Carnaval 2018 em São Paulo é diverso e político

Alexandre Youssef durante o pré-carnaval em São Paulo, no Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. Foto: Mídia Ninja/Divulgação

A plural São Paulo por muito tempo esqueceu de suas raízes, as manifestações culturais cada vez menos originais e os espaços públicos cada vez menos públicos. Quando uma metrópole tão grande resolve ser relevante e criativa, suas pessoas e sua própria natureza conseguem muito e muito rápido.

O carnaval de 2018 foi gigante e coloca a cidade como um dos grandes lugares para se estar nesses dias do ano. A cultura de carnaval da cidade foi revitalizada e como não podia deixar de ser, abraçou várias expressões culturais, grupos, estilos e discursos.

Uma das novidades desse carnaval foi o BLOCO EMO e da o tom do tamanho da diversidade e sobre tudo do envolvimento da cidade, pois foram mais de 20 mil pessoas que abarrotaram a Rua Barra Funda na zona oeste da cidade, cantando como se não houvesse amanhã clássicos do estilo.

“Foi o primeiro ano e divulgamos da forma mais orgânica possível. O que aconteceu foi que a galera abraçou a ideia de verdade, a gente esperava um público bem menor dos mais de 20 mil presentes e já começamos os preparativos para 2019 voltarmos cada vez melhores, com mais infraestrutura”, contou Diogo Serra, voz e guitarra do trio e um dos idealizadores do bloco.

O sucesso foi tão grande, que até o vocalista da Fresno, o Lucas Silveira apareceu para dar uma palhinha. Saca só o vídeo que ele postou em seu Instagram há uma semana:

Mais um cheiro do que foi. Agora só em 2019. E maior ainda. #Carnaval #BlocoEmo

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Já na tradição do novo carnaval de São Paulo e provavelmente o grande responsável pelo crescimento do evento, Alexandre Youssef não só contribui com um dos maiores blocos de rua do Brasil, o Acadêmicos do Baixo Augusta, como também no espaço inaugurado em outubro de 2017 no centro de São Paulo, em frente à rua da Consolação e à Praça Roosevelt, que ganhou quase o mesmo nome do bloco, apenas Casa Baixo Augusta. Desde o começo do ano, o local recebe rodas de samba, oficinas, festas, bate-papos sobre assuntos variados e mais fez um dos pré-carnavais mais animados de SP. Detalhe, grande parte da programação era gratuita.

“Podemos compreender que o carnaval de 2018 em São Paulo serviu como um plebiscito em que a população votou majoritariamente pelo sim. Sim pelo carnaval, sim pela ocupação de rua, sim pela cidade humanizada. Sim pela cidade colorida. Sim pela arte nas ruas. A multidão nas ruas foi a melhor resposta”, explica Alê Youssef.

Que continua: “Esse ‘sim’ expressa, na verdade, uma vitória importante nessa constante “guerra fria” que vivemos por aqui, entre o lado que quer uma cidade para as pessoas e o outro, que resiste ao carnaval e outras formas de ocupação da rua e insiste que São Paulo deveria ser apenas a cidade dos negócios, do trabalho e da velocidade”.

O produtor e ativista conta que só o bloco recebeu 1 milhão de foliões e incita a população a encarar esse 2018 sem medo: “Precisamos carnavalizar a política para tropicalizar o Brasil. O carnaval nos ensinou que 2018 será o ano de lutarmos pela liberdade”, finaliza. 

A apresentadora da rádio Eldorado, TV Cultura e colunista do Estadão, Roberta Martinelli, é uma entusiasta da música brasileira, na rádio, na TV e no jornal, também é apaixonada por carnaval e compartilha a visão da festa como forma crítica de expressão e ocupação da cidade.

“Quando eu era pequena minha mãe me dizia que o carnaval era a época que nós brasileiros deixávamos de lado nossas dores para pular 4 dias. Isso sempre ficou em mim. Mas, agora, em 2018, com o mundo do jeito que está eu entendi. O carnaval é importante demais. Além disso, ver a cidade de São Paulo toda ocupada com festa, com depoimentos fortes e importantes como o que rolou no trio das Bahias e a Cozinha Mineira, as meninas na rua no bloco Pagu, desfiles das escolas de samba com críticas a tudo que a gente vive tudo isso é fundamental para a criação da nossa cidade. São Paulo é nossa”, exalta Roberta.

Leia na minha camisa

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Tarado Ni Você, Casa Comigo, Forrozin, Amelie Pulando, Baixo Augusta, Bicho Maluco Beleza, Minhoqueens, Domingo Ela Não Vai, Chá da Alice, Love Fest, Pagu, Navio Pirata e muitos outros, foram muitas opções e das mais variadas vertentes, no pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. O que fica é a certeza de que a festa será cada vez maior na cidade e receberá cada vez mais pessoas. É torcer para termos uma cidade estruturada, com desfiles bem planejados e que mesmo assim, prefeitura e parceiros continuem respeitando o caráter público e popular do evento.

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