Across_The_Universe

Coffee & TV: Musicais para todos os gostos

Ah, os musicais! Me chamem de cafona – quem sou eu pra dizer que não sou? – e do que mais quiserem, mas sou fã irrecuperável e não nego. Uma vez uma amiga disse que seria capaz de amar incondicionalmente 500 Dias Com Ela não fosse por causa da cena em que o mundo de Tom Hansen se converte num musical dos mais fofinhos ao som de Hall & Oates. E eu, aqui no meu cantinho, só consigo pensar que esse filme é muito mais bacana porque essa cena existe.

Do mesmo modo, enquanto todo mundo morria de tédio durante o Oscar, eu não poderia estar mais feliz. A cerimônia deste ano homenageou os musicais e, entre um prêmio e outro, rolou a apresentação de alguns números em homenagem aos filmes mais importantes do gênero. Gostei tanto que até mesmo a presença do Seth MacFarlane me pareceu menos errada. Como não gostar de um cara que está cantando uma música do Fred Astaire?

Imbuída do espírito cantante da festa da Academia, achei que seria interessante fazer uma coluna também em homenagem a essa gênero de que tanto gosto.Não farei mistério antes de revelar meu favorito, posto que ele já foi mencionado num parágrafo acima. Não falo do MacFarlane (embora concorde que ela leva jeito pra coisa), mas sim de Fred Astaire. Ah, Fred Astaire! O cabeçudo careca com orelhas enormes que se transforma no homem mais bonito do mundo quando começa a cantar e sapatear por aí. Que Gene Kelly, seu contemporâneo inegavelmente superior em beleza e habilidade com os pés, que me perdoe, mas quem carrega o charme do mundo nas costas é Fred Astaire.

O Oscar o homenageou com a apresentação de “The Way You Look Tonight”, canção maravilhosa que embala o filme Ritmo Louco, que ele estrela ao lado de sua eterna companheira Ginger Rogers. Mas meu momento favorito é outro. Não tem pra ninguém quando Fred forma parceria com os irmãos Gershwin, e é isso que acontece em Cinderela em Paris, filme lindinho que ele protagoniza com minha atriz favorita de todos os tempos, Audrey Hepburn.

Mas nem só de preto e branco e velharias vive o mundo dos musicais, muito menos só de comédias românticas e felicidade pulando pra fora de todos os fotogramas. Lars Von Trier conseguiu fazer um musical contemporâneo que consegue a proeza de ser um dos filmes mais trágicos de todos os tempos, Dançando no Escuro. Pra início de conversa, Selma, a protagonista mãe solteira que fica cega e sofre as maiores atrocidades durante todo o filme, é interpretada pela Björk. Ela, com seu jeito Björk de ser, com aqueles olhinhos doces e peculiares, dá vida a essa Maria do Bairro cult, reduzindo em pedaços nossos corações quando arranja motivos pra cantar nos piores momentos. Numa das passagens mais cruéis do filme, ela desanda a cantar “My Favorite Things”, que faz parte da trilha de A Noviça Rebelde, apenas um dos musicais mais felizes e iluminados do mundo. Lars Von Trier não brinca em serviço.

Outro musical bem peculiar é Rocky Horror Picture Show, mas esse se destaca mesmo por ser muito improvável e extremamente divertido. O filme faz uma sátira aos filmes de ficção científica ao mesmo tempo em que é uma comédia de horror, e ainda pega carona no mote da revolução sexual. É um samba do criolo doido que mistura esse monte de coisas a músicas muito, muito ótimas, personagens hilários, figurino extravagante e enlouquecedor e coreografias muito legais. A bagaceira virou fenômeno cult, claro, e até hoje, nos Estados Unidos e pela Europa, é possível topar com sessões do filme que são exibidas juntamente a performances ao vivo do espetáculo. Quem assistiu ou leu “As Vantagens de Ser Invisível”, já comentado por aqui, conseguiu ter uma noção do nível da folia, já que os amigos de Charlie apresentavam a peça toda semana num cinema local. Participar de uma sessão dessas está na lista de coisas que preciso fazer antes de morrer.

Por falar em exagero, pompa e circunstância, é impossível citar musicais sem pensar nos filmes de cabaré e afins. Moulin Rouge é o queridinho de muitos – te amo, Ewan McGregor – e Liza Minnelli fez história com Cabaret, mas meu favorito é, de longe, Chicago. Merecidamente, o filme também foi homenageado na última cerimônia do Oscar por ter completado 10 anos desde que conseguiu a estatueta de Melhor Filme em 2003. Até semana passada, eu ainda não havia assistido ao filme, coisa que até agora não consigo acreditar, já que desde domingo não consigo pensar em outro assunto que não a história dos bastidores do mundo do crime na Chicago da era do jazz, onde tudo se transformava em espetáculo, até mesmo os assassinatos mais sórdidos. A protagonista Roxy, interpretada por Renée Zellweger, sonha em ser uma grande showgirl, e é na sua imaginação que a narrativa de sua vida vira roteiro de show, com vestidos brilhantes, holofotes e ovações – quando, na realidade, ela é gente como a gente. Como não amar?

Se nenhum dos títulos mencionados te agradou, aqui vai minha última cartada: Across The Universe, o musical que conta a história dos Beatles. Porque quem não gosta de Beatles, boa pessoa certamente não é (brincadeira). Na verdade, as opiniões acerca desse filme costumam se dividir muito, mas acho que a proposta é sempre válida, nem que seja só para brincar de pescar as inúmeras referências e piadas internas que fazem parte do roteiro. O filme costura letras de várias canções dos Beatles com a história da própria banda mesclada com a trama vivida pelos protagonistas. O resultado é um filminho gostoso de ser visto, com uma direção de arte bem bonita.

Não falei de todos os musicais bacanas, muito menos de todos que já vi, mas minha intenção era apenas fazer um recorte com preferências minhas que considero interessantes pra dividir neste espaço, e espero que tenham curtido. Alguém aí gosta musicais e quer compartilhar seus favoritos?

  • Leocádia Joana

    Cantando na Chuva eu assisto todas as vezes que passa, não canso! Grease eu amo, não só por causa das musicas!!
    Também apreciei a cerimônia do Oscar, principalmente porque pela primeira vez um tema de OO7 ganhou a estatueta; embora,lá atrás, tenha musicas bem melhores que “Skyfall”!
    Adoro Chicago!

  • Nathalia Guimarães

    “500 dias com ela”, com certeza ganhou o coração de muitos mas, de longe nada é mais empolgante e divertido que “Rocky Horror”! Eu amo esse musical! Toda vez que toca “Time Warp” dá vontade de dançar loucamente!