“Brasil Heavy Metal” é o primeiro documentário completo sobre o gênero

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André Matos, vocalista do Viper (e de mais um tanto de outras bandas, como o Angra), uma das bandas que estava começo do heavy metal no país. Foto: Reprodução/Yotube

O Move That Jukebox falando de metal? É isso aí. O documentário faz parte da programação do In-edit Brasil, que segue com vasta programação até o dia 18 de setembro com vários filmes sobre música, sejam curtas ou longas. Assisti hoje, o doc Brasil Heavy Metal: Um filme, um sonho, uma declaração de amor ao metal brasileiro, do diretor Ricardo Michaelis, o Micka, para os mais próximos.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que o longa de 2h15 é muito bom, mas peca e muito por ser tão grande. A sessão hoje no Cine Sesc não atraiu um público muito grande, o que é estranho para os fãs de metal, que sempre lotam os espaços que encontram. E vi gente desistindo de assistir até o final, como eu mesma fiz.

E ele não precisa ser tão longo assim. Na verdade, o grande problema desse filme é ser muito apaixonado, como o próprio nome revela, o que acaba deixando de lado a parte mais estética da coisa. Há entrevistas feitas em estúdio em cromaqui azul, ou entrevistas feitas em um local onde o fundo são lençóis.

Além disso, temos uma mistura muito grande de linguagens desnecessárias. Uma hora temos uma ilustração para contar como a banda Stress foi para o Rio de Janeiro gravar o primeiro disco de heavy metal nacional, em outro momento, a tipografia que era projetada num muro se transforma em uma tipografia “marretada” em outro muro e temos, o que considero a pior parte, a encenação de dois jovens adoslecentes nos anos 80 loucos para montar sua banda, junto com a cena que estava nascendo, principalmente em São Paulo e Minas Gerais.

Os meninos, na verdade, poderiam muito bem ser cortados do filme, mas sem dó nem piedade. Eles não têm cara de estarem nos anos 80, não parecem falar como os jovens dos anos 80, nem mesmo se vestem como os meninos dos anos 80, ou pior, não tem os cabelos dos jovens metaleiros da época. “Ah, mas como você sabe se você não estava lá?”. Basta olhar as fotos que foram projetas no próprio filme para saber. Onde estão os cabelos daqueles meninos? Só andar na Galeria do Rock para encontrá-los. Além disso, dava para brincar um pouco, sabe? Porque as imagens dos anos 80 são ruins mesmo. E são, porque a tecnologia não era boa. Então, porque não colocar um pouco disso na tela? Bem, eles são usados para dar uma contextualizada na passagem dos anos, mas para que se a fala dos entrevistados já é o suficiente para isso?

Mesmo assim, acho que é um filme que quem quer saber mais sobre a história do heavy metal no Brasil deve assistir. É muito bom para os jovens, principalmente, aqueles que não sabem como é não ter que esperar a mídia roqueira nascer para poder ler sobre os seus ídolos, esperar os discos importados chegarem, esperar que uma pessoa venda os discos, dê um jeito de fazer uma compilação com a cena, um festival trazer aquelas bandas que você absolutamente nunca imaginou em ver ao vivo, que no caso foi o Rock in Rio.

É um filme muito rico em material histórico, mas como peca na parte de linguagem de cinema e também quando esquece de colocar de onde saíram algumas das gravações reasgatadas.

Ele será reexibido dia 11 de setembro, às 18h, no SPCINE Lima Barreto e de novo, dia 14 de setembro, às 19h30, no Cine Olido. Abaixo você assiste ao trailer:

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