5 perguntas para… Pedro Pastoriz

pedro pastroriz - jonas turci

Pedro Pastoriz. Foto: Jonas Tucci/Divulgação

Pedro Pastoriz é vocalista do grupo Mustaches e os Apaches, mas desde o ano passado tem se aventurado em uma carreira solo que vai muito bem sucedida, obrigada! Ele acaba de lançar o single “Projeções”, que também dará nome ao primeiro disco solo, que ganhou vida graças a um financiamento coletivo.

A música e disco nasceram após Pedro ter em sua casa um projetor, que ficou por lá dando sopa. Daí, ideias mucho loucas passaram a ocupar a cabeça do artista, que observando a cidade,  – hoje ele mora lá no centro de São Paulo com a namorada e artista plástica Talita Hoffman (que deu vida à capa do single) – e prestou atenção no que se passava por ali, no dia a dia, na violência, na arquitetura, na velocidade, na vida em São Paulo em si. Coisa que um pouco diferente de sua cidade natal, Porto Alegre.

Daí, convidamos o Pedro para o nosso papo rápido, o “Cinco perguntas para”, confere ai!

Move That Jukebox: Pedro, já faz muito tempo que artistas que estão em banda tem se lançado na carreira solo. Isso parece até que está virando rotina. Por que você também resolveu seguir este caminho. O que falta ali no Mustaches e os Apaches para você conseguir se expressar?

Música é meu trabalho, e cada produção tem seu momento e sua importância. Antes de tocar com os Apaches, durante e certamente depois, a busca é trabalhar, produzir e me entrosar com gente nova, conhecer e contar novas histórias, pesquisar novos timbres. E nos Mustache e os Apaches eu tenho total liberdade, somos 5 parceiros muito entrosados, produzimos com muita fluidez e respeito muito esses caras. Mas seja num trabalho com qualquer outro grupo, é muito comum a gente criar vícios nas convivências, nas maneiras de desenvolver os trabalhos e acho que tudo que vem nos tirar dessa zona de conforto é muito válido. Quando eu comecei a tocar sozinho, eu ia de mochilinha e violão pros interiores do país e conheci muita gente que nunca havia escutado os Apaches, e na real acho bem válido pra qualquer artista sair do seu bairro, ir até onde o público que não o conhece está. E nesse processo vi que quando a gente aceita ser o “fulano que trabalha com tal grupo”, a gente está aceitando uma abreviação da nossa história, da nossa personalidade. Eu senti que podia mais quando descobri isso. E esse trabalho novo é um desafio pra mim, estou tocando pra muita gente nova, e acho muito importante essa gana, essa garra do começar, do desbravar.

Move That Jukebox: “Projeção” é seu primeiro single e nasceu de você ter tido em sua casa um projetor, dessa ideia de projetar nas coisas nas pessoas e da tua observação da cidade. Recente morador do centro de São Paulo, viu muita violência por ali. Mas vi você defender o centro com uma ótima opção de moradia. Bem, como fica esta dualidade? Numa cidade em que tem como heróis Borba Gato e os bandeirantes, que assassinaram vários nativos, não tem uma violência também intrínseca em sua alma?

Nasci em Porto Alegre e moro em São Paulo há 7 anos. Tanto em Porto Alegre quando em São Paulo existem muitos tipos de violência e urgências muito diferentes, mas o que me atinge muito e que há em comum pelas cidades é essa agenda do medo, a ideia de que a gente não pode se perder na cidade, que a cidade é apenas um caminho entre casa/trabalho, festa/faculdade, e discordo radicalmente desse raciocínio. Cidade é nossa casa e lugar de encontro, de troca de ideias. Aqui no centro de São Paulo existe uma força tremenda pelas ruas, muitos imigrantes de primeira geração de brasileiros, libaneses, nigerianos, bolivianos, chineses e essas pessoas estão na rua, conversando. Não é estranho se ouvir sotaque novo por aqui, talvez por isso tenha me sentido tão em casa. E sim, o centro de São Paulo é uma ótima opção pra quem procura esse tipo de troca na rua. Todas as cidades tem suas estátuas, seus fantasmas, mas realmente gosto muito das coisas daqui.

pedro - projecao-single3

Capa do single de Pedro, feita pela artista plástica Talita Hoffman e também namorada do cantor. Foto: Reprodução

Move That Jukebox: Estamos vivendo no mundo da música, um momento de tecnologia. Não há muito tempo, muitos artistas do pop internacional foram criticadas por usar certos programas para ajuste de voz. Você está indo em um caminho contrário. Gravou “Projeções” ao vivo, em fita, gravou duas músicas em vinil na Third Man Records. Por que fazer desta maneira tão analógica o teu som?

Tudo uma questão de processo. Eu faço o tipo de música que gosto de escutar e nessa busca de timbres e de climas no estúdio, tenho achado mais válido gravar ao vivo, de eventualmente pesquisar essas técnicas antigas de gravação. Nesse disco é tudo gravado ao vivo, pelo Gui Jesus Toledo, do selo Risco. Pra o tipo de som que faço tem tudo a ver, tudo fica mais enxuto. E lá no selo existem outras bandas já entrosadas com essa maneira de criar, como O Terno, os próprios Mustache e os Apaches gravaram o último disco por lá. E a banda é o André Vac nas guitarras, Arthur Decloedt no contrabaixo e Tim Bernardes na bateria, caras incríveis que manjam muito de arranjo.

Move That Jukebox: Por falar nisso, você foi conhecer a Third Man. Conheceu o homem? Como foi essa viagem? Por que lá?

Bicho, foi louco! [Risos] Fui pra Nashville só pra gravar esse direct cut. Lá é uma cidadezinha bem pequena e com muita história, um parque de diversões da música. Cheguei lá no meio da tarde e não havia fila, é um clima muito interiorano mesmo. Dizem que em dias de semana é comum ver o Jack no balcão atendendo mesmo, mas não encontrei ele. Encontrei uma mina muito massa que tinha uma banda no selo, não lembro o nome da banda. Batemos altos papos antes de eu gravar, ela perguntou se eu estava cantando em grego, rimos muito, gastei todo meu dinheiro em discos e vim de volta pro Brasil com o direct cut de “Chuva” embaixo do braço.

Move That Jukebox: E teu disco está saindo por conta de um financiamento coletivo, o famoso crowdfunding em parceria com o selo Risco. Conta um pouquinho de porque você escolheu fazer assim, também é uma outra tendência, que parece que este ano veio forte, com Lucas Santtana, Liniker e Felipe Cordeiro. Por que você também fez esta escolha?

É uma tendência há alguns anos já, a ideia veio pra ficar. Sou muito a favor a todo tipo de lei de incentivo a cultura, parcerias com empresas privadas, mas sempre ficamos um pouco reféns da aprovação do trabalho, coisa que no processo de financiamento coletivo essa aprovação é única e exclusivamente do público. Você pode falar o que quiser no disco, tem uma liberdade absurda pra criar, desde que a galera compre a ideia. Com muito esforço e alguma sorte, o meu acaba de ser aprovado, achei uma ótima maneira de começar, um primeiro passo do trabalho com muita gente envolvida, engajada nesse trabalho.

Confira a o videoclipe de “Projeções”:

Pedro Pastoriz apresenta o single em um show especial hoje (13), no Estúdio Lâmina – saiba mais lá no Azoofa. Tem que pagar entrada, mas o primeiro que deixar um comentário aí na nossa postagem, falando o que achou da música nova, ganha um par de ingressos.

Leia também