Beady Eye – Different Gear, Still Speeding

“I’m gonna stand the test of time, like the Beatles and Stones”, canta Liam Gallagher, 38 anos, alguns álbuns históricos no currículo e outros nem tanto, no disco de estréia da Beady Eye. Um puta discurso para um disco de estreia, mas, cá entre nós, discursos sempre foram um forte dos irmãos Gallagher, que mantiveram a qualidade das entrevistas por toda a carreira, a despeito da qualidade dos álbuns. O rei na barriga foi a primeira coisa que a banda herdou do Oasis: antes mesmo de o grupo ter nome, Liam já dizia que ele seria melhor que a antiga banda.

O Beady Eye, de banda “nova” não tem nada – é o Oasis menos seu cérebro, Noel Gallagher. Compõem a banda Gem Archer, ex-guitarrista do bom Heavy Stereo, Andy Bell, ex-guitarrista do também bom Ride, e Liam Gallagher, que, como compositor coadjuvante do Oasis, foi do ótimo (“Songbird”, “Ain’t Got Nothin’”) ao médio (“I’m Outta Time”, “Boy With The Blues”) e ao péssimo (“Little James”, “The Meaning of Soul”). Há ainda um quarto elemento, o baterista Chris Sharrock, que tocou com o The La’s, mas não é creditado como autor de nenhuma música.

Colocar Different Gear, Still Speeding para tocar esperando uma mistura dessas bandas é besteira. Na verdade, bastam alguns plays para sacar que, em vez de revisitar o britpop, a banda preferiu voltar no tempo até o final dos anos 60 e plantar acampamento por ali. “Wind Up Dream” é Rolling Stones circa Exile On Main St., com gaitinha e tudo. “The Roller” evoca os Beatles de Revolver e “The Beat Goes On”, os de Magical Mystery Tour. “Bring The Light” seria como “TVC15”, de David Bowie, teria saído se o camaleão olhasse mais para Bob Dylan e menos para a cocaína.

Existem referências mais contemporâneas também. “Four Letter Word” caberia perfeitamente no primeiro álbum do Black Rebel Motorcycle Club e, em “Millionaire”, Liam canta de um jeito que lembra muito o Dave Grohl de There Is Nothing Left To Lose (ouça as estrofes de “Breakout”), embora os dois cantores tenham timbres totalmente diferentes. E ainda “Standing on The Edge of The Noise” tem lampejos de “It’s Gettin’ Better (Man!!)”, do próprio Oasis.

Até aí, nenhuma novidade, já que o Oasis copiava desde Burt Bacharach até The Doors. Só que a ausência de Noel faz toda a diferença – para melhor. Sem “our kid”, não existem as paredes de guitarras e teclados que caracterizavam o Oasis, e nem a grandiloquência que às vezes jogava contra a banda (vide Be Here Now). O som é muito mais simples e cru, e a banda se permite músicas muito menos complexas.

É o caso de “Millionaire”, que tem como base um delicioso riff blueseiro de violão e é toda centrada na voz de Liam. Estivesse Noel na banda, ele meteria um violino em algum canto, um piano em outro e faria a música crescer até se tornar um épico no final. “The Roller” (que tem um clipe ótimo), também é simples, com um refrão marcante apoiado na melodia do piano, e emociona sem grandes trucagens. “For Anyone” (uma prima distante de “Songbird” em que Liam faz uma das coisas que mais gosta: cantar em tons que não consegue mais reproduzir ao vivo) é talvez a coisa mais feliz que Liam já gravou, com riffzinho de violão à la “Here Comes The Sun”, palmas e uma letra extremamente açucarada. “Beatles and Stones” é um revival interessante do disco Abbey Road e “Three Ring Circus” tem um pé no hard rock, apesar do refrão mal trabalhado.

A segunda metade do disco, no geral, é mais fraca que a primeira, com os “nah nah nah” de “Kill For A Dream” parecendo incluídos apenas para brincar com o público nos shows (hey, Beady Eye, não é assim que se faz uma “Hey Jude”) e “Wigwam” se arrastando com uma psicodelia que cozinha em banho-maria. “The Morning Son”, que encerra o álbum, é o momento mais Noel de todo o disco, com um desenvolvimento lento, teclados discretos preenchendo o background, bateria firme marcando o tempo e um vocal frio, que deixa o instrumental encarregado da emoção.

Mas é só nessa última música que o Oasis revive. Nas outras, vemos uma banda mais relaxada, menos meticulosa, mais alegre e, principalmente, mais livre. Sem Noel e sua mão de ferro, é difícil que o Beady Eye faça algo tão bom ou relevante quanto (What’s The Story) Morning Glory?, mas é também mais difícil que a banda se autodestrua fisica e criativamente por causa de brigas internas. O Beady Eye ainda tem o rei na barriga – só que, desta vez, quem está gestando é o pai.

  • Difícil querer gostar mas ter vergonha de escrever, então ficar equilibrando pratos pra manter certa credibilidade indie. Não é trollagem, só achei a resenha sem rumo.

  • “Só que a ausência de Noel faz toda a diferença – para melhor. Sem “our kid”, não existem as paredes de guitarras e teclados que caracterizavam o Oasis, e nem a grandiloquência que às vezes jogava contra a banda (vide Be Here Now). O som é muito mais simples e cru, e a banda se permite músicas muito menos complexas.” – CONCORDO.

  • Bruno Herbert

    opaaaaa… meu amigo, vou te falar uma coisinha. ja que vc gosta muito de escrever.

    No caso influencias e pa, acredito em tudo que vc falo.
    Sobre a arrogancia do Liam tambem.
    So tem 1 problema que é o pro de todo mundo desde da epoca do Oasis.
    As pessoas julgam as musicas pelas influencias, é sempre a mesma conversa…
    ”Ha isso ja existe, ha ele copiu isso e aquilo de tal banda”, ou a pior de todas “Four Letter Word caberia perfeitamente no primeiro álbum do Black Rebel Motorcycle Club”, brotheeerrr, caberia um caralho, se a gente falar em caberia em album, passaria dias aqui falando, que discursso merda do caralho, FOI ELES QUE INVENTARAM PORRA, coube perfeito no CD DELES”

    ”a ausência de Noel faz toda a diferença – para melhor” — COMO É QUE É???
    falando das paredes do NOEL? ISSO ERA OASIS PORRA, que musiquinha leve, va escutar Justin Bebe.

    ”grandiloquência que às vezes jogava contra a banda (vide Be Here Now)” KKKKKKKK
    A segunda metade do disco, no geral,é fraca????? KKKKKKKKKKKK

    Talvez a unica review de musica que vc mandou bem foi:
    “Wigwam” se arrastando com uma psicodelia que cozinha em banho-maria. ok
    So, o resto do seu tempo escrevendo, deveria era aprender a tocar um instrumento e tentar pelo menos fazer uma ”Wigwam”.

    Acorda cara.

  • Adam

    Esqueceu de falar sobre a melhor musica do disco, The Beat Goes On

  • e eu achando que eu era fã xiita de oasis…
    e victor, acho que vc magoou o bruno herbert, viu =/
    pede desculpas pra ele, vai. OU VA ESCUTAR JUSTIN BEBE

  • lucas

    Vai lá fera, vai curtir um som do Restart então. Que lixo de resenha.

  • Bixo

    @Bruno Hebert

    Opinião é que nem cocô, cada um só aguenta o cheiro do seu. Acredite, seu cocô não é especial portanto critica mas não debocha flw maluwco.

  • Sem dúvida nenhuma, a pior resenha que eu já li nesse blog. Sério.

  • João

    A resenha é muito boa, MESMO.
    Concordei em tudo, o disco é isso aí mesmo.

    E outra, pra entender de música não tem que tocar merda nenhuma. Os melhores comentaristas de futebol, com a visão mais ampla nunca colocaram uma chuteira no pé (profissionalmente).

  • Amanda

    Eu curti a resenha, só achei um pouco sem rumo tb.

  • Som

    Quando li “The Meaning of Soul” como péssimo eu parei de ler.

  • Gabriel

    As referências dizem muito pouco sobre a música. Melhor seria se preocupar primeiro com a estrutura, elementos, evolução, etc. e depois citar as possíveis referências (mas sem querer colocar a música em algum disco de outra banda… isso é desnecessário).

    Além disso, essa divisão por primeira metade e segunda metade do álbum é perigosa, pq é arbitrária.

    No mais, achar Oasis e Beady Eye bom ou ruim é uma questão de opinião (eu, por exemplo, não vejo nada demais nem em uma, nem em outra, mas felizmente não sou obrigado a escrever sobre). O problema é que dependendo do teor e da fiabilidade da crítica, dá muito trabalho bancar.

    Essa é a merda de ter público.

  • Miguel

    A resenha é boa, mas “sem rumo” é a melhor definição.

  • Rita

    Não tem coisa pior do que fã de Oasis.

  • marcelo

    fan de oasis = atitude
    querem rockeiros boa praça? vão ouvir coldplay então, Beady Eye é uma puta banda, diferente de oasis, muita personalidade, rock inglês honesto! sem mais.

  • Marina

    engraçado que todas as críticas do DGST diferem uma da outra. achei essa razoável, mas ainda não consegui ter uma opinião formada com relação a beady eye, então não sei mto se conto, haha.
    E CARA, COMO ASSIM I’M OUTTA TIME É UMA DAS MÉDIAS DO LIAM? é a melhor coisa que ele fez, acho até difícil ele conseguir repetir! haha

    e realmente não tem nada pior do que fãs de oasis. eu sei disso pq sou uma.

  • Felipe

    bruno herbert, vc é um dos caras mais idiotas que eu já vi escrevendo. essa história de “ah, não gostou? então vai ouvir justin bieber/restart/afins” não faz o menor sentido.

    vc mandou o resenhista aí aprender um instrumento. bem, pode ser. mas vc deveria aprender a escrever antes de postar suas bobagens por aqui, pq pela sua escrita fica ainda mais difícil de entender seus pensamentos burros.

    tem um monte de gente xingando o cara que escreveu a crítica. ha! ele foi até bonzinho demais. Beady Eye é fraco, é chato, é dispensável e vai acabar em breve, depois que os irmãos encerrarem a jogada de marketing e voltarem com o Oasis.

    (esses pobres fãs xiitas do Oasis… coitados. vão ouvir um pouquinho do Blur, vão)

  • Fagner

    Disco surpreendentemente bom!!!

    Largar Oasis para ouvir Blur? Comparar Blur e Oasis se o próprio tempo já mostrou quem é maior?

  • Pedro

    Que é isso gente
    Se essa é a opinião do autor, Let it be.
    A música é um fenômeno subjetivo, cada um tira suas conclusões.
    Mas é unanimidade que O Liam meio que copiou muito de outras partes.

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  • Carlos

    O pessoal se estressa demais. Achei a resenha fraca, mas foda-se não vou perder meu tempo xingando o cara. Cada um com a sua opinião. E bá, BLUR melhor que OASIS? WTF

  • Ismael

    Tem certeza que vc já ouviu “Exile On Main Street” dos Stones?????????
    Tentei encontrar a sua visão do disco, mas só vi comparações descabidas e vazias.

  • Carol

    Eu achei uma boa resenha. Com comparações um pouco surtadas (ainda estou tentando encaixar Millionaire em There’s Nothing Left to Lose, e a classíficação de I’m Outta Time como média soou um pouco pedante), é verdade, mas ainda assim bastante honesta.
    Eu achei um álbum bastante bem suscedido em sua simplicidade, e já tenho ingresso comprada para o show deles.

  • lucio

    Como leigo que sou, acho que a única maneira de não copiar nada é nunca ter ouvido nada.

    Ai fica difícil.