Charli XCX - True Romance

Charli XCX
True Romance

Atlantic

Lançamento: 12/04/13

Com apenas 20 anos, Charli XCX lançou seu primeiro disco por uma major, contando com vários produtores para ajudá-la na missão e conseguindo fundir influências modernas e tendências pop que datam de bem antes dela pensar em nascer. É a geração anos 90 assimilando a avalanche de informações e possibilidades à sua frente – e se saindo extremamente bem na tarefa. Bem, pelo menos é o caso da cantora inglesa, que “mexe com música” desde seus 14 anos.

Em sua estreia, Charli mostra maturidade e bom gosto que falta em muitos artistas experientes. Sendo uma típica espectadora de tempos de mashups, ondas de revivals, remixes e overdoses de interferências vocais computadorizadas, a mocinha capta toda essa efervescência e transforma em sonoridades que jogam a seu favor. Tirando alguns traços pontuais de exagero ou de músicas desnecessárias – o disco seria praticamente impecável com duas ou três faixas a menos –, True Romance (alô, Tarantino!) reúne desde sintetizadores oitentistas, com arranjos mezzo góticos e quase melancólicos (“Nuclear Seasons”), até o pop bobinho de festa, mas que aqui encontra sustentação e contexto suficiente para não soar descartável (“Take My Hand”), assim como surpreendentes passagens com autotune que não fazem você querer arrancar o cérebro pelos olhos (“What I Like” e “Cloud Aura”).

“Cause we used to be the cool kids/ You were old school/ I was on the new shit”, canta Charli em “You (Ha Ha Ha)”, single que puxa seu debut e que, só por ser cheia de barulhinhos frenéticos e por ter uma risada tipicamente “internética” em seu título já revela que a cantora não deixará tão cedo de ser uma “cool kid”. E isso também é provado na épica e linda “Set Me Free”, que seria um desastre melodramático nas mãos de uma Florence Welch da vida, e na tensa e sexy “You’re The One”, maior destaque do terceiro ato do disco.

E assim, munido de ótimas ideias e execuções sofisticadas e atuais, True Romance dá novos ares e roupagem mais abrangente ao pop britânico – que, aliás, já está pequeno para o mundinho cheio de referências infalíveis da cantora, que conseguiu canções sensuais, grandiosas e divertidas sem parecer uma mistureba sem unidade. Que os 20 e poucos anos não assustem, e deixem Charli com ainda mais vontade de rir em suas próprias músicas.

  • Sagaz Mordaz

    tanta coolzice, pero se um D.Guetta da vida estalar os dedos, pronto! A modernidade passa correndinho pro mundo pop – foi assim com Florence, lembra???