Bidê ou Balde – Eles São Assim. E Assim Por Diante.

Oito anos após o lançamento do seu último álbum completo, É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos, e um ano após o EP Adeus, Segunda-Feira Triste, que fazia a banda ressurgir para o universo dos lançamentos, o Bidê ou Balde traz Eles São Assim. E Assim Por Diante., LP de retorno altamente aguardado de uma daquelas que já foi a banda mais divertida do cenário do rock nacional.

Se foi a estreia dos gaúchos lá em 99 que chamou mais a atenção, foi no segundo álbum, Outubro ou Nada!, que eles atingiram o ápice da qualidade de suas composições. Unindo toda a força do power-pop com ótimas letras cheias de sacadas bacanas, os gaúchos incorporavam Pavement, B-52’s e Weezer com uma facilidade que nem parecia estranho aquilo casar tão bem com uma sonoridade que poderia até lembrar Blitz. E se outras ótimas bandas gaúchas do mesmo cenário ficaram pelo caminho, como a genial Video-Hits e os ótimos do Wonkavision, o Bidê ou Balde resistiu com o divertido álbum de 2004, bons shows e uma grande quantidade de fãs esperançosos e pacientes, que aguardavam um novo álbum da banda. Enfim, ele foi lançado e não deve decepcionar.

As canções divertidas pra dançar e as baladas doces ainda se fazem presentes. A esperteza de Carlinhos e sua turma continua praticamente intacta. O talento para falar sobre qualquer coisa e carregar isso de sentimentos, que sempre foi o mais valioso em cada letra da banda, também continua ali. Então, o que há de errado com Eles São Assim. E Assim Por Diante.? Quase nada, talvez apenas falte assunto em algum momento e sobre uma repetição do que a banda já fez em outro. Mas a diversão compensa tudo isso até onde dá.

Tirando o excessivo uso de vinhetas que até divertem, mas não compensam, e momentos que não descem assim tão rápido, mas que são de presença altamente compreensível (sempre cabem faixas assim em discos da banda), como a esquisita “Coisinhas Nojentas de Amor”, todo o restante funciona direito. Com arranjo elegante e nome nem tanto, a já conhecida “+Q1 Amigo” abre o álbum em ritmo de hit, e são outras faixas já conhecidas, como “Me deixa Desafinar”, “Lucinha” e a linda versão bônus-track da fofa “Mesmo que Mude”, que mantém o clima de singles lá em cima. Outro momento fofo do álbum é a balada “Mesma Cidade”, que tem aquele ótimo clima imensamente romântico de antigas canções, como “Aeroporto” e “Bromélias”, e também tem potencial pra ser levada por coro nos shows.

A balada “João da Silva” tem uma boa participação de Renato Borguetti com sua gaita-ponto (instrumento similar ao acordeon) e uma participação, digamos, “diferente” de Serginho Moah (Papas Da Língua). Porém, a participação mais evidente, mesmo não sendo real, é a do Flaming Lips na faixa “Eu Quero Morar em Marte”. Usando da especialidade de Wayne Coyne, os gaúchos criam um clima “atmosférico” e pop ao mesmo tempo, fazendo dessa música um dos destaques do trabalho. Outra participação fica por conta de Frank Jorge em “Tudo Funcionando Direito” e “Melhores Veteranos”.

“Eles São Assim” encerra as canções inéditas do álbum com melancolia e em clima de despedida. Ok, se a banda “desaparecer” novamente por mais oito anos, é justo que o disco se encerre assim. Mas quem, como eu, admira o grupo e sua postura diante de um panorama tão complexo que é o rock nacional, não espera que o quarteto “seja assim” e suma dos novos lançamentos. Precisamos sempre de álbuns como os deles: comprometidos apenas com a diversão “e assim por diante”. Não vale a pena é seguir adiante sem o Bidê ou Balde.

  • http://juliavalentine2.blogspot.com.br julia

    a melhor resenha que li sobre o álbum e, especialmente, como fazer vistas grossas para mínimos defeitos e dar vazão as qualidades como um todo e o melhor, sem esquecer o passado. o carlinhos não vai revolucionar a música tupiniquim, mas tudo bem, afinal, o que vale aqui é o rock’n’roll. aliás, esse espírito sobra no bidê ou balde.