Carl Barat mistura Libertines, Dirty Pretty Things e músicas da carreira solo em São Paulo

Carl e o BDC como banda de apoio

Em sua terceira passagem pelo Brasil, o ex-guitarrista e vocalista do Libertines, Carl Barât, parece cada vez mais longe de sua antiga banda e das confusões com o parceiro Pete Doherty. Apesar de não descartar uma possível turnê de reunião da banda – mesmo que daqui alguns anos -, o inglês parece bem à vontade longe dos antigos companheiros.

Com uma mini turnê que passa por São Paulo e Porto Alegre, sendo os dois shows nos Becos 203, Carl apresenta um repertório que mistura Libertines, Dirty Pretty Things – banda que formou depois do fim dos Libertines – e canções de sua carreira solo.

Will O’Donnell ao violão

Em São Paulo, o show contou com duas aberturas, uma inesperada – pelo menos para mim – com o vocalista e guitarrista da banda The Dirty Truth, Will O’Donnell tocando alguns faixas no violão. Will é amigo de Carl de Londres e está passando uma temporada no Brasil com a namorada, que é brasileira. O cara tem uma voz legal e canta algumas boas músicas de sua banda (você pode ouvir aqui). Para fechar e exibir o bom português, Will tocou “A Minha Menina”, escrita por Jorge Ben e famosa pelos Mutantes.

Os goianos do Black Drawing Chalks em ação

Logo em seguida, vieram os goianos do Black Drawing Chalks, também misturando novas canções com outras mais clássicas. “My Favorite Way” abriu o show, com a casa ainda não tão cheia. Velhos conhecidos do público, o Black Drawing conseguiu animar o pessoal. A apresentação foi curta, mas não ia ser a única vez que eles pisariam no palco naquela noite.

Apesar de parecer à vontade tocando sozinho seu violão, a apresentação solo de Carl Bârat pode ser considerada quase sonolenta no início. Com o tempo, Carl se solta – e o público também. O ponto de virada do show foi quando três integrantes do Black Drawing voltaram ao palco para acompanhar o ex-Libertine. Foi com a banda tocando que a coisa pegou fogo de vez.

Músicas do Libertines fizeram a noite dos fãs no Beco 203, em SP

Entre as músicas que mais agitaram o público estão algumas do Libertines, como “Can’t Stand Me Now”, e outras do Dirty Pretty Things, como “Baang, Bang, You’re Dead”. Faixas estas que ficaram com um tom bem diferente com uma banda como o Black Drawing fazendo o apoio. O resultado é bem interessante, músicas mais pesadas do que as originais.

Lá para o final, Carl chamou pessoas da plateia para tocar com ele. Como sempre, o resultado é mais divertido do que agradável aos ouvidos. Em geral, o repertório bem construído, com faixas de sucesso de suas duas bandas anteriores, foi o que sustentou o show – não que as faixas solo sejam ruins, mas não chegam aos pés do que ele tinha feito antes. Outro ponto que ajudou bastante foi a receptividade dos fãs, que além de brigarem por um cachecol e tentarem subir no palco durante o show, deram uma força para que o inglês se sentisse bem à vontade no palco do pequeno Beco 203.

Fotos: Victor Caputo