14 ago 2012

Bloc Party – Four

Por  @15:49

Se o quarto LP do Bloc Party não tivesse o preguiçoso nome de Four, assim como também fez preguiçosamente Beyoncé e até Los Hermanos, ele poderia muito bem se chamar “Selecionando as Músicas Erradas” ou algo como “Enchendo Linguiça”, e nada disso seria ofensivo demais. Exatamente porque não caracterizam um disco totalmente ruim, apenas escolhas precipitadas de algumas faixas.

Funciona mais ou menos assim: o quarteto londrino estava em um game show para responder a pergunta de um milhão, o prêmio máximo. Podia parar e ficar com os 500 mil que já tinha ou responder e arriscar perder tudo, caso errasse. Digamos que nem ficou com os 500 mil e nem perdeu tudo, mas também não acertou a pergunta – e a pergunta, no caso, era: o Bloc Party ainda é uma banda relevante?

Quando surgiram com Silent Alarm, Kele, Russell, Gordon e Matt impressionaram exatamente por fazer grandes músicas com muito pouco. Bastou o conjunto guitarra+baixo+bateria e um pouco de sintetizadores para criar inspiradíssimas músicas, que mesclaram a criatividade de ótimos riffs com batidas quebradas e ótimas pra dançar. Logo o hype os tomou e eles estavam no topo de diversas listas de melhores do ano. E, mesmo que agora em um retrospecto, os dois álbuns seguintes não soem tão mal – A Weekend in the City soa menos inspirado, mas tem seus momentos, e Intimacy soa mais corajoso e um pouco vergonhoso – algo aconteceu nesse meio tempo que o Bloc Party perdeu todo respeito que conquistou em sua estreia. Talvez o comportamento sempre xarope da banda em entrevistas seja um desses motivos, ou o disco dance de Kele, ou a apresentação com playback no VMB, ou mesmo a intolerância com a qualidade do segundo e terceiro álbum dos rapazes que não seguia o padrão de sua primeira aparição. Independentemente disso, Four seria a chance para a banda recuperar o tempo perdido mas, infelizmente, não soube aproveitar bem a oportunidade.

A escolha de 12 faixas (vamos contar 14 com as faixas bônus, que são menos dispensáveis que outras) já me parece exagerada. Pra quem já mostrou que fazia mais com menos e menos com mais, o caminho escolhido não me parece o melhor. Ouvindo faixas totalmente dispensáveis (e não só no nível Bloc Party) como “Kettling”, que assume uma postura tão rock’n’roll como a do Creed, a constrangedora “Coliseum” e a repetitiva “We Are Not Good People”, já conseguimos subtrair três do disco e podemos limar mais. “3×3” arrisca até o ponto se tornar insuportável. A sonolenta “The Healing” não cola e já temos baladas demais no álbum para colocar essa também. Quantas sobraram? Nove faixas? Ok. Podemos começar a falar de um disco mais aceitável, mesmo que ainda nem perto de ser perfeito.

Nas músicas que sobraram, o que se vê é uma banda repetindo fórmulas que deram certo. Ao que tudo indica, é o melhor pra eles no momento.

Se o protótipo de nove canções escorregar em um momento ou outro, vai ser em passagens como a divertida silentalarmiana “Octopus” que poderemos recuperar nossas esperanças. A balada “Real Talk” mostra um Bloc Party diferente de tudo que já mostrou até hoje, com timbres mais limpos e um sossego mais admirável. “Day Four” nos fará lembrar “I Still Remember”, lá de 2007, e será uma lembrança boa. “V.A.L.I.S” é boa pra dançar e conquista em cima de uma melodia bem elaborada. “Truth” e as faixas bônus “Mean” e “Leaf Skeleton” podem tornar tudo meio repetitivo, mas ainda assim é melhor ouvir esse lado da banda, do que aquelas que excluí nessa possibilidade de algo mais conciso. Ah, e se você sentir saudade da parte mais “pegada”, ficamos com “So He Begins to Lie” e “Team A”.

É perceptível que, mesmo com essa suposição toda de um disco econômico, ele não ganharia forças nem para chegar perto de Silent Alarm. Mas também isso não era algo esperado. O que se esperava era um Bloc Party voltando mais disposto a assumir uma função no cenário que não a de uma banda do qual devemos nos envergonhar – e tava fácil, pelo menos, conseguir isso. Quase desistindo de tudo, eles responderam a pergunta no game show:

O Bloc Party ainda é uma banda relevante?
A) Sim      B) De jeito nenhum      C) Não sei

E escolher a terceira opção pareceu mais sensato para todos nós.

Existem 6 comentários sobre este post.

Comentários

Gregório Fonseca 14 ago 2012

A capa, pelo menos, é legal.

joazinho 15 ago 2012

tá parecendo um red hot chilli peppers sem o baixo.. um horrrorrrrrrrrrrrr

filipe 17 ago 2012

é um álbum bom. vcs estão ficando chatos iguais aos caras do indienation.

Leocádia Joana 19 ago 2012

Quem consegue fazer um album genial atrás do outro?
Fratelis, Keane,K.Chiefs tão tudo no mesmo balaio de gatos – bandas que já foram salvação de brit pop(se é que o termo ainda existe) um dia e não agüentaram o fardo que os próprios críticos jogaram em suas jovens costas!

Dennis 23 ago 2012

Bloc Party fez mais do mesmo. Nada de genial, apenas músicas com características do próprio Bloc Party, com aquela guitarra tocada nervosamente presente em todos os álbuns.

Fabiano F 24 mai 2013

O album não sei mas este texto é horrível…
Não responde à pergunta, não ganha 500, nem perde (e o 1 milhão então?)… um gancho sem nexo nenhum…

“mesmo a intolerância com a qualidade”
O q quer dizer isso?