Black Drawing Chalks – No Dust Stuck On You

Depois de dois discos semelhantes, o Black Drawing Chalks usou bem o tempo entre seus lançamentos – e isso fez com que o novo trabalho não soasse como uma mera continuação.

Sem mudanças muito bruscas, no entanto, o quarteto goiano soube dosar bem a liberdade que encontrou para explorar novos terrenos e timbres. Isso fez com que alguns movimentos ousados e pontuais reforçassem a ideia de novidade, de um novo álbum – mas com o peso e a dose extra de testosterona de sempre.

O stoner pesado que fez a fama do BDC desde sua fundação dá as caras logo no início, com a porrada “Famous” enchendo o espaço de distorção e mostrando um refrão poderoso. Em seguida, o andamento cai e a sensacional “Cut Myself In Two” entra em cena. A música é provavelmente o mais próximo que o combo do cerrado chegará de uma balada. Moldada por uma pegada sexy, a canção é dessas que ficam na cabeça e forçam o repeat. Surpreendente e grande destaque de No Dust Stuck On You, a faixa melhora gradativamente, evidenciando um belo trabalho vocal e guitarras entrosadas.

“Street Rider” e “Disco Ghosts” tiram um pouco do peso das seis cordas e se concentram em tentar extrair do ouvinte alguns passinhos de dança. A banda ainda está longe de conseguir tal feito, mas as tentativas soam bem válidas. Gratas surpresas.

A fúria controlada e os graves tensos de “Walking By” chegam aos ouvidos e denunciam que o Black Drawing Chalks deve ter ouvido muito Alice In Chains durante as gravações do novo disco. Obviamente, isso é um baita elogio. Já a quase punk “I’ve Got Your Flavor” aposta nos vocais chiados de Victor Rocha e em uma pegada mais rock n’ roll. Urgente, é uma das mais divertidas do LP.

“Simmer Down”, conhecida dos fãs e com riff de tremer a jugular, tem refrão memorável e guitarra solo acompanhando com competência as passagens. Logo depois, a sombria “Swallow” se apresenta como se influências do grunge fossem jogadas num liquidificador infernal, juntamente com algum disco do Black Sabbath e com a produção de Josh Homme. Score!

Daí pra frente, fica evidente um dos poucos defeitos de No Dust Stuck On You: o excesso de músicas. “Imature Toy” e “Black Lines”, por exemplo, não atrapalham, mas pouco acrescentam ao portfólio sonoro da banda. Já “Little Crazy” é releitura da parceria que o BDC fez com Chuck Hipolitho em 2010, sob o nome de Love Bazucas. “Deni’s Dream”, quase uma vinheta, é estranha e se parece com uma versão mal acabada de “Burn The Witch”, do Queens of the Stone Age. Porém, “The Stalker” é um ótimo respiro sujo e roqueiro nessa segunda metade do álbum. Hora de aumentar o volume.

“Cheat Love And Lies”, décima quarta música do tracklist, fecha com decência o trabalho mais completo do Black Drawing Chalks até aqui. Apesar de alguns tropeços mínimos e de não ter apresentado um sucessor imediato para seu hit-mor, “My Favorite Way”, a banda goiana se firma de vez como um dos melhores nomes do rock pesado nacional. E que seu barulho continue soltando poeira por onde ecoar.

  • Daniel Keiniti

    Belo review!
    BDC é uma das bandas mais promissoras no rock nacional, pode-se dizer que Goiânia hospeda várias bandas de rock que não fazem feio e mandam muito bem ao vivo também.

    Vale lembrar que pro lançamento do CD, a banda lançou um app que é um jogo de pinball das antigas! 🙂

  • ana

    Como o próprio Victor disse no último show aqui em rp, Cut myself in two era o único momento romântico do show. Depois era paudurismo paulatinamente haha. Com certeza é minha banda nacional favorita, sucesso pra esses caras!

  • Riana da Cidade Ocidental

    Neto, vem cá, véio: pra fazer uma resenha é preciso comparar a banda com trocentas outras? Fica a impressão que os caras não têm identidade própria, taquepariu!!!

  • Caio

    Só eu senti que o disco é quase um reunião de sobras dos outros discos?
    Famous, Imature Toy e I’ve Got Your Flavor já rolavam versões ao vivo desde o ano passado. Cheat, Love and Lies e Little Crazy já estavam aí desde 2010. E Simmer Down nem preciso falar.
    Gostei para caralho, mas foi como se só quisessem reforçar o que eles fizeram apenas. Deixaram pouca margem para “evolução”.

  • Concordo com o Caio. Mas talvez isso seja proposital, a fim de haver uma melhor familiaridade do público com o álbum. Na minha opinião, esse foi o trabalho mais maduro do BDC até então. É como se eles transcendessem tudo o que era esperado para o NDSOY, trazendo uma impressão de maturidade e complexidade sonora muito foda. Um dos melhores lançamentos de 2012, se não o mais surpreendente deles.

  • Caio

    As músicas que citei que já eram velhas conhecidas do público poderiam ter saído em um EP separado e o disco mesmo deveria ter sido composto com outras no lugar.
    Ou mesmo ter deixado ele com menos faixas.
    O disco é bom e consistente, mas não acho que seja o mais maduro da banda. Em alguns momentos sinto que algumas faixas não se encaixam.
    Como já falei gostei muito mas dava para melhorar ainda mais.

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