Born Ruffians - Birthmarks

Born Ruffians
Birthmarks

Yep Roc

Lançamento: 16/04/13

Os canadenses Luke Lalonde,Mitch Derosier, Steven Hamelin e Andy Lloyd formam o Born Ruffians, famoso caso de “pequena grande banda”. Com dois ótimos lançamentos no histórico, a banda lança nesse mês o seu terceiro disco ainda sob a sombra de nenhum-grande-hype e não-fama. Sendo assim, essa acaba nem sendo uma sombra, mas sim um céu aberto cheio de possibilidades, e Birthmarks, com suas doze faixas, combina bastante com esse céu, com o sol e com sombra também, mas daquelas que a gente caça pra relaxar.

Com suas guitarras agudas, baixo e bateria marcantes, o Born Ruffians sempre priorizou os bons climas das músicas e, para isso, nunca desperdiçou oportunidades para brincar com ritmos e abusar do talento de Luke Lalonde nas composições – com melodias criativas e letras espertas, o rapaz merecia mais destaque na música atual (mesmo que não tenha acertado tanto assim em seu álbum de estreia, quando experimentou até onde seu senso permitiu). Mas se a cena não valoriza Lalonde, o Born Ruffians se apoia nele e, assim, com toda sua crueza tradicional em timbres e produção, brilha no ponto fraco das outras bandas de sua geração: unidade somada a forte personalidade – porque escolhendo o caminho que quer pra si, a banda saiu do frescor com velocidade do seu primeiro álbum, para relaxados momentos cheios de ritmos afro e silêncios no segundo trabalho. E agora, flerta com o pop como nunca fez.

Lalonde ainda não atingirá o universo pop (se é que era essa sua pretensão), mas esse é o momento onde ele mais se esforça pra isso. Suas canções sempre possuíram gancho para isso, mas nunca buscaram soluções no arranjo nem no formato para atingir a maior parte do público. Se agora essas soluções são mais buscadas, elas não chegam a influenciar na personalidade já desenvolvida pelo conjunto – as quebras inesperadas de ritmo ainda se fazem presentes, mas agora elas se envolvem com novas possibilidades em sonoridades menos orgânicas e com outras pretensões. O que também não quer dizer que se trata de um álbum melhor, apenas diz que o Born Ruffians não se estaciona numa zona de conforto – e, por enquanto, isso tem sido muito positivo e feito a banda ir além. Não sugerindo uma evolução natural que o grupo teria seguido como um caminho já desenhado, parecendo mesmo com um caminho encarado e, mais uma vez, vencido.

Até mesmo as faixas que mais se assemelham com o que a banda já exibia anteriormente possuem uma aura diferente, caso da grudenta “Needle”, “Ocean’s Deep” e a ótima “Dancing On the Edge of Our Graves”. Os casos mais explícitos de mudança ficam por parte de faixas como “Permanent Hesitation”, “Rage Flows” e a quase R&B “So Slow”. Destaques também para a saborosa “6-5000” e  a climática “With Her Shadow”.

Birthmarks se mostra excelente pra quem acompanha a carreira do quarteto, mas não sintetiza a mesma. Se você já um admirador dos canadenses, acaba de ganhar mais um registro para se orgulhar – e pode até “se preocupar” se eles não errarão nunca. Agora, se é o seu primeiro encontro com a banda, não fique surpreso com isso e nem preso somente ao novo lançamento. É apenas mais um céu que se abre pra você. Então, arranje uma sombrinha e aproveite cada disco e cada fase do Born Ruffians. Uma brisa boa está por vir.

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