The_Carrie_Diaries

Coffee & TV: The Carrie Diaries e todas as músicas da minha vida

Ser ou não ser é uma questão muito ultrapassada. Se tem uma coisa que me atormenta nessa vida é a eterna indecisão com relação à minha década favorita do século XX: os anos 80 ou os anos 90? Se colocassem uma arma na minha cabeça e fizessem tal pergunta, é bem provável que eu responderia os anos 90, em respeito às minhas várias bandas favoritas que marcaram essa época: Smashing Pumpkins, Radiohead, Sonic Youth e, claro, Nirvana (ok, ok, Britney Spears também). Outra dívida eterna que teremos com os anos 90 tem a ver com uma pérola do cinema nacional, lançada em 1999: Zoando na TV. Aquele filme com a Angélica e o Márcio Garcia em que os dois vão parar dentro da televisão e vivem altas aventuras com uma turminha da pesada. No entanto, se eu pudesse viver uma situação parecida com a da Angélica em seu filme, é bem provável que eu escolheria ir parar dentro de The Carrie Diaries, seriado que teve sua primeira temporada exibida esse ano mas que é ambientado nos anos 80.

Amar essa década é sentir uma saudade gostosa e estranha de algo que nunca vivi – sentimento que pipocou dentro de mim logo nas primeiras cenas da série. Aos 19 minutos do episódio piloto, ao som de Bette Davies Eyes na versão original com a Kim Carnes, tive um impulso muito forte e verdadeiro de quebrar a tela do notebook pra tentar entrar naquele universo. Era um caminho sem volta, sem que eu precisasse de teletransporte algum, e matei os 13 episódios da primeira temporada em um fim de semana ocioso e sem internet.

The Carrie Diaries conta a história de Carrie Bradshaw na adolescência. Para quem não ligou o nome à pessoa, estou falando da personagem que, alguns anos depois, ganharia com pompa, circunstância e altíssimos saltos Blahnik a cidade de Nova York no já clássico seriado Sex & The City. No entanto, TCD acontece antes do sexo, da cidade e da maioria dos sapatos incríveis, e o que temos é um seriado fofo, querido e feliz. Sim, adjetivos adocicados para descrever uma série que é exatamente assim: doce. Enquanto a maior parte dos seriados adolescentes é muito carregada no drama e nas situações extraordinárias e mirabolantes, The Carrie Diaries é simples, gente como a gente e quase pé no chão. Não que um drama seja ruim, não que investigar o assassinato de Laura Palmer não seja interessante, mas é legal ver uma galera feliz, assim, pra variar. Estou acostumada com serial killers, overdoses e médicos emocionalmente destroçados, então é de se estranhar o contato com personagens que dialogam, se entendem e tem compaixão com os problemas uns dos outros. Um grupo de amigas dentro do qual não há inveja, vontade de puxar o tapete da outra e muito menos julgamentos desnecessários; e um cenário onde até a bitch da escola se mostra legal de verdade quando o assunto é sério. Pais e filhos que se comunicam, se entendem e são razoáveis uns com os outros e, principalmente, dramas de relacionamento totalmente possíveis e nada mirabolantes. Quem precisa de vampiros quando colocar o coração aos pés de alguém já garante pânico e segurança suficientes?

Isso é Carrie Diaries, fofa e feliz como poucas, cheia de personagens carismáticos, figurinos bem bolados (nada caricatos e totalmente desejáveis) e uma atmosfera meio filme do John Hughes do futuro: o mesmo clima gostoso de high school, o subúrbio como cenário e os bailes na quadra da escola, com o adicional de referências e piadas deliciosas relacionadas aos dias atuais.

E eu nem falei da trilha sonora ainda! Adoro quando alguém comenta que assistiu, leu ou ouviu alguma coisa e lembrou de mim. Fico feliz até quando o objeto da lembrança não tem nada a ver comigo, e a ternura é triplicada quando percebo que, de fato, a memória tem tudo a ver comigo. Desde que a série foi ao ar em janeiro desse ano, várias pessoas tem comentado que eu preciso assistir porque certamente me identificaria horrores. Desnecessário repetir como me enxerguei naquele universo, e as músicas da série só contribuem para que eu sinta ela mais minha do que o normal. Sim, todos os episódios são marcados por grandes clássicos da época muito bem selecionados, alguns até figuras carimbada em tudo quanto é playlist da década. E eu sei que é pretensão sentir que, de uma forma estranha, a trilha tem as músicas da minha vida, mas,  apesar disso, vou dizer que, sim, a trilha sonora de Carrie Diaries é cheia de músicas da minha vida. Assisti aos episódios repetindo em intervalos quase que cronometrados a mesma frase: “meu Deus, eu amo essa música!”

Da supracitada Bette Davies Eyes, que eu amo há sei lá quantos anos, passando por versões diferentes de “Girls Just Wanna Have Fun”. Ah, é, eles adoram usar várias versões da mesma música no mesmo episódio, normalmente uma versão com uma roupagem mais atual e moderninha e, no final, a original, para catarse geral da nação. Já ouvi também a minha favorita do Cure, uma do Pretenders que eu curto por motivos muito peculiares e “Dreaming”, do Blondie, que eu conheci através de um cover do Wilco e por isso mesmo sempre será ouvida e lembrada com nada menos que amor no coração. Por falar em covers, se não fosse por essa série eu ia jurar de pés juntinhos que “It’s My Life” é coisa do No Doubt quando, na verdade, eles só regravaram a música de uma banda chamada Talk Talk. Também já descobri alguns clássicos para a vida, como Depeche Mode, que eu nunca tive paciência para escutar, mas tenho achado necessário; Violent Femmes, que toca em mais de um episódio; e a deliciosa “I Melt With You”, da banda inglesa Modern English, que estou ouvindo sem parar há dias para compensar os 19 anos que passamos separadas.

Para a alegria geral da nação, já tem um canal no Youtube que reúne em playlists as músicas de quase todos os episódios, e o site da CW traz a lista da trilha completinha de todos os episódios.

Então, por mais que eu adore uma camisa xadrez e agradeça aos céus pela vida do Noel Gallagher (ok, do Justin Timberlake também), no momento meu coração está em uma cidadezinha de Connecticut, no ano de 1984 e, uma vez que a série já foi renovada para uma segunda temporada, é lá que ele vai ficar por um bom tempo.

  • Mayra

    TCD <3
    A trilha sonora é realmente fantástica, ainda mais nos eps que têm festas! AI QUE VONTADE dos anos 80 e seus tijolares <3

  • Prvilegiada do D.F.

    w0w! 84 foi o ano em que fui mãe!
    Tem uma musica que eu amava e quase não ouvia poraí:”Charity of Mind” do Spy x Spy! Enjoy aí, lindinha!!!