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Coffee & TV – Lena Dunham, suas “Girls” e a ótima trilha sonora do seriado da HBO

É um caminho tortuoso esse em que somos obrigados a trilhar até que nos tornemos quem somos.  Essa frase não é minha, apenas parafraseei um dos argumentos usados por Hannah Horvath, personagem de Lena Dunham em Girls, para que seus pais continuem lhe bancando até que ela consiga chegar lá. O seriado como um todo gira mais ou menos em torno dessa busca, e somos guiados através dela por Hannah, Jessa, Marnie e Shoshanna, que, na função de guias, conseguem estar mais perdidas que todos nós. Juntos.

Assisti à primeira temporada toda em uma tarde, o que foi uma experiência bem curiosa. A série é intensa pra caramba e provoca reações do mesmo naipe, tantas que muitas vezes se contradizem no intervalo entre um episódio e outro. Em Girls, é muito comum querer estrangular uma personagem nos 10 primeiros minutos e se ver ao fim do capítulo aos prantos, querendo abraçá-la desesperadamente. Minha relação com a Hannah é bem essa: queria muito lhe dar uns coques na cabeça, mas queria estar do seu lado naquele melancólico amanhecer em Coney Island pra dizer que vai ficar tudo bem.

Niesztche tem uma frase bem famosa que diz que a arte existe para que a verdade não nos destrua. Bem, ele disse isso porque não conheceu a Lena Dunham. Além de protagonizar a série, a moça toma parte no roteiro, produção e até na direção, e faz todo esse trabalho pra subverter essa lógica e trazer para a televisão uma série cuja verdade angustia. É claro que as situações apresentadas no seriado são exageradas, caricatas – afinal, é uma comédia – mas não dá pra dizer que, no fundo, não temos todos um pouco de todas elas. Escondido lá no escuro, na maioria das vezes, mas está lá, e ver essas fragilidades feiosas apresentadas de um jeito que é cômico pra não ser totalmente trágico dói um pouquinho. Quero pular embaixo da cama sempre que me vejo na Marnie muito mais do que acho de bom tom admitir.

Por isso, entendo quando as pessoas dizem não gostar da série. Entendo mesmo. No entanto, sempre insisto para que reconheçam o mérito dela, que é expor um grupo de garotas que tem muito mais a ver com a vida que vivemos do que aquela realidade inatingível de tantas outras. Escapismo, às vezes, é maravilhoso e absolutamente necessário, mas em outros momentos um sacolejo é tudo do que a gente precisa.

A segunda temporada vai ao ar a partir do dia 13 na HBO americana, e para aquecermos as turbinas, a emissora lançou esse mês o primeiro CD com a trilha sonora oficial da série. Ponto pro marketing do canal, porque as músicas da série chamam mesmo a atenção. Gosto particularmente do senso de oportunidade do pessoal da edição na hora de selecionar o que vai tocar em casa episódio, porque grande parte das canções escolhidas não está ali por acaso. Hannah toma chá de ópio numa festa ao som de “Time to Pretend”, a música do MGMT que fala sobre viver rápido e morrer cedo. Ao fim de um episódio com um término de namoro especialmente trágico, “I Don’t Love Anyone”, do Belle and Sebastian, começa a tocar. Hannah e Marnie dançam loucamente no quarto junto com a Robyn cantando “Dancing On My Own”, e por aí vai.

Pra aumentar um pouco mais a moral da menina Dunham, a tracklist do CD ainda conta com duas músicas feitas exclusivamente para o seriado. São elas o ótimo batidão “Girls”, da Santigold, e “Sight of the Sun”, do fun. O álbum ainda não chegou ao Brasil, mas dá pra bisbilhotar a lista completa das músicas no site ou então se jogar nas playlists que aquela gente linda do YouTube já organizou, não só com a trilha oficial, mas com várias outras coisas que tocam na série. Dá pra ouvir e ainda tentar associar com cada cena, elevando o vício – e a ansiedade – até a tampa (a propósito, me deparei com essa postagem justamente enquanto escrevia este texto e me identifiquei tanto que até assustei. Mais alguém?). Aliás, o site da HBO fornece um guia musical completinho com tudo que toca em cada episódio. Outro ponto pra eles!

Então vamos ouvir tudo e relembrar dos melhores momentos enquanto não chega o dia 13. E vocês que não conhecem a série, tenham consideração com esse momento fangirl e dêem uma chance pra essas garotas quase simpáticas.

  • Balzaquiana

    Há quem diga que é Sex and the City mais jovem…longe disso! Só as tiradas da Samantha Jones pegadora põe as fedelhas no chinelo! Ô seriado redondamente chato, sô!!!

  • sofia martínez

    Definitivamente deu a ele o alvo perfeito, tenho certeza que muitas meninas se identificar com a história. Graças a isso for Girls 4 é lançado, e eu tenho certeza que vai atender às expectativas de seus fãs.