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Coffee & TV: Clipes que deveriam ser filmes – Parte 2

Dando continuidade às pirações em cima de clipes que poderiam virar filmes, vos apresento mais cinco opções fantásticas de diferentes gêneros, com o bônus de uma música que, por si só, daria um baita filme de menininha. Vamos lá?

O trash de ação (com franquia infinita em potencial)

“Toxic”, da Britney Spears

Entre todos os elementos sensacionais desse clipe, o melhor de todos é que ele próprio já dá margem para inúmeras continuações, à medida que Britney Spears troca de identidade. O ideal seria uma trilogia: Toxic – Perigo nos Ares, Toxic 2 – Ameaça Incandescente e Toxic 3 – Vingança das Trevas. Imagino uma espécie de Duro de Matar versão girl power, com mote sem pé nem cabeça, que funciona de desculpa pra personagem principal usar pouca roupa, matar todos os homens e provocar um monte de explosões. Acabaria virando pauta do Fantástico, do Saia Justa e levantaria um burburinho enorme no movimento feminista, posto que a personagem principal seria uma espécie de justiceira disposta a se vingar de todos os seus ex-namorados canalhas. Já até enxergo as chamadas: “Traição justifica violência? Conheça a história de mulheres que apelaram para a força por causa de um coração partido.”

A direção seria de Michael Bay, e no papel da protagonista teríamos qualquer atriz de expressão facial única, ao melhor estilo Megan Fox, podendo mesmo até ser a própria Britney, mas a cereja do bolo fica mesmo por conta da participação especial de Vin Diesel e/ou de Jason Statham em algum momento.

O lynchiniano

“Everlong”, do Foo Fighters

Bem ao gosto de David Lynch, esse filme misturaria sonho com realidade, plano concreto com metafísico, passado, presente e futuro costurados juntos com o único propósito de dar um nó na cabeça do espectador. Enquanto um casal dorme, acompanhamos o caminho dos seus sonhos, plano no qual os dois se encontram e várias ações se desenrolam, com os personagens voltando ao passado e recordando sua juventude, ao mesmo tempo em que adicionam às lembranças reais aquelas que eles gostariam que tivessem se tornado realidade. De repente, eles começam a ser perseguidos por um espírito do mal do qual precisam fugir, e no final tudo é uma metáfora sobre o céu e o inferno, e o filme termina sem que você descubra se aquilo foi sonho ou realidade, como se ele colocasse Coração Selvagem, Império dos Sonhos e Twin Peaks no liquidificador.

A comédia escrachada:

“Never There”, do Cake

Esse é o típico filme no qual Judd Appatow adoraria meter o bedelho – ou ele ou Seth MacFarlane. O roteiro contaria a história de um caminhoneiro do Texas casado com uma mulher muito, muito gostosa. Ele confia cegamente na esposa, apostando suas fichas na fidelidade dela quando sai para suas longas viagens a trabalho. Depois de receber algumas mensagens anônimas denunciando o comportamento saidinho de sua cônjuge, o cara decide contratar um detetive particular para pegá-la no flagra. É bem provável que ao fim do filme a mulher termine casada com o detetive, ou vivendo até um casamento triplo com o marido E seu stalker profissional, mas isso não importa. Ele seria cheio de piadas vulgares e machistas e obviamente um sucesso estrondoso de bilheteria.

A animação

“Miss Atomic Bomb”, do The Killers

Na verdade, esse filme inauguraria um novo filão de produções que misturariam animação com atores, dividindo a história entre desenho animado e vida real. Ele contaria a triste história do motoqueiro apaixonado por uma bailarina, a quem abandona depois de pensar ter ganho um belo par de chifres e que vive toda uma vida a admirar fotos dela com sua saia de tutu, na esperança de uma carta de reconciliação que a gente não sabe direito se vai chegar ou não. Esse é um daqueles filmes aos quais as crianças vão assistir e achar a coisa mais bacana do mundo, só para rever anos depois e se perguntarem como conseguiram se empolgar tanto com um longa tão triste.

O nacional fora de circuito

“Mi Vida Eres Tu”, do Vanguart

Porque sempre tem aquela obra-prima da nossa terra que não chega a sala de cinema alguma e deixa de cabelos em pé de curiosidade todos aqueles que estão distantes dos grandes centros para conferir o filme numa sala de cinema underground. O roteiro seria relativamente simples, mas a ousadia estaria no fato do personagem principal, um adulto, ser interpretado por uma criança de uns 10 anos que apareceria bebendo e se esfregando com moças da vida num bar de aparência suspeita. Só isso seria suficiente pro filme virar assunto em todos os meios de comunicação, e alguns aproveitariam o ensejo para denunciar o fato de ele estar em cartaz só em São Paulo e no Rio e numas salinhas minguadas. O filme acabaria com o menino acordando de um sonho, vestido ainda com as roupas do pai, e provavelmente abraçando uma foto dele, morto há uns cinco anos.

O filme de menininha

“Sk8er Boi”, da Avril Lavigne

Até hoje eu não sei por que essa música nunca virou filme. Fico decepcionada com a falta de senso de oportunidade dos empresários da menina Avril na época em que foi lançada. Seria a cereja do bolo na carreira da princesinha do punk (risos), a evolução esperada vivida por tantas artistas no mesmo modelinho que a moça. Por que fazer uma música contando a história de uma garota patricinha que se apaixona por um skatista, mas que tem vergonha de assumir e lançar um clipe sem sentindo, cantando e pulando em cima de um carro? Jamais compreenderei e nem a perdoarei por essa falta, porque imagino que se o clipe existisse no molde da música – e ela ainda lançasse um filme com a história toda depois – minha pré-adolescência seria mais completa.

  • miss PoP

    …e por falar em cantoras bobas, todo clip da insonsa Taylor S. é feito pra algum desafeto – real life totale, repare só!!!

  • Colocaria o diretor original de Everlong para fazer a versão longa-metragem. Afinal, é o Michel Gondry!