Clarice Falcão - Problema Meu

Clarice Falcão
Problema Meu

Independente

Lançamento: 22/02/2016

Clarice Falcão vendeu uma imagem de mulher fofinha, que ama e que faz críticas ácidas, muito pela sua veia cômica emMonomomania (2013), seu primeiro disco, quem o escutou vai sentir a diferença neste novo álbum, Problema Meu (2016).

Ela já tinha arrasdo na regravação de “Survivor”, escrita pela maravilhosa Beyoncé Knowles, Anthony Dent e Mathew Knowles, que fez sucesso com a Destiny Child’s.  Quem prestou atenção na versão viu que o novo álbum não viria para brincadeira, Clarice se descobriu mulher e trouxe um disco extramamente feminino e feminista. Por quem quem disse que só os homens podem ficar com uma mulher por comodidade? Quem foi que disse que só os homens podem esperar a mina num bar? Quem disse que só eles podem dar um fora? E quem disse que nós não ficamos com raiva da menina que nos “roubou” o namorado? Quem disse que nós gostamos de ser abordadas na mesa de um bar (essa é por minha conta, vide o que aconteceu com as meninas no Quitandinha)? Ou sermos apalpadas em shows (essa também pela minha parte, entenda aqui o que aconteceu). E quem disse que porque aceitamos ficar com um cara viramos propriedade dele? Essas e outras questão estão em Problema Meu.

O disco começa com a canção “Irônico”, em que afineta: “Queria te dizer que esse amor todo por você ele é irônico/ É só irônico/ A cada eu te amo que eu te mando eu tô pensando isso é irônico, e é irônico (…) eu gosto de você como quem gosta de um vídeo no Youtube de alguém cantando mal/Eu gosto de você, como quem gosta de uma celebridade B”, que já ganhou videoclipe (assista aqui) e mostra que na verdade, sim, nós mulheres, também escolhemos homens por que, às vezes, já cansamos de procurar o grande amor.

O álbum vem exatamente depois dela terminar com o humorista e colunista da Folha de S. Paulo, Gregório Duduvier, que era parceiro no Porta dos Fundos, programa humorístico que nasceu na internet e ganhou uma versão para a Fox. E que ela se afastou um pouco (não totalmente, como havia anunciado), para se dedicar a carreira de cantora. Aqui, temos uma Clarice Falcão por vezes insegura e auto-crítica, como ca canção Clarice, que manda: “Clarice suas letras não são chiques/Não tem tu, não tem pronome oblíquo/Mas que mico/Quem que você quer impressionar, Clarice?/Sem fazer pensar, Clarice/Sem dificultar pro seu ouvinte ter que trabalhar pra entender”. E mesmo que diga que não nos faça pensar, Clarice Falcão nos faz pensar em muita coisa.

Em “Deve Ter Sido Eu, embala aquilo que toda mulher já sentiu: “Eu já não amo mais você, mas ainda odeio essa menina” e quem foi que não sentiu isso pelo menos uma vez? Todo mundo já largou de mão daquela amor, mas sentiu aquela pontinha de ódio de por quem os caras (ou minas) nos trocaram, vai dizer? Num mundo feminista, o trabalho é nunca sentir-se mal por causa disso, mas somos seres humanos, que foram  criados numa sociedade machista.

Das canções mais signficativas “Eu Sou Problema Meu”, que dá nome ao disco, é a que para mim, mais revela sobre o que o movimento feminista quer neste momento, ou um dos primeiros pilares da luta da mulher de querer direitos iguais e mostrar que já cansamos de caras que não entendem que para muitas mulheres, o importante é ter uma conversa boa e não somos propriedade de alguém, apenas do nós mesmas: “Quando eu disse sim aquela hora/Eu disse sim aquela hora/Eu não disse sim por toda a eternidade/(…) Não me leve a mal/Mas você não me tem/Eu não sou um chapéu/No armário de alguém”. Coisa que dá para entender melhor, quando lemos a matéria sobre as moças assassinadas no Equador. Daí vem o questionamento, por que só podemos nos sentir seguras quando estamos ao lado de homens? E isso, sem mencionar a taxa de estrupos feito por homens conhecidos e amigos, namorados e maridos.

Algumas músicas, já estavam guardadas e ganharam videoclipe, como “Se esse bar fechar“, antes uma música de violão, que ficou mais bem arranjada no álbum. Entre as canções que tiraria  do disco estão a versão de “L’amour  Toujours (I’ll fly with You), versão da música pop, que entrou em várias rádios do estilo na década de 90 (original aqui), do DJ italiano Gigi d’Agostino e “Duet”, em que explica que a tal canção deveria ser um dueto, mas como o cara não está, canta sozinha.  Detalhe, a músca lembra muito a Mallu Magalhães em deu “Velha e Louca”.

Dentro de movimento feminino, estão a já citada “Deve Ter Sido Eu”, que é amenizada e entendida em “Vagabunda”, em que conclama a “inimiga” enganada pelo mesmo homem a se juntar para um chop, “Se esse bar fechar” e a maravilhosa “Vinheta”, que traz aquele aperto que todas nós já sentimos ao esperar uma ligação de outrém. A produção é do músico Kassin.

Escute aqui o novo e segundo álbum de Clarice Falcão:

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