Broken Social Scene – Forgiveness Rock Record

Mais de uma hora depois de ter apertado o “play”, você abre aquele sorriso no rosto, satisfeito por ter ouvido 12 faixas que, independentemente das 2 últimas, farão de Forgiveness Rock Record um dos discos do ano. E aí, sem muita pretensão, surge “Water in Hell” pra te fazer lembrar que o CD ainda não acabou – e como é bom escutar músicas tão boas assim nos últimos suspiros de um disco. Ok, o Broken Social Scene não precisava ter jogado a insossa “Me And My Hand” para finalizar seu novo trabalho. Mas, pensando bem, ia ser covardia com as outras bandas lançar um álbum que começasse com “World Sick” e terminasse com “Water in Hell”.

Foram 5 longos anos de espera desde o último trabalho da banda liderada por Kevin Drew e Brendan Canning. Auto-intitulado, o terceiro disco do Broken Social Scene tinha a árdua missão de suceder o trono inquestionável que You Forgot It In People conquistou lá em 2002 (tem como não amar “Cause = Time“, por exemplo?). Já para o quarto álbum, o grupo que tem metade da população do Canadá fazendo parte de sua formação não teve pressa e entregou 14 faixas que sintetizam bem sua carreira até o momento: trinca (às vezes dupla, às vezes quarteto) de guitarras mandando riffs bem sincronizados; Kevin Drew se destacando como nunca nos vocais; experimentações bem-sucedidas com sintetizadores, metais e paredes de teclado; participações precisas, porém um pouco apagadas, de Feist e Emily Haines, entre outros convidados.

Tá bom, vai, Forgiveness Rock Record tem lá seus (poucos) defeitos: descarte “Me And My Hand” e mais uma ou outra do tracklist e você tem um trabalho um pouco mais conciso. Mas, convenhamos, pra que reclamar disso quando ganhamos o privilégio de apreciar uma música como “Forced To Love”? Só por ela já valeria a pena todos os 60 e poucos minutos que compõem essa pequena pérola lançada pelo BSS. E olha que eu ainda nem citei “Texico Bitches”, “Chase Scene”, “Sweetest Kill”…

-> Forgiveness Rock Record foi lançado no dia 4 maio, via Arts & Crafts, e teve produção de John McEntire.