, mixagem perfeita, a voz nasalada de Liam funcionando bem demais e timbres ótimos. Boas ideias e um encerramento brutal com a leitura de um texto do filosófo Jean-Paul Marat, sobre a revolução francesa, feita pelo ator Kayvan Novak.

“Soul Love” possui esse mesmo capricho e sua repetição, com um muro sintetizado sendo construído em seu plano de fundo, dá força a música que poderia passar em branco por não ser nenhuma composição fora do comum. Essa mesma sensação podemos ter com a ligeira “Face the Crowd” e com a irmã da primeira faixa, em sua sonoridade, “Second Bit Of The Apple”. E a grande participação da produção como talvez fator determinante da qualidade da faixa acaba por aí. Mas também podemos considerar acerto quanto Sitek empurra os móveis para os cantos da sala e deixa o ambiente livre para a canção, por sua beleza simples, funcionar sozinha. Isso acontece com “Soon Come Tomorrow”, a belezinha “Start Anew”, a johnlenniana “Ballroom Figured” e a melhor de todas essas, no quesito canção por canção, “Don’t Brother Me” que, apesar do infame trocadilho com a expressão “don’t bother me” que dá nome a uma música dos Beatles, fala sobre a relação de Liam com seus irmãos e inspira da maneira certa que ele precisava para criar uma de suas melhores composições até hoje.

Certamente, não cabe a BE mudar a nossa visão sobre o Beady Eye, mas parece querer moldar um futuro mais promissor para a banda. Não acomodar parece ter sido a regra e ela foi seguida. Não a risca, por teimosia, mas com uma certa disposição. Com o produtor certo, o quinteto britânico fez o que era preciso: deixou BE ser a impulsão da banda para enxergar novos horizontes, sem se importar se, lá na frente, se faz uma sombra de uma antiga em reunião. Agora não é hora disso para o Beady Eye.

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  • Deslumbrada

    musica linda

  • Mohamad

    Parabéns pelo olhar do álbum, isento e justo. Liam tem mesmo evoluído, a banda vem voando junto. O uso de um set. De metais da forca as novas canções. Algumas experimentações, sem perder o estilo. Flick of the finger é inspiradora, second bite of the Apple é ótima! É hit! Start anew, soul love duas boas baladas. Dont brother me é do Caralho! Iz Rite é quase como ouvir George harrison depois do período na Índia, com within without you entre outras. É excelente p novo álbum!