24 dez 2012

Coffee & TV – Nick, Norah, a playlist infinita e a noite em busca da banda fofinha

Por  @10:33

Sabe quando você sai pra ver o show da sua banda preferida – que é meio que uma caça ao tesouro -, finge que um cara que você nunca viu na vida é seu namorado e acaba saindo pela cidade com ele a bordo de um carro caindo aos pedaços em busca da sua melhor amiga bêbada que está perdida na cidade mais agitada do mundo? Nossa! E quando um casal sem noção confunde seu carro com um táxi e você é obrigado a levá-lo pra sabe Deus onde enquanto eles se pegam no banco de trás? E aquela situação clássica de descobrir que o cara que você beijou na festa para fingir que não é tão forever alone assim é, na verdade, seu maior amor platônico da vida, sua alma gêmea musical, e também o ex-namorado da sua colega de classe vadia e psicótica? Quem nunca, né? Quem nunca se viu aos amassos no sofá do estúdio do pai, que já recebeu até os Rolling Stones?

Ok, eu nunca, mas Nick e Norah sabem mais ou menos do que estou falando. Se você, caro leitor, também sabe, parabéns pela vida empolgante e extraordinária que você leva.

Nick and Norah’s Infinite Playlist – porcamente traduzido no Brasil para Uma Noite de Amor e Música – conta a história dessa noitada louca vivida pelos dois personagens do título. Como já disse, por conta desse encadeamento de acontecimentos típicos dos filmes adolescentes, Norah (a deusa Kat Dennings) se vê no Yugo amarelo de Nick (o lindinho Michael Cera) vagando por Nova York em busca do show surpresa do Fluffy, banda favorita dos dois, até que precisa se desviar de seu intento para buscar sua melhor amiga tresloucada Caroline. E é isso. Simples assim.

Eu gosto de filmes simples. Eles mostram que não se precisa de megalomania para, ao fim de uma hora e meia, estar sorrindo diante dos créditos que rolam. A vida pode ser boa com pouco. O tom light se estende até na escolha da trilha sonora: bandas indies que surfam longe da onda do hype (se a gente fizer uma vista grossa pro Vampire Weekend), mostrando que é possível ter momentos musicais muito bacanas sem precisar ser, necessariamente, catártico. Na lista temos Submarines, Army Navy e até Shout Out Louds, que eu pensava só existir dentro dos episódios de The O.C., tema da primeira edição da Coffee & TV. Se fosse escolher um favorito pessoal, seria “After Hours”, do We Are Scientists. Não poderia haver escolha mais na vibe do filme.

A letra fala que a partir de uma certa hora o tempo perde o significado, que eles estão onde deveriam estar e que sempre existe a esperança de achar um lugar que sirva até altas horas. Achei interessante rever esse filme nessa época do ano porque vai chegando o fim de dezembro e a gente se mete em listas e proposições absurdas, sem contar os pedidos pretensiosos ao universo. 10 kg a menos, o emprego dos sonhos, o sentido da vida… Quem nunca, né? A história de Nick e Norah mostra que muitas vezes a gente só precisa de uma noite com algumas oportunidades peculiares e boas companhias para ver o “dia nascer feliz”.

E um lugar que sirva até altas horas, para que você tenha onde se encontrar com o cara bonitinho que circunstâncias malucas de filmes adolescentes colocaram na sua vida.

O filme é tão fofo que me deixou piegas nesse nível e minha única reclamação é que eles não dão tempo para ouvirmos o famigerado Fluffy tocar. Algo me diz que seria o tipo de banda genial – mesmo só existindo no cinema.

Coffee & TV é uma coluna quinzenal do Move That Jukebox. Nela, falo sobre trilhas sonoras bacanas, reais ou imaginárias, de filmes, séries e até livros. Eu sou a Anna e não consigo ouvir música sem imaginar um filme como plano de fundo, e também gosto de imaginar o que os personagens dos meus livros favoritos gostariam de ouvir. So Contagious é o meu blog pessoal. E você também me encontra no Twitter.

Existe 1 comentário sobre este post.

Comentários

A Desagradável 28 dez 2012

Assisti quando passou na HBO e me arrenpendi de ter perdido my fuck time! Ô filminho ruim, sô – inda com esse M.Cera que trabalha mal pá dédeu!!! af