Christopher Owens - Lysandre

Christopher Owens
Lysandre

Fat Possum

Lançamento: 14/01/13

O Girls se despontava como uma das melhores bandas do cenário indie – e então, Christopher Owens acabou com ela. Não pareceu ter muito receio pra isso. Na verdade, ele não parece ter muitos “receios”. “Laura”, o primeiro grande sucesso do Girls, tinha a estrutura melódica mais clichê possível e era linda mesmo assim. O clipe de “Lust For Life”, primeiro single, já era NSFW ao máximo. Fez o Gilrs voltar pra um segundo disco bem menos lo-fi e indie, bem mais grandioso e fora do cenário onde o primeiro descansou. Não se trata de disposição pra mudanças, se trata de coragem de se apresentar de forma verdadeira, mesmo que momentânea. E o momento agora é de ser, digamos, brega.

Veja bem, não se trata do “brega pejorativo”, e sim daquele famoso por não medir consequências. Não é sobre descombinar, é sobre não se apegar a preconceitos e utilizar de todos os conceitos já conhecidos para expressar seus sentimentos – e sentimentos é o carro-chefe de Christopher. Ele esbanja disposição para tocar seu coração: vai usar dos clichês, sentimentalismo do mais doce, vai usar de suingue barato e até de sax soprano. Tudo que se ouve de familiar (sejam os lugares-comuns da música mundial e até da própria carreira do compositor com o Girls) acaba gerando o positivo resultado de se criar um trabalho atemporal, mas reforçando que isso não é sinônimo de qualidade absoluta, mas que apenas simboliza que Lysandre não pertence ao cenário atual da música e nem a uma outra época específica.

Porém, ao mesmo tempo que o debute solo de Christopher Owens sugere essa pureza de detalhes quase inocente que conquista em diversos momentos, é a ininterrupção da mesma que torna batidas e repetitivas algumas das canções que apresentam certo potencial melódico, mas que pecam por seu arranjo ou produção ou falta de preparação dos mesmos – como se houvesse uma certa pressa em apresentar sua reestreia. Por exemplo, faixas como “A Broken Heart”, “Love Is In The Ear Of The Listener”, “Lysandre” e “Everywhere You Knew” possuem temas e tons tão similares que nem a beleza natural de suas melodias salva do cansaço por estarem em conjunto em álbum. Conjunto é necessário, mas a mesma tecla batida várias vezes, não. Mas não tem porque tirar todo o mérito de algumas dessas, se funcionarem “sozinhas” – são belas e interessantes, assim como as ágeis “New York City” (e seu sax descontrolado) e “Here We Go Again”, e o folk bonito de “Part of Me”. Agora, muito cuidado ao tocar “Riviera Rock” perto de um amigo – você pode morrer de vergonha.

Como se fosse incontrolável, o ex-Girls despejou todo o seu sentimento da forma mais sincera que pode, e acabou caindo no desnecessário. Faltou a sujeira e esperteza de sua antiga banda, assim como sua forma prática e “compacta” para ser grande. O exagero corajoso ainda não derrubou um dos mais valentes compositores da cena atual, mas o afastou da sequência quase impecável que ele apresentava. Covardia seria dizer o contrário.

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  • Foppa

    Muito bom, concordo plenamente, acho q foi precoce a estréia dele, ahhh discordo da vergonha alheia de Riviera rock, clima massa heheheh, o reggae ta voltando.

    ABRAÇO.

  • cyro

    ouvindo riviera rock enquanto leio seu comentário. um certo medo…rsrs. tinha concordado com seu comentário antes de lê-lo. a rápida produção compromete em parte, mas o disco é bom.

  • Cética

    mais amadurecido – explicaria o jovem cantante…