Bloc Party – Four

Se o quarto LP do Bloc Party não tivesse o preguiçoso nome de Four, assim como também fez preguiçosamente Beyoncé e até Los Hermanos, ele poderia muito bem se chamar “Selecionando as Músicas Erradas” ou algo como “Enchendo Linguiça”, e nada disso seria ofensivo demais. Exatamente porque não caracterizam um disco totalmente ruim, apenas escolhas precipitadas de algumas faixas.

Funciona mais ou menos assim: o quarteto londrino estava em um game show para responder a pergunta de um milhão, o prêmio máximo. Podia parar e ficar com os 500 mil que já tinha ou responder e arriscar perder tudo, caso errasse. Digamos que nem ficou com os 500 mil e nem perdeu tudo, mas também não acertou a pergunta – e a pergunta, no caso, era: o Bloc Party ainda é uma banda relevante?

Quando surgiram com Silent Alarm, Kele, Russell, Gordon e Matt impressionaram exatamente por fazer grandes músicas com muito pouco. Bastou o conjunto guitarra+baixo+bateria e um pouco de sintetizadores para criar inspiradíssimas músicas, que mesclaram a criatividade de ótimos riffs com batidas quebradas e ótimas pra dançar. Logo o hype os tomou e eles estavam no topo de diversas listas de melhores do ano. E, mesmo que agora em um retrospecto, os dois álbuns seguintes não soem tão mal – A Weekend in the City soa menos inspirado, mas tem seus momentos, e Intimacy soa mais corajoso e um pouco vergonhoso – algo aconteceu nesse meio tempo que o Bloc Party perdeu todo respeito que conquistou em sua estreia. Talvez o comportamento sempre xarope da banda em entrevistas seja um desses motivos, ou o disco dance de Kele, ou a apresentação com playback no VMB, ou mesmo a intolerância com a qualidade do segundo e terceiro álbum dos rapazes que não seguia o padrão de sua primeira aparição. Independentemente disso, Four seria a chance para a banda recuperar o tempo perdido mas, infelizmente, não soube aproveitar bem a oportunidade.

A escolha de 12 faixas (vamos contar 14 com as faixas bônus, que são menos dispensáveis que outras) já me parece exagerada. Pra quem já mostrou que fazia mais com menos e menos com mais, o caminho escolhido não me parece o melhor. Ouvindo faixas totalmente dispensáveis (e não só no nível Bloc Party) como “Kettling”, que assume uma postura tão rock’n’roll como a do Creed, a constrangedora “Coliseum” e a repetitiva “We Are Not Good People”, já conseguimos subtrair três do disco e podemos limar mais. “3×3” arrisca até o ponto se tornar insuportável. A sonolenta “The Healing” não cola e já temos baladas demais no álbum para colocar essa também. Quantas sobraram? Nove faixas? Ok. Podemos começar a falar de um disco mais aceitável, mesmo que ainda nem perto de ser perfeito.

Nas músicas que sobraram, o que se vê é uma banda repetindo fórmulas que deram certo. Ao que tudo indica, é o melhor pra eles no momento.

Se o protótipo de nove canções escorregar em um momento ou outro, vai ser em passagens como a divertida silentalarmiana “Octopus” que poderemos recuperar nossas esperanças. A balada “Real Talk” mostra um Bloc Party diferente de tudo que já mostrou até hoje, com timbres mais limpos e um sossego mais admirável. “Day Four” nos fará lembrar “I Still Remember”, lá de 2007, e será uma lembrança boa. “V.A.L.I.S” é boa pra dançar e conquista em cima de uma melodia bem elaborada. “Truth” e as faixas bônus “Mean” e “Leaf Skeleton” podem tornar tudo meio repetitivo, mas ainda assim é melhor ouvir esse lado da banda, do que aquelas que excluí nessa possibilidade de algo mais conciso. Ah, e se você sentir saudade da parte mais “pegada”, ficamos com “So He Begins to Lie” e “Team A”.

É perceptível que, mesmo com essa suposição toda de um disco econômico, ele não ganharia forças nem para chegar perto de Silent Alarm. Mas também isso não era algo esperado. O que se esperava era um Bloc Party voltando mais disposto a assumir uma função no cenário que não a de uma banda do qual devemos nos envergonhar – e tava fácil, pelo menos, conseguir isso. Quase desistindo de tudo, eles responderam a pergunta no game show:

O Bloc Party ainda é uma banda relevante?
A) Sim      B) De jeito nenhum      C) Não sei

E escolher a terceira opção pareceu mais sensato para todos nós.

  • A capa, pelo menos, é legal.

  • joazinho

    tá parecendo um red hot chilli peppers sem o baixo.. um horrrorrrrrrrrrrrr

  • filipe

    é um álbum bom. vcs estão ficando chatos iguais aos caras do indienation.

  • Quem consegue fazer um album genial atrás do outro?
    Fratelis, Keane,K.Chiefs tão tudo no mesmo balaio de gatos – bandas que já foram salvação de brit pop(se é que o termo ainda existe) um dia e não agüentaram o fardo que os próprios críticos jogaram em suas jovens costas!

  • Dennis

    Bloc Party fez mais do mesmo. Nada de genial, apenas músicas com características do próprio Bloc Party, com aquela guitarra tocada nervosamente presente em todos os álbuns.

  • Fabiano F

    O album não sei mas este texto é horrível…
    Não responde à pergunta, não ganha 500, nem perde (e o 1 milhão então?)… um gancho sem nexo nenhum…

    “mesmo a intolerância com a qualidade”
    O q quer dizer isso?